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terça-feira, 26 de junho de 2012

MOMENTOS



Sou uma árvore solitária
Sacudida p'lo vento
Surgem-me emoções nos descuidos
do pensamento.
Há no ar um odor almiscarado,
que me é familiar,
e que à noite me faz sonhar.
Louvado seja Deus! Louvado!

Encontro a eternidade
na luz que espelha p'la manhã
O olhar perdido na saudade
Á beira de morrer, que o tempo não
perdoa.
Hoje venha o que vier, deixo o coração
à toa!
Sinto saudade nem sei bem de quê!
Nem sei de onde ela me vem
Saudade que só o meu olhar vê
E sabe de quê e de quem!

Sou àrvore erma como os versos
que vou fazendo.
Que em troca não pede nada
Por aqui nos vamos perdendo
Eu e eles numa prece desfolhada.
Que mais posso andar? Cançei!
É tarde, muito tarde...
Quebrou-se o encanto.
Agora que cheguei?!
Quedo o olhar e o pranto
Definho na saudade.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net





domingo, 24 de junho de 2012

A MANHÃ POUSA EM MIM



Hoje o cantar do pássaro é sonoro
E tanta harmonia à minha volta,
que a vida namoro.
A alma voa, prenúncio de saudade,
solta-se, nesta manhã de claridade.
Como asa de pássaro que se agita no céu.
Assim,
a manhã pousa em mim.
Teimo em viver,
o sonho que me acolheu.
E as lágrimas que deixar,
hão-de secar!
Está meu corpo farto de saber,
que já não mata o tempo, mas
é ele que o mata,
e assim vai andando de nó no peito,
que não ata nem desata.

Se ao menos o coração pudesse dizer
da sua intensa vontade
de viver!?
ah... a criança em mim
Que brinca com o sol e com o vento
criança que não envelhece
é ela que me dá alento.
Mas hoje a terra exala o aroma
dos laranjais
e os pássaros enfeitiçam meu dia
com seus cantos e rituais.
me deixo embalar
e a solidão deixará de me inquietar.
Já se dobram os girassóis e com eles
a tarde.
E eu permaneço à sombra da saudade.

natalia nuno
rosafogo


sábado, 23 de junho de 2012

FLOR DA BEIRA RIO



Pés descalços
na água clara do rio
Pássaro em liberdade
Hoje perante o vazio,
recordo-te com saudade.

Às vezes a memória já se apaga
E tudo parece perdido
Mas ao olhar o céu o sol me afaga!
Abro os braços de novo à vida,
Mesmo de esperança poída
Agradeço a Deus p'lo tempo vivido.

E o rio lá em pleno alvorocer
e eu menina debaixo do salgueiro
Meus olhos marejantes a quererem ver
a face da madrugada e o seu cheiro.
E o rio a soluçar passa
De alma gémea, tão gémea da minha!
Menina plena de graça...
Da alegria que outrora tinha.

Esta lembrança tardia
É algo que se sente e não se explica
Semelhante a quem canta ou chora
dia a dia
Doces risos ou lágrimas que a alma
purifica.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

sexta-feira, 22 de junho de 2012

POETA PETALA
















Olá Natália.

Palavras talhadas a fogo
Em campos beijando flores
Trazendo á mistura o denodo
Dos belos cantos de amores.

Nesta contida liberdade
Cantada com a voz serena
São Espartilhos de saudade
De tempos que deixam pena

Planta que tem boas raízes
E foi sempre bem regada
Pode apresentar cicatrizes
Mas mostra que é amada!

Beijo
1 de Junho de 2012 12:56

Mais uma poesia que me é dedicada, pelo amigo
PETALA, a quem agradeço de coração.

ENCANTO












Olá Natália



Cantos de rara beleza
Cheios de sofreguidão
Que denotam a certeza
A vida que trazes na mão!

Quem a vida sabe viver
Por ela amou e foi amada
Não se deixará remeter
A uma porta fechada!

A vida é sempre esperança
Nunca a deixamos em vão
E nesse coração ainda dança
O polar de música no coração!

Beijo
22 de Junho de 2012 02:16

Uma forma que encontro de puder agradecer ao amigo
PÉTALA,  tão bela poesia que me deixa em comentário.

Muito obrigada pelo apreço.

A VIAGEM





















Acende-se uma esperança em mim
Amo a vida sinto-me imortal
Olho as flores tão frescas e por fim
até o vento me canta
A beleza do voo do rouxinol
me encanta.
Hoje a perfeição da vida é tal
Que a ideia da morte é remota!
Esqueço qualquer sonho sombrio
As árvores estremecem
e a vida em mim brota.

Sigo com o olhar o navio
as gaivotas e o azul do mar
Neste morno entardecer
Lanço os anos ao esquecimento
sem um lamento
Surda e indiferente, magoadas
horas vou esquecer.
E os instantes de júbilo ou pesar
Deito-os ao leito tranquilo do mar.

E me entrego ao sonho em liberdade
Tal como em criança de quem trago
saudade.
O último raio de sol me cobre de felicidade.
Deixo que deslizem as horas
Nas emaranhadas ideias
Enquanto pulsante segue o sangue
em minhas veias.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

quinta-feira, 21 de junho de 2012

QUEM MORREU?



Levantam-se os ciprestes
Quem foi que morreu?
E aos ventos agrestes
Minha alma grita...aflita
Não fui eu!

Há sempre um sinal de desalento
A cada noite ao adormecer
Os olhos se apagam de fadiga
É o tempo que está a morrer.
Já a solidão tudo esfria
O tempo tudo corrói
Só ao sonho suplico companhia
Enquanto há um pouco de luz
na queda que dói.
Sobre o campo adormecido
há um escuro que se amontoa
estou-o vivendo, por mais que doa.
Nas horas da vida há ondas alterosas
e espumas furiosas.
E meu rosto olha o sol que se apagou,
meu barco ainda assim não  naufragou...
Resta um tempo que me destrói,
mas ao mesmo tempo me realiza
Caminho onde chego... e a vida
se suaviza.

natalia nuno
rosafogo