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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A ÚLTIMA ROSA

H. Zabateri

Morre a última rosa,
ou em seu aroma adormece.
Paga o tributo de ter sido formosa,
ninguém pergunte, o destino assim acontece.
O tempo tudo destrói
Resta o vazio à rosa que já não é carmim
Olhá-la dói!
Já não é seda nem cetim.

Vive do outro lado do cristal
Perdeu tudo e por fim a alegria
Já se vai a rosa com o temporal.
A rosa que foi flor um dia.

Acreditou que pra sempre tinha vindo
P'lo caminho sente o tédio
Mas seu sonhar ainda é infindo
No sonho encontra o remédio.
Recorda outras Primaveras
É passado, presente e futuro
E no compasso das esperas
Vai caindo no chão duro.

Já a luz do dia se declina
Abre passagem o esquecimento
Esquece até que foi menina
Pé descalço, cabelo ao vento.
Decai sobre ela o rancor
Já o tempo dela se abeira
No jardim já não é a flor
Não molha o pé na ribeira.
Mas insiste em estar ali!
Seu olhar é ouro derramado
Seu corpo é arvore aqui!
Morrer de pé é seu fado.

rosafogo
natalia nuno

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

SONHEI DE NOVO










Vejo pomares de flores e frutos
Talvez seja só miragem
Trago meus olhos enxutos
No rio mirei minha imagem.
E ousei ver-me menina...
Ai... a força que a saudade tem!
Sabendo como ninguém
Que só assim se imagina
Quem saudade tem...

Ali defronte dependurado
Um lençol bordado
a corar
Que vim ao rio lavar.
Já o cansaço me faz dormir
Mas ainda quero ir
À rua que a minha mente povoa
Sentir-me de novo em casa
Ainda que isso me doa.

Perdi a asa!
Sinto-me menina intrusa
Meu sonho novo me arrasa
E arrasa minha musa
É este o lugar que me deu vida
Onde tanta vez vi o sol nascer
E sonhar como flor esquecida
Nas sombras do adormecer.
Tantos dias matinais
Tanto rosto já esquecido
O silêncio... dos que não
voltam mais,
deixam-me o coração
 p'la dor possuído.

Sento-me ainda agora no sonho
a repousar
Vai anoitecer, já arrefece...
E eu na soleira da porta a ver a lua chegar.
Não! Não me vou afastar!
O chamamento da terra
me aquece,
em labaredas de saudade.
Talvez ainda a esperança regresse
e possa voltar à idade,
Áquela que o tempo,
não me arranca da lembrança.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 19 de fevereiro de 2012

REBELDE O PENSAMENTO


Meu pensamento vai onde quer
e às vezes me faz tremer
Não tenho como dominar
É como um corcel
que parte à desfilada
nem me deixa manifestar.
Sobrepõe-se à minha vontade
e assim me acomodo... essa é a verdade!
Acorda dentro de mim o passado,
e lembra o que quero ver adiado.

Traz-me a saudade que me queima o peito,
essa saudade de criança
que ás vezes  irrompe como um desejo,
sem jeito...
Deixa-me ir ou ficar na lembrança,
largo este mundo dos crescidos,
esqueço meus dias já vencidos.

Correr o caminho
que sei de cor e salteado,
passar o açude do moinho
levar a água p'las canelas
redobrar as cautelas,
ser senhora do meu nariz
e com natural inocência, ser feliz.

Desta feita
meu pensamento não se deita!
Me deixo neste denaneio,
passam-me p'la cabeça, coisas e loisas
da minha gente, da terra o cheiro,
entranhado no seio...
quando dela me abeiro.
Trago na alma esta luminosidade
Fruto da criança que sinto saudade

Enquanto ao coração convier
Seja o que Deus quiser!

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

POESIA QUE SOU



A poesia é a minha infinita
liberdade
Onde falo de vida , de morte
de alegria de tristeza
Falo de tudo um pouco à sorte
Falo da saudade
Do amor e sua beleza
A força me surge do pensamento
E sofro porque escrevo sentimento.

