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sexta-feira, 20 de abril de 2012

ABRIL








Desabrochou agora Abril
Mês que tudo floresce!
Esqueça-se o mundo hostil
E a esperança logo cresce.

Vem e dá-me a tua mão
Aqui é o nosso lugar!
Da  existência a razão
E a razão para  lutar.

Liberdade é a esperança
Deste povo amarfanhado
Traz Abril na lembrança
Ardente vento perfumado.

Traz na garganta o grito
Doutro Abril, a lembrança
Nos corações traz escrito.
Resto de alguma esperança.

Quer no sonho avançar!
Num manancial de nova vida
Abandonar o sonho no limiar?
Não!Nem a memória perdida.

Chuvas de Abril, alecrim
Verdes prados, sementeiras
Tantos cravos ...um jardim!
E para lutar mil maneiras.

Emudeceu todo o Povo...
Amarfanhado em sofrimento
Mas Abril virá de novo!
P'ra acabar com tormento.

natalia nuno
rosafogo

imagem da net

quarta-feira, 18 de abril de 2012

HÁ UMA LÁGRIMA QUE SECO














Há uma lágrima que seco.
Angústia que só o coração conhece,
e no peito faz eco,
dum bater que esmorece.
Na lembrança de cada beijo,
o tempo retrocede como por magia.
O amor atinge o cume,
e o desejo.
E a dor no peito se abrevia.

O tempo é uma infinidade,
tempo sem medida...
Enorme nostalgia é a saudade
Que é no peito, ora um sol,
ora uma ferida.
Agonizam as minhas mãos de
cegueira,
a tremer de acarinhar o nada.
Repousam da canseira,
são sombra duma vida desfolhada.

Minha solidão se multiplica,
como pássaros em bando.
É a sorte que dita
o destino que não comando.
Brinda-me a vida com mais um dia,
e o sol vem até mim feito ternura,
numa cândida doçura,
a reconfortar minha solitária nostalgia.
E meus olhos prometem sorrir!
Serena-se meu rosto, preciso sentir,
que a vida não está de partida.
Que depois de tanta lida
A sinto ainda de chegada!

Pois sempre que a noite vai,
vem a alvorada.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ENTRE O SONHO E O VAZIO













Quero molhar os pés no rio
Sentir-me viva e encher de sonho
a alma
Não sentir da vida o frio
E puder cantar, chorar, sem que ninguém
me leve a palma.

Óh se pudesse esquecer a vida
à minha volta!
Ouvir apenas o sibilar do vento,
deixar-me ao abandono...à solta,
livre, tão livre como
o pensamento.

Sentir-me feita de nuvens ou de neve
Nesta vida que a mim me talhou,
que faz do meu tempo, tempo breve,
fazendo temporal que por mim passou.
Hoje está mais um dia extinto
E a morte ronda eu a pressinto.

Vou p'lo campo saciar minha sede,
na nascente que brota sem parar.
Vê-de...Vê-de!
Como gosto de com a natureza
comungar.

Percorro o caminho da primavera.
Sinto ao longe o nascer da aurora
Quem me dera...quem dera!
Que o tempo ainda fizesse sentido
agora!

Trago os olhos cheios de tempo
e caminho,
corro como a água errante sem parar.
Neste rio que se lamenta e segue sozinho
E choro ...como o seu leito a cantar.

E já tudo é nostalgia no meu coração.
O tempo passa por mim e apregoa,
que fez de si minha prisão,
e correntes sobre mim amontoa.
Esvazio do coração o pranto de outras
horas.
Reconstruo meus sonhos mais
uma vez!
Até que nada mais haja para crer,
e depois aí sim, talvez!
Possa enfim em paz morrer.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada da internet.

sábado, 14 de abril de 2012

ÀVIDA DE VIDA













Meu vôo levantei...
A negar minhas asas cortadas
Minha alma amarrei
E a solidão sem par, nas mãos apertadas.
A vida decadente entre o tudo e o nada
Num espaço vazio fatalmente cativa
Minha voz quebrada.

Os sonhos à meia-luz
Em noites enfadadas sem sono
A vida se torna uma cruz
É doloroso vê-la caindo
em abandono.

