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quinta-feira, 26 de abril de 2012

ESPELHO D'ÁGUA



Leva as águas para o mar infinito
Deixa-me por aqui esquecida
Afogada nas mágoas da vida
Angústia nos olhos, na boca o grito.

Escrevo, escrevo, seca de vontade
Abro as torneiras do pensamento
Mergulho o coração nesse mar de saudade
Levo nele guardado o sentimento.

Esta vida parideira de tantos dias
Cobertos duma cortina de mágoas
Faz de meus olhos janelas sem alegrias
Vazando por elas as águas.

Quem escuta o rumor da vida
Nos dias e noites de enfadamento?
Estranho estar, p'la vida seduzida!
Se a esperança foi numa rajada de vento.

O tempo dentro dos meus olhos morre
E morre dentro do meu peito...
Estranho adormecer enquanto a vida corre
Ou sonhar assim acordada deste jeito.

É cedo...é tarde, cansada de tudo!
Na memória sempre a remoída imagem
O tempo me ignora faz-se de mudo
Já perdi a vida... mas ganhei a viagem.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

O CHÃO AINDA É O MESMO




O aroma acre a lenha queimada
Os pirilampos ao crepúsculo
De tudo guardo recordação
Da minha terra amada.
Volta a inspiração,
ao meu espírito criador
ao meu estado de alma sonhador.

Reacendo o amor à Poesia
Fecho os olhos na esperança
do sonho me fazer companhia.
Na lembrança,
uma emoção sombria.
E melancólico passa o vento
p'los choupos em seu lamento.
A cadeira vazia,
um  choro baixinho
um surdo gemido
E o aroma de flor de laranjeira
desvanecido.
A roupa cora estendida no chão,
cheirando a sabão.
Estala de alegria meu coração.

A urze prestes a florir
Fito as nesgas de sol poente
Ouço um gaio que canta roufenho
Olho o bulíçio da minha gente
E o tocar do sino com arte e engenho.
Desfilam pela mente
mil e uma recordações,
Manifesto livremente minhas emoções.
Uma réstia de luz sobre meu sonho
inundado de poeira...
E a saudade sempre por companheira.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.









terça-feira, 24 de abril de 2012

ÓH ...A SAUDADE!




















As aves andam aos pares
Há silvados floridos
Bagos de ouro nos lagares
Na hora de me entregares
Peço-te  vida...não me negues
os sentidos.
Sou um solitário que avança
Caminho entre ontem e amanhã
Levo comigo na lembrança
Meu corpo de criança
cheirando a hortelã.

P'lo caminho levo sequidão
Mas a vida ainda me estende a mão.
Vida feita de sede e nascente
terra arada duramente,
com profundas cicatrizes.
Vivi sonhei...
E tive dias de felicidade,
com mel de amor...felizes!

Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!

Do ar fresco da madrugada
Águas brilhando com a luz alva
Enquanto o rouxinol cantava
Depenicando uma malva.
Malvasia por toda a parte
Violetas pelo carreiro
Como não hei-de lembrar-te
Se o teu aroma é meu cheiro.

E o sol a cegar-.me
A ferir-me o coração
Cada minuto era uma eternidade
Hoje a saudade a calar-me
Mas a memória ainda me dá a mão.
Me deslumbra a lua cheia
Fonte que me mata a sede
volta e meia.

Outra vez! Outra vez! Óh... a saudade!

rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 23 de abril de 2012

NA FRONTEIRA DO SONHO









Nasceu o dia como outro qualquer
Ouço o som da água e o vento
que sopra agora
Os choupos mostram coragem ter.
Importa apenas o tempo que resta
por hora.
O resto é sorte!
É andar talvez sem norte
Deixar penetrar no coração
a primavera
E ficar à espera.

A mocidade só se tem uma vez
na vida
Manancial de recordações, inesgotável
até ser esquecida.
As açucenas embelezam o jardim
espalhando um aroma intenso
Já ninguém pergunta por mim
Nem p'lo amor à beira de água
imenso!

Deixo de sentir o coração
Apenas ouço o vento que faz
a porta chiar
Perscruto a noite e a escuridão
A lua vai as nuvens a empurrar.
Na fronteira do meu sonho
a solidão.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 22 de abril de 2012

TENHO SAUDADES DE MIM


Faço tranças nos cabelos da lua
E deixo-a mirar-se no meu rio
Volta sempre à minha rua!
Acorre a memória a avisar-me
sem piedade, mas fantasio...
Esqueço a realidade.

À noite tenho saudades de mim
Abre-se a janela da melancolia
E aí sim!
Surge a lembrança enevoada
Como o céu neste fim de dia.

Da tranquilidade nasce a saudade
Doce e bela...
Entrando p'la janela se instala
dentro de mim.
Trazendo-me a tal saudade,
inabalável, rouba-me o sono
e por fim...
estremece-me os sentidos,
ficam meus olhos seduzidos.
As cigarras vão cantando
os riachos correndo,
o vento ébrio voando
o vozear à minha volta crescendo,
o fogo em mim em combustão.
Me sinto inteira de alma
e coração.
Mais um sonho a chegar ao fim
Tenho saudades de mim...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net













sábado, 21 de abril de 2012

LIBERTAÇÃO



















No dia em que  não existir,
que meu corpo se apague,
Que o rio se alague,
com a mesma fúria do dia em
que nasci!
Para acalmar a chegada abrupta
da morte.
E quando o silêncio me desamparar
e ficar sem norte
Restará de mim a tal angústia
no último poema
que escrevi.

Apagada no tempo
sonhadora... memória
sofredora,
que se liberta do medo de outrora.

Do caminho e da inútil jornada,
do quotidiano cinzento.
Vestígios duma vida que agora
é nada.

O tempo já não existe, então
nada do meu mundo resta.
Serei sombra dum sonho inacabado
Uma sombra na multidão
A esperança impossível
O vento aprisionado.

E meu corpo que foi manhã,
meio dia e bela tarde
Já não é mais verdade,
levanta-se o vento estremecendo
E ali mesmo acabarei morrendo.

natalia nuno
rosafogo













sexta-feira, 20 de abril de 2012

SOLTO A ALMA














Choram os olhos do céu
copiosamente
lagrimas de solidão.
Ri a terra de contente
Abrindo-lhe o coração.
Também choro em desespero
P'la vida que perco, mas
tanto quero.

Campos verdes, cavalos à solta
Sorriem mimoseiras em flor
Já a juventude não volta
E é fugaz o olhar do amor.

Já no meu rosto a chuva cai
Enredo-me de novo no esquecimento
Sobre mim a serenidade recai
E o inverno que me tolhe os gestos
é silencioso e cinzento.

É justo que lamente,
e a saudade venha o peito extravasar
Só quem não vive não sente
E eu vivo para lembrar.

natalia nuno
rosafogo
imagem rertirada da net.