A poesia é o meu chão
o meu espaço
Esqueço até da vida as dificuldades
É a minha ilusão,
O fogo da minha imaginação
O meu cansaço
O rumo das minhas saudades.

A poesia é o meu desejo,
a minha ansiedade
A minha realidade,
O meu sonho incompleto,
A minha terra o meu céu
A poesia sou eu!

A poesia é o ar que respiro
Que guardo nos confins do coração
É a minha ambição
Por ela deliro.
E eu sou toda inquitação
Se não me sai na perfeição!

A poesia dorme sobre o meu peito
Eu a sinto a toda a hora
Com ela me realizo e deleito
Estará comigo até ao destroçor
da memória.

rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SOU POETA, TRAGO ILUSÃO

damas vintage


Linhas escritas com paixão
Outras apenas com sorriso
Porque hei-de pedir perdão?
Escrevo simples é só isso.
De tudo se tira lição
Tenho motivo para escrever
Combato a solidão
As palavras vêm
pra mim a correr.

E eu saio triunfadora
Mesmo não tendo talento
Logo me chega sem demora
Um poema para meu deslumbramento.
Linha escrita com paixão
Ou apenas com um sorriso
Porque hei-de pedir perdão
A quem faz de mim juízo?

Como tudo, tenho nome
e destino
Escrevo para a posteridade
Desculpem se desatino!
Mas o meu tema é a saudade.

Sou Poeta trago ilusão...
Trago um pouco de loucura
Hipocrisia é que não!
Vivo a vida à procura
De encontrar uma razão.
Faço a minha travessia
Entre o sonho e a vida
Até que um dia a morte me espia.
Fazendo de mim a presa preferida.

Porque hei-de pedir perdão?
Deixem que os estames das flores
germinem na minha mão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

OH... MALDITO POETA!

Four Vintage Ladies


Louco como ave inquieta
Que não cansa de gorgear
Oh! Que maldito Poeta...!
Que à Eternidade quer passar.
Canta às vezes com voz triste
Anda em fracos versos iludido
Cativo, deles não desiste!
Conhece a desventura do poema perdido.

Vai sonhando, tomando notas
Todas de sonho e utopia
Perdido por ilhas ignotas
Buscando inspiração para a poesia.
Morre a cada instante vencido,
sofrido,
e a palavra vive ali defronte
diante dos olhos seus.
São pérolas, são sóis
Mas a memória desvaneu.

Ora vive no crepúsculo,
ora no resplendor...
É esta a sua forma de cruz
o seu amor
a sua luz.

Chega a odiar-se
Querendo rasgar o infinito
Por um poema maior
Um grito,
lhe sai do coração!
Sombras, sonhos. ilusão, desilusão.
Maldito Poeta...Mas,
Poeta que desiste, isso é que não!

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog imagens para decoupage

domingo, 12 de fevereiro de 2012

DIRIJO-VOS A PALAVRA




Dirijo-vos a palavra com a ilusão
de que me entendeis
Palavra que é arrancada
De dentro do coração.
Fantasia,
de quem passa sozinha o dia
e se põe a cismar...
Hoje tenho o silêncio do entardecer,
Côr sangue vivo a sangrar
O olho...com saudade de o voltar a ver.

Esqueço tudo, nesta magia silenciosa
E o tempo roda ligeiro,
sorrateiro...
E a vida vai-se impiedosa!

Amanhã há-de nascer um novo clamor
E a minha memória será ligeira
como ave do céu,
não se negará a relembrar o amor
que de novo se acendeu.
Oiço o sussurro da água corrente
E surge a nostalgia da idade feliz
E um sentimento bem diferente
a saudade que me diz:
Como estás envelhecida!
Cheia dos sinais da vida.

Mas as flores hão-de reflorir
os pássaros hão-de de novo gorgear
Novo amanhecer há-de vir
O sono hei-de vencer!!
Meu rosto há-de me agradar
E a minha palavra alguém irá entender.

natalia nuno
rosafogo