Seguidores

sexta-feira, 6 de abril de 2012

RECOLHO AS PALAVRAS



Trago as palavras gastas
as rimas doentes
Chegam a mim indiferentes
fatigadas
Recolho-as no muro da tarde
fracassadas
Pousadas na saudade.

Sedentas de cumprir o seu papel
Entregam-se como o polen à abelha
Ou como a abelha se entrega ao mel
Soam secas,  são como alimento
humilde
Amargam o meu tempo
Aumentam os meus medos,
a minha loucura de recordar.
Mas são a minha esperança de continuar,
a ouvir as minhas gargalhadas
a escutar as minhas passadas.
De me sentir no campo uma cotovia
em liberdade.
Dia a dia...
De morrer e renascer
com infinita saudade.

Palavras são a única voz que me resta
Gastas, indiferentes fatigadas,
como manhãs nubladas,
onde o sol é apenas fresta.
Que eu viva ou morra pouco importa!
As palavras atordoam a minha alma hora a hora
Abrem porta...ao meu peito
Invadem a solidão do meu leito
São testemunhas do meu desalento
Mas nada disto é em vão!
Pois elas são o meu sustento
O sustento do meu coração.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada da internet

PARA RECORDAR

No passado dia 24 de Março, foi a apresentação do meu 2º livro de poesia, aí tive o grato prazer de ouvir a minha mana de coração, Natalia Nuno declamar este poema a mim dirigido. Obrigada mana.

AMIZADE


Se um mesmo laço nos prende
... E a poesia nos corre nas veias
Já nada nos surpreende!
Somos por isso… irmãs meias.
Ou siamesas!
Não deixamos adormecer a esperança
Temos certezas…
Que em nós habita ainda uma criança…

A vida é mesmo um mistério
Há coisas que nem se imagina
Pois este assunto é muito sério
Ter esta irmã é minha sina …!

Somos como um poema de maresia
Tudo em nós é paixão!
Damo-nos com alegria
E à tristeza dizemos não.

Somos fortes … se
Choramos… também sorrimos,
Recordamos e amamos
As mesmas emoções sentimos.

Também somos papoilas
frágeis ao vento…
Mas a amizade nos dá alento.

A amizade entre nós
Traz-nos sóis amanhecentes,
que aquecem nosso universo
Assim estamos sempre presentes
Em cada poema, em cada verso.

Tu, tens alma alentejana,
Calma,
serena como o rosmaninho e o alecrim
Eu impulsiva… ribatejana,
com a saudade sempre atrás de mim.

Ah… mas não é nada de cuidado!
A saudade é transeunte nos meus dias
Sempre trago o peito alvoroçado
Divido contigo minhas melancolias.

Hoje?
Vim apenas pra estes versos te entregar!

E não me vou sem te abraçar.


rosafogo
natalia nuno


Com amizade à Mª Antonieta, minha irmã do peito.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SÚPLICA Á PRIMAVERA













Abre o manto Primavera
Sobre o chão que me viu nascer
Não negues ao meu coração que espera
as flores ver crescer...
Pede ao sol seu hálito ardente
Que alivie o pensamento sombrio
da sombra que sou
Me faça esquecer o tempo fugente
Que os céus ouçam o eco do meu grito vazio.
E me dê um pouco do brilho que a vida
me tirou.

Primavera que te hospedas no meu peito
Quando a oliveira já ostenta o candeio
Nas horas solitárias já sem jeito
Quando ainda aninho o amor no seio.
Estende-me os braços
Traz-me o calor do sol que fecunda a terra
Reconforta meu coração da tristeza que encerra.
Leva aos ausentes de quem lembro meus abraços.

Primavera faz sonhar quem vive
O pouco que tenho... é pouco é nada!
Traz-me a primavera que já tive
Antes que se renda o dia e eu cansada.
Volte eu a a relembrar e  a pousar a vista,
esquecendo os dias de viver já gastos.
Aos anos que passam, não há quem resista!
Não voltarão os sonhos  castos
que eram como uma benção ou alento,
e já se dissipam como água que corre.
Não sei se acredito ou se invento
Mas enquanto o coração não morre
sonhar será meu doce entendimento.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 3 de abril de 2012

INGENUIDADE














Olhar doce
do mundo desprendido
com sede de ardor
com sede de amor
num sonho perdido.

Na boca o sorriso
horas esquecidas
rosto de candura
tudo o que é preciso
num rosto de ternura.

Toda expressão e alma
Assim menina-donzela
Catorze anos...serena, calma!
Fada caprichosa e bela.

À noite bebes luar
De dia no peito nasce flor
Há-de vir príncipe pra te amar
Rendido ao teu amor.

Um clarão te incendeia
O sol  se reflecte em ti
És prata na lua cheia
Rouxinol ou bem-te-vi.

natalia nuno
rosafogo

dedicado à minha neta prestes a cumprir catorze anos de vida.

domingo, 1 de abril de 2012

VENTURA GUARDADA















Andam no ninho
as pombas arrulhando
Enquanto o sol se desmembra no poente
E a lua já vem a caminho
Fileiras de estrelas chegando
E a solidão sem par entre a gente.

Abre-.se a noite e as trepadeiras
adormecem
Tudo nos deslumbra e passa
Tantas noites...que já se esquecem
do amor que nos enlaça.
E que há-de cumprir-se mais uma vez,
neste tempo que está a morrer
A ventura trará aos nossos corpos,
talvez
o prazer
e a beleza do viver.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 27 de março de 2012

NO FIO DA MEMÓRIA












Adormece em mim o dia que passa
Vagaroso sem se dar por achado
Deitou-se em mim como quem abraça
Não trouxe notícias da desgraça!
Como se o mundo corresse maravilhado.

Num cinzento intenso.
Nasceu apressado,
p'la tarde é já levado
num estremecer entrecortado,
de horas silenciosas.
Agora talvez me deixe adormecer.
Devagar como esta luz que morre
Enredo-me no perfume das rosas
Generoso que no meu coração corre.

De olhos fechados...atravesso a vida
E sonho de cor,
de tanto ter sonhado!
Menina flor,
 tão florida
de tanto ter amado.

**
Estrela da manhã toda alegria
Te encontro perdida
Tão sombria
Tão esquecida.

**

Adormeceu o dia é noite na tarde
que em mim se aninha...
Me entrego à saudade e à verdade,
dum amanhã que se adivinha.

Háverá sempre um fio
da memória que nos prende?
Ou será apenas o esquecimento
que em nós se acende?

A indiferença se alojará então!
Esvaído de saudade o coração.


rosafogo
natalia nuno

sábado, 24 de março de 2012

SILÊNCIO EMPEDERNIDO


























Há um silêncio impedernido
Moendo-me de saudade
De tudo que me foi querido
E fez minha felicidade.
Saudade que é erva daninha
Lembrança que faz doer
Mas que é minha....minha!
E que não quero esquecer.

Dor que não vai cicatrizar
E nem sei onde me vai levar!

Lembranças que passam em procissão
Neste silêncio entardecido
Lembranças que só calarão
Depois de ter morrido.
Minhas ideias se inquietam
São como cortina rasgada
A vida é pouca...muito pouca
quase nada...
Muda de cor a cada momento
Mais tarde ficarei só,
com o esquecimento.
Tão só,
que nem a saudade vem,
ninguém me espera mais além.
Ninguém...ninguém!
Trago as horas cansadas
O gesto tolhido,
palavras, as mais das vezes
desencontradas.
Neste silêncio impedernido.

Apenas sei que sou
A lembrança que em mim cabe
Para onde vou?
Sei que apenas Deus sabe.



rosafogo
natalia nuno