palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 28 de abril de 2012
noite sem fim...
credula de sorrisos e encantos
é a mocidade
agora a olho com olhar de incredulidade
presa aos sorrisos e encantos
caprichos e sentimentos tantos.
quanto tempo durou?
quanto tempo passou?
estranho é o mundo que povoa
a minha solidão,
porque se tem saudade,
talvez nunca se saiba a razão.
tempo memorável e festivo
tão diferente deste agora que vivo.
O tempo me esmaga
me gasta...
mas meu coração não se afasta
a vida não enjeita
e nem a saudade rejeita.
cada hora voa no seu correr altivo
e a lembrança me surge
com infantil ardor
e assim vivo...
dando à vida valor.
e dito e feito o tempo reduz-se a nada
sinto-o no mais profundo de mim
a hora boa que um dia me foi dada
é noite longa agora...noite sem fim.
rosafogo
natalia nuno
sexta-feira, 27 de abril de 2012
PUDESSE EU RESISTIR
Tanta juventude que havia
em mim!
Só me dou conta agora...
Hoje, quase no fim,
é o inverno que turva a minha hora,
é ele que espreita à esquina
da vida.
Num rumor de tempestade
me deixa esquecida,
arrastando-me na saudade.
Pudesse eu resistir
Ao tempo que tudo varre
ao tempo que há-de vir,
E que na solidão me amarre.
Porque tudo se rende
chegada a hora!
E o adeus se acende.
A porta fechada, a vida
alquebrada
sem demora.
E lá ao longe...bem à lonjura
Ficou ainda tanta alegria, tanta ternura.
Palavras por escrever, gestos...
Agora apenas restos!
Abraço a minha solidão
Mais uma vez a sós com a minha
fadiga
Mas sinto ainda o bater do coração
Que bate... como quem mendiga.
Ao tempo que não perdoa
que o deixe em paz, ainda que a paz lhe doa.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
ESPELHO D'ÁGUA
Leva as águas para o mar infinito
Deixa-me por aqui esquecida
Afogada nas mágoas da vida
Angústia nos olhos, na boca o grito.
Escrevo, escrevo, seca de vontade
Abro as torneiras do pensamento
Mergulho o coração nesse mar de saudade
Levo nele guardado o sentimento.
Esta vida parideira de tantos dias
Cobertos duma cortina de mágoas
Faz de meus olhos janelas sem alegrias
Vazando por elas as águas.
Quem escuta o rumor da vida
Nos dias e noites de enfadamento?
Estranho estar, p'la vida seduzida!
Se a esperança foi numa rajada de vento.
O tempo dentro dos meus olhos morre
E morre dentro do meu peito...
Estranho adormecer enquanto a vida corre
Ou sonhar assim acordada deste jeito.
É cedo...é tarde, cansada de tudo!
Na memória sempre a remoída imagem
O tempo me ignora faz-se de mudo
Já perdi a vida... mas ganhei a viagem.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O CHÃO AINDA É O MESMO
O aroma acre a lenha queimada
Os pirilampos ao crepúsculo
De tudo guardo recordação
Da minha terra amada.
Volta a inspiração,
ao meu espírito criador
ao meu estado de alma sonhador.
Reacendo o amor à Poesia
Fecho os olhos na esperança
do sonho me fazer companhia.
Na lembrança,
uma emoção sombria.
E melancólico passa o vento
p'los choupos em seu lamento.
A cadeira vazia,
um choro baixinho
um surdo gemido
E o aroma de flor de laranjeira
desvanecido.
A roupa cora estendida no chão,
cheirando a sabão.
Estala de alegria meu coração.
A urze prestes a florir
Fito as nesgas de sol poente
Ouço um gaio que canta roufenho
Olho o bulíçio da minha gente
E o tocar do sino com arte e engenho.
Desfilam pela mente
mil e uma recordações,
Manifesto livremente minhas emoções.
Uma réstia de luz sobre meu sonho
inundado de poeira...
E a saudade sempre por companheira.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net.
terça-feira, 24 de abril de 2012
ÓH ...A SAUDADE!

As aves andam aos pares
Há silvados floridos
Bagos de ouro nos lagares
Na hora de me entregares
Peço-te vida...não me negues
os sentidos.
Sou um solitário que avança
Caminho entre ontem e amanhã
Levo comigo na lembrança
Meu corpo de criança
cheirando a hortelã.
P'lo caminho levo sequidão
Mas a vida ainda me estende a mão.
Vida feita de sede e nascente
terra arada duramente,
com profundas cicatrizes.
Vivi sonhei...
E tive dias de felicidade,
com mel de amor...felizes!
Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!
Do ar fresco da madrugada
Águas brilhando com a luz alva
Enquanto o rouxinol cantava
Depenicando uma malva.
Malvasia por toda a parte
Violetas pelo carreiro
Como não hei-de lembrar-te
Se o teu aroma é meu cheiro.
E o sol a cegar-.me
A ferir-me o coração
Cada minuto era uma eternidade
Hoje a saudade a calar-me
Mas a memória ainda me dá a mão.
Me deslumbra a lua cheia
Fonte que me mata a sede
volta e meia.
Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!
rosafogo
segunda-feira, 23 de abril de 2012
NA FRONTEIRA DO SONHO
Nasceu o dia como outro qualquer
Ouço o som da água e o vento
que sopra agora
Os choupos mostram coragem ter.
Importa apenas o tempo que resta
por hora.
O resto é sorte!
É andar talvez sem norte
Deixar penetrar no coração
a primavera
E ficar à espera.
A mocidade só se tem uma vez
na vida
Manancial de recordações, inesgotável
até ser esquecida.
As açucenas embelezam o jardim
espalhando um aroma intenso
Já ninguém pergunta por mim
Nem p'lo amor à beira de água
imenso!
Deixo de sentir o coração
Apenas ouço o vento que faz
a porta chiar
Perscruto a noite e a escuridão
A lua vai as nuvens a empurrar.
Na fronteira do meu sonho
a solidão.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 22 de abril de 2012
TENHO SAUDADES DE MIM
Faço tranças nos cabelos da lua
E deixo-a mirar-se no meu rio
Volta sempre à minha rua!
Acorre a memória a avisar-me
sem piedade, mas fantasio...
Esqueço a realidade.
À noite tenho saudades de mim
Abre-se a janela da melancolia
E aí sim!
Surge a lembrança enevoada
Como o céu neste fim de dia.
Da tranquilidade nasce a saudade
Doce e bela...
Entrando p'la janela se instala
dentro de mim.
Trazendo-me a tal saudade,
inabalável, rouba-me o sono
e por fim...
estremece-me os sentidos,
ficam meus olhos seduzidos.
As cigarras vão cantando
os riachos correndo,
o vento ébrio voando
o vozear à minha volta crescendo,
o fogo em mim em combustão.
Me sinto inteira de alma
e coração.
Mais um sonho a chegar ao fim
Tenho saudades de mim...
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
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