palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
presa fácil...
Está na hora de partir
vou sem malas de viagem
não vou nem me despedir,
no coração levo bagagem
estou na soleira da porta
não vou nem olhar atrás
ajeito a vida quase morta
de modo a ficar em paz
«Morte aparente
nas minhas mãos aprisionada»
com choro e riso ausente
na minha face angustiada
desço a alameda agora
de cabeça levantada...
de partir chegou a hora
sigo o caminho calada
dores que sinto nos pés
maiores as levo no peito
recordo a vida de lés a lés
onde o amor foi o eleito
o tempo sobre nós se abate
mas a dor nos dá solidez
e não há nó que não desate
Um dia? A morte leva de vez!
«Morte aparente
nas minhas mãos aprisionada»
que viaja comigo no presente
a cada entardecer, a cada madrugada.
glosa....«Morte aparente
nas minhas mãos aprisionada» de Mª do Carmo abecassis no livro «EM VEZ DE ASAS TENHO BRAÇOS»
natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
falo pra mim a mentir
o odor do laranjal me embriaga
o tempo um instante parou
e vem a brisa e me afaga
já a aurora despertou.
vivo fora das horas
não me ouço, nem quero ouvir
eu sei que não demoras
falo pra mim a mentir.
vens afogar-te em meu mar
no vai vem da minha maré
mesmo que seja a sonhar
ou seja milagre até!
é de ferro a minha vontade
e a vida é tempo de flor
breve, como breve é esta saudade
nada faz sentido sem ti amor
quero a noite toda de estrelas
e tuas mãos nos meus seios
este momento é meu...quero tê-las
aqui me ofereço sem rodeios
se é sonho deixa-me sonhar...
este é o mundo dos meus segredos
onde tenho tudo pra te dar
e me entrego louca, sem medos.
natalia nuno
rosafogo
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
arrisco tudo ou nada
vai o sol a desaparecer
numa orgia abrasadora
deixo-me eu enlouquecer
arriscando-me ser sonhadora
arrisco tudo ou nada
vai a vida escorrendo em fio
é quase fonte parada
que demora a chegar ao rio
afago a vida deste jeito
e peço a Deus que me valha
quando sinto um vazio no peito
ou ando no fio da navalha
se pouco já posso esperar
quero ter acesso ao sol
e à luz do dia
vou deixar-me alentar
fazer à vida uma elegia
deixar a melancolia
despedir-me do sol que a tarde levou
confortar minha memória que cria
poemas do que fui e sou
deixo-me voar, riscando os céus
como relampago duma tempestade
mergulhar nos sonhos só meus
tão fugazes como a felicidade.
natalia nuno
rosafogo
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domingo, 19 de agosto de 2012
meu corpo de amor precisa...
o vento desata a fita
sou amante numa espera infinita
feita de sonho e frio, neste calor de agosto
amor que resiste ao tempo que voa
nesta manhã cristalina
onde ainda me sinto menina...
a vida é caprichosa
pensar que nunca mais, é cair no vazio
nada mais? é nada mesmo!
a noite dentro de mim caíu...
minhas mãos hesitantes
outrora tão fortes
eternos os instantes
como num sonho mudo
em que elas diziam tudo,
na loucura da noite escura
amarga doçura
é não ter coisa nenhuma
mas minha memória agarra
lembranças uma a uma...
me sinto ainda menina
na longa noite que agoniza
faço do silêncio cortina
meu corpo de amor precisa.
natalia nuno
rosafogo
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sábado, 18 de agosto de 2012
lado... a... lado
tomo docemente o teu braço
nesta longa subidaacertamos de vez em quando o passo
assim levamos a vida
hoje parei de fadiga
estendeste-me tua mão amiga
tantos degraus...tantos!
temo deixar-me para trás
deixei passar os encantos,
desesperadamente tudo desengraçado,
nada me satisfaz.
mas vamos continuar a trepar
lado a lado
temos de olhar em frente
recordar o passado,
que não foi o paraíso,
mas foi e será sempre da gente.
debaixo do mesmo tecto
agora um pouco vazio
mas pleno de afecto.
saboreio estes instantes
deixo-me para aqui a sonhar
amámo-nos como dois amantes...
toma meu braço vamos caminhar.
posso ir até ao fundo da rua
posso, mas só até aí!
de caminho surge a lua
e eu quero é ser tua
juntos ao anoitecer...aqui!
o tempo foge-nos sob os pés
é a ti que eu para sempre quero,
ainda o digo com vergonha,
corremos a vida de lés a lés
e ainda tanto dela espero,
pois sempre uma mulher sonha.
natalia nuno
rosafogo
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
de linho são os lençois
Arranco silvas do caminho
invento flores ao sol-pôr
a brisa me vem beijar,
traz-me o teu odor amor,
e a saudade a aumentar!
De linho são os lençois
acordo no calor dos teus braços
na madrugada de mil sóis
meu corpo inteiro, minha mente
sentem do estio o quente,
avanço nos passos
deste sonho todo ele amor
onde me embriago
nos beijos que sei de cor.
ficam meus seios à espera
da concha da tua mão
perdidamente ... quisera,
mas é sonho, é ilusão!
e o corpo entra em desvario
é o fim, a solidão...
choro e rio,
em cada verso te vejo
és meu maior desafio
do meu poema és desejo,
em cada verso que faço
nele me deixo ir
para que de ti não diste
sinto o calor do abraço,
se o perco fico triste...
O coração te procura
e a esse amor que é vida,
no meio da bruma escura
tua imagem esvaecida...
Numa angústia que é rotina
mas é Deus que assim destina.
natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
é este o céu que piso
já o sol afrouxou
cantam os pássaros com ternura
e a vida serenou
percorro a estrada do viver
palavras semeio ao vento
a saudade me veio ver
lá vem de novo lamento!
hoje ignoro minha descida
esqueço até a encruzilhada
amanhã se me achar perdida?
nem me darei por achada.
Já a tarde vai madura
no horizonte se despenha
logo vem a noite escura
a saudade de mim desdenha,
fecho o coração por ora
aqui onde sou, e sei ser
deixo a tristeza de fora
sou giesta a reverdecer.
Já a tarde vai madura
eu com medo de quebrar
este sonho de profundura
com rios de amor pra dar,
um rumor, a ventania
olhos orvalhados de medo
outro sonho se inicia
fica suspenso é segredo!
Prefiro seguir caminho
cai a noite bruscamente...
guardo os olhos num cantinho
e regresso á nascente,
e é este o céu que piso
minha paz é o que era
neste meu tempo impreciso
quero sonhar...sonho é dávida
que me espera...
quero correr como um menino
mandar parar o verão
fazer das palavras meu destino
e amar sem hesitação.
natalia nuno
rosafogo
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poema de 2006
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