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terça-feira, 22 de maio de 2012

FADO QUE LEVO COMIGO




Os anos levaram o viço
Tempo trago na lembrança
Vai-se a vida sem dar por isso
Ainda ontem era criança.
Regressar ao passado é tentação
É magma que me aquece
Mas não há bela sem senão
Vai-se a memória, já esquece.

Vou perdendo força não coragem
Sou como o vento em seu bailado
Meus versos são minha imagem
Alimentar o tempo é meu fado
Ponho neles tanta loucura
Aplausos lhe são devidos
Faço-os com humildade e ternura
Os acaricio, me são queridos.

A vida é leve é um ai...
Mas muitos pensam que não!
Mal chegou e já se vai
Pra quê rancor no coração.
Meu escrever é simplicidade
Como o som que sai da guitarra
Que até nós traz a saudade
Que á nossa alma se agarra.

rosafogo
natalia nuno.

IDÍLIO




Naquele sofá esquecido e velho
Forrado de brocado vermelho
Confessei-te minha paixão.
Ficou nosso lugar privado
Hoje já abandonado,
Ele e nós sem tentação.
.
Nesta etapa da vida
A paixão é mais branda
e o sofá mais macio.
Lá como criança adormecida?!
É o sonho quem comanda
E acende a chama ao nosso idílio.

Poiso a minha mão na tua
Deixo acender em nós a chama
Aparecem as estrelas...e a lua!
E o sonho acontece porque se ama.
Assim nos enchemos de esperança
Nos nossos momentos não cabe a palavra fim
De cada instante fica a lembrança
Eu te amo e tu a mim!

Sou assim a fonte onde podes afogar-te
Sou uma nascente privilegiada
Levei anos a amar-te!
Mas me senti muito amada.
Há um fogo no meu coração
Que há noite me faz sonhar
Acredito ainda não ser só ilusão
No sonho irei sempre acreditar.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net




sexta-feira, 18 de maio de 2012

TRAGO NA MÃO UM ROUXINOL



Quero aguardar o dia que se avizinha
A única porta para mim aberta
Com as mãos molhadas de ternura
e sonhos que a vida ainda em mim desperta.
Despeço-me desta noite deserta
Que me deixou o sonho destroçado
Quero mais um instante para amar
Voltar a ter-te a meu lado.

Trago na mão um rouxinol
Que canta a tristeza e a alegria
E nos olhos cresce um girassol
Lembrando-me que amanhã é
outro dia.

Esta viagem já me tolhe
os gestos e os pensamentos
Não há chuva miúda que não molhe
Nem vidas sem sofrimentos.
É breve o tempo que nos resta
Nada o faz adiar
Daí a saudade é o que resta
Para a solidão enfrentar.

Chega a madrugada soalheira
Cantam os pássaros aos milhões
E a vida vai pregando sua rasteira
Com ela levando-nos os corações.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net






quinta-feira, 17 de maio de 2012

ONDE A LUZ É MAIS FORTE














Onde a luz é mais forte
Meu olhar no espelho desaparece
Angustiado, com medo da morte
Com toda a angústia que o entristece.
Como destroços na rebentação
A vida desaparece entre as mãos
E o corpo adormece em acomodação.

Onde a luz é mais forte
Há sonhos embalados
Como se a vida estivesse pra chegar
Em sonos delicados,
donde não se quer jamais acordar.
E a vida floresce
p'los meus dedos a escorregar
Redescubro de novo a vida e acontece
que cada segundo é uma gota que cai
e não deixa a vida mirrar.

Onde a luz é mais forte
É onde rebusco sonhos ingénuamente
Enquanto o espelho se embacia de mansinho
Flutuo no sonho tão profundamente
Como se fosse desenhando o próprio caminho.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ANGUSTIA DE MORTAIS



DUETO COM A AMIGA A POETA MANUELA FONSECA


Debandam pássaros em alvoroço
Rezo meu rosário de contas
Ato a vida p'las pontas
Sopra o vento, não o ouço!


Canteiros de flores e besouros
A fragância da terra molhada
Há risos e sufocados choros
A hera sobrevive à geada
Meu rosto já sem idade
Esconde-se nos dias sempre iguais
Ah...coração, que tenacidade!
Teu bater nunca é demais.


Acorrem a avisar-me...
Que sou sombra duma lenda!
Hão-de os pássaros lembrar-me
Já que Poeta....não há quem entenda.


natalia nuno
rosafogo


Depois de eu morrer
Então sim, é a valer
Até as beatas perdidas
Que – juro – nunca fumei
Serão pedaços de alquimias
Herança que vos deixei


Depois de eu morrer
E do poema se fartar
De contar e escolher
Lendas de encantar


Rezarás contas de ler
Forçadas para rimar
Depois de eu morrer
Hão-de ouvir dizer
A palavra foi de génio
As aves voaram amor
E a morte lhe dará prémio
Outro brilho, nova cor.


Poeta manuela fonseca


14/05/2012



domingo, 13 de maio de 2012

HOJE NASCI



DEDICADO Á MINHA AMIGA E POETA HAEREMAI, pelo dia do seu aniversário.


Deslumbrada,
uma estrela caíu
P'los teus olhos apaixonada
Tempo de fascínio... partiu!
Deixou o céu e fugiu.
Hoje esquecida da viagem
Os sonhos renovou
É no espelho a imagem
Daquele céu que deixou.

Coisa estranha a saudade
Que sacia a solidão
Perdida da juventude
a felicidade,
fica o destino traçado,
que às vezes nos é negado,
ficando só desilusão.
Mas... algo para sempre permanece,
o amor no coração...

Todo o poder que a palavra tem
Todo o poder que ela nos dá
É para dizer a alguém!
Toma minha amizade...toma lá!

que fazer Fatinha, queria tanto fazer-te um poema
de jeito, mas foi este que me saíu dum lugar...do peito.

Beijos
natalia nuno
rosafogo
13/05/2012

MAGOA-ME PENSAR




Entre a minha memória inquieta
E o tempo que tudo repete
Há um regato a correr...
Que observo em silêncio...quieta!
Às vezes desespero, mas já pouco
tenho a perder.

O tempo lembra-me que existo
Que trago comigo um passado
Me lembra de tudo isto
Estou cansada e ele cansado.

Tudo acontece devagar
Mas o tempo corre...!
Magoa-me pensar
Que tudo o que nasce morre.

Tantos anos trago comigo
São já um poema de saudade
Ou aquele livro amigo
Que ao ler nos dá felicidade.
O tempo passou por aqui
Por um instante, um apenas!
Será que eu não o vi?
Pesam em meus ombros
minhas penas.


rosafogo
natalia nuno