Ávida de vida
Meus olhos fitos no céu e o coração a bater
Da secura novamente renascida
Hoje que meus olhos vêem?
A vida ainda me quer
E ela me é querida!

Nada justifica a morte,
e com sorte
A vida não me será negada,
com alguma claridade...
ou uma mão repleta de nada.

rosafogo
natalia nuno

foto retirada da net
Poema inspirado nas seguintes frases « Ávida de vida, com asas cortadas, os sonhos á meia luz, um espaço vazio, repleta de nada» desafio que me foi proposto pela amiga MfVp na sua pág do Face.
Obrigada mais uma vez por me ter inspirado.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

ALGUÉM ME ABRIU OS BRAÇOS


Alguém me abriu os braços
No umbral o vazio
Me perturbam os passos
Nas minhas paredes o frio.
Afogo-me no tumulto que me invade
Solto a angustia de par em par
Visto-me de lembranças de saudade
Minhas asas prontas a quebrar.

Alguém me abriu os braços
Sonhos de regeneração sem par
A buscar-me em noites longas de cansaços
Até que a aurora nos venha velar.
Até que a manhã seja realidade
Deixando a tona de água a boiar
O resto do sonho e da saudade.

Abre-se a noite e a luz decai
Nada resta só lembranças
Passa o vento sobre as folhas lentamente
Revivo na memória o que não sai.
O coração agrilhoado dentro de si
Afadigado continuamente
Num vai vém a querer viver
aquilo que não vivi.
Alguém me abriu os braços
De estranho mundo chegou
para povoar minha solidão
Com abraços...
Será sonho ou obsessão?

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 10 de abril de 2012

VENTURA INVISÍVEL













´













Abarco na memória os dias vividos
Uns de vida intensa,
já outros perdidos...esvaídos,
fracassados e de solidão imensa.
Mas uma ventura me chega ao peito
Mesmo entrando em mim o cansaço
Nem tudo perece e deste jeito
Vou lembrando,
nosso tempo passo a passo.

Há um sentimento de gratidão
E a solidão se esfria!
Agradeço a Deus com todo o coração,
ter teus olhos e amor por companhia.
Sinto que meu rosto se apaga,
mas a luz continua em nós.
Minha memória se alaga
Soa como rumor
agora, a minha voz.

A vida se vai cumprindo,
neste tempo que está a morrer.
Nosso olhar é como um beijo
de amor, que gota a gota
ainda deixa seu aroma numa
lágrima escorrer.

Abarco todos os dias vividos
Contemplo a terra e o firmamento
E os meus sonhos são mais nítidos
Maior a beleza da vida, menor o sofrimento.
Será fictícia esta felicidade?
Ou ventura guardada no coração?
Ou apenas a saudade!?
Fantasia...ou invenção!?

natalia nuno
 rosafogo

domingo, 8 de abril de 2012

HEI-DE SER LEMBRANÇA.





Hei-de um dia ser lembrança
Numa fotografia antiga
Numa tarde que declina
Na rosto da.menina!
Numa voz amiga.
No grito duma hora
Numa  criança que chora
No silêncio dos rios que passam
No desatino do vento
Numa sombra que se liberta
Na renúncia do sofrimento
duma ferida aberta.

Hei-de ser lembrança
No bater do mar
Numa noite preciosa
Numa semente de esperança
Num sorriso, num olhar
No odor duma rosa.

Porque eu sou árvore aqui!
E serei sombra ali...

Fui criança reluzente
P'lo caminho fiz-me gente
Orvalho campestre p'la aurora
Cheguei à idade mofenta sem demora
P'la mão da madrugada
Pela vida cercada.

Serei ausencia, serei lembrança
Serei manhã, serei tarde
Serei criança, musica, flor!
Serei saudade...
De tudo ao meu redor.
Serei um verso vazio
neve a cair, chuva, frio.
Solidão do campo, flor do laranjal
Poeta rendida... ensurdecida
Mulher do retrato,
mas poeta até ao último acto.
Poesia é em mim, manancial...


natalia nuno
rosafogo