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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

QUE HORAS SERÃO?




Marcas da idade
Sinal de cansaço
Cicatrizes que dão saudade
de voltar atrás no passo.
No peito bate um coração
Tenho tanto medo
Que me deixo levar p'la mão.

Sou ainda aquela menina
Do vestido de organdi
E a saudade repentina
Ressuscita, tudo o que já esqueci.
Olho ao longe e vejo
Violetas no jardim
Sento-me no banco, cresce o desejo
E a esperança ainda te traz a mim.

O dia já envelhece
Morre o sol no parapeito
Que horas serão?
Não é que me interesse!
É apenas este jeito,
de querer o tempo parar,
meus lábios dos teus aproximar.
Apaguemos as luzes...
não vá a vida querer nos separar.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CASA VELHA

Four Vintage Ladies

A minha vida passada
Ergue-se no pensamento ardendo
E as flores p'la madrugada
Ao relento vão morrendo .
Varanda da casa velha
como tu vens até mim...
Casa velha já sem telha,
erva crescida no jardim.
Morre o mangerico a malva,
a rosa e o amor perfeito,
e nem a saudade  salva
do sofrimento meu peito..

A minha vida passada
Corre no pensamento sonora
Ouço oo rio olho a geada.
O sino da igreja dando hora.
Embalo-me no sonho sem pressa
Caminho no seu interior
Vem lá o sol que regressa
Abrindo cada flor.
Eu nasci, hei-de morrer!
Entre nuvens e arvoredos
Na casa velha fui nascer
Hei-de lá morrer sem medos.
E mesmo estando distante
Ainda oiço o seu pulsar
Casa velha instante a instante
Quem me dera a ti voltar.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

MINHA RUA




Vou correndo...vou correndo!
Deixei p'lo caminho a memória
Quantos obstáculos vencendo
Já invento minha história.
Minha rua está diferente,
da que trago no coração.
Onde está a minha gente
Não a vejo por aqui não!

Onde está o meu povo?
Que não o sinto por aqui já!
Nada há aqui de novo...
Nem me sinto bem por cá!

Sorvo a sopa sem vontade
Fico sem pensar em nada
E o peso da saudade
Põe-me a vida desolada.
Roo as unhas de ansiedade
Só vestígios doutra lua.
Mas esta saudade minha,
me transporta um tesouro
Esta rua já não é a minha
Nem o sol brilha como ouro.

Faço pose de rainha
Contenho vasta lembrança
em mim.
Lembro a rua que é minha,
Colho flores uma por uma
Esta é a rua, mais nenhuma

Onde fui flor no jardim...

rosafogo
natalia nuno

sábado, 4 de fevereiro de 2012

APETECE-ME...



Apetece-me  virar meu olhar para ti
Ver-te como da primeira vez te vi.
Apetece-me aqueles dias de amor
Do banco do jardim ao sol-pôr.
Ouvir-te juras de amor eternas
na tua voz rouca...
Apetece-me os beijos que me deixavam louca
O teu sorrir quando te chamo
e te digo que te amo.

Apetece-me, roubar à noite mais horas
Num completo sonhar de felicidade
Na minha memória moras...
A deleitar-me o gosto p'la vida com saudade.
Esqueçamos as rugas amarelecidas,
nos nossos rostos caídas.

E ainda com ânsia o amor desvendar.
E quanto mais loucura
mais ternura...
Apetece-me tocar-te, mais uma vez!
Mais uma vez te abraçar...
Tantas as vezes que amor já se fez
Que é bom lembrar o passado...
Apetece-me no presente,
este amor em mim enleado.

Apetecem-me teus lábios encendiados
Insanidade...loucura!
Tenho meus olhos cerrados
Meus sentidos a fazerem-se rogados
Na esperança da tua ternura.

rosafogo
natalia nuno















sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AO RIO ALMONDA E À MINHA ALDEIA



Rio debruado de salgueiros
e perfumado com aroma dos loureiros
As  águas manta de sussurros
Avencas juntinho aos muros...
E p'las margens, das flores os cheiros
.Cantico de rouxinol soltavas
Na banda-de-além, ternos suspiros
Numa roda viva andavas
Como andorinhas nos seus giros.

Meus belos olhos rasgava
Nesse pequeno mundo de nascença
Agora minha memória o afaga
É o meu sentir, minha crença.

Deixa-me debruar a nada esta sede
de ti
Deixa-me lembrar o verde
que no olhar não perdi.
Deixa-me ficar no tempo morno
Que seja a minha compensação
E se um dia houver retorno
Que seja levar-te no coração.
O príncipio foste, lugar donde parti...
o final serás o lugar para chegar!
Se o tempo me tirou de ti?
O tempo me fará voltar.

Reina no coração a juventude
Na alma a saudade
Nas águas do teu açude
Gritaremos rumo à imortalidade.

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O MEU PIANO



Em pequena tinha um piano
Só meu!
Não...não é engano!
No meu imaginário vivia
É verdade, mas ninguém sabia.
O dedilhava na perfeição
E o escondia para que ninguém
o invejasse, presurosa,
o metia no coração.

Eu sou assim!
Sou do Povo, foi do Povo que vim.
Herdei a força das águas
Sou intempestiva, sou emoção.
Herdei do sino o vozeirão.
E as mágoas?
Ai as mágoas, ninguém cala meu coração.

Nasci numa cama de milho
Sou renitente em conformar-me
Nasci filha, queriam filho
Mas não deixaram de amar-me.
Janeiro corria tranquilo
E eu nascia
com pouco mais que um quilo.

Lembro a cada passo
E volto a lembrar outra vez
Pequenos nadas que me acodem ao pensamento
De quando em vez, procuro neles alento.
Ardores da mocidade,
que abraço sem desalentar.
Ainda que a saudade
se emaranhe por mim adentro,
vou sempre recordar.
A miúda, ladina e até espertita,
a quem a mãe no cabelo punha uma fita.

E é completa a minha satisfação
Deixo até que o coração chore!
Quem sabe o amanhã não melhore?
E não alcance uma outra ocasião,
de me surpreender com a vida
e meu coração possa brandir
no olhar uma lágrima tremeluzir
Por esse sonho do piano perdido.

A vida é mesmo um desatino
Um sabor de travo azedo
Cansa qualquer peregrino
Que partiu p'la manhã... cedo.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A ÚLTIMA ROSA AMARELA


Morrem os gerâneos de frio
E morre a última rosa amarela
O meu sol era pequeno e perdi-o
Já não assenta na minha janela.
Estão agora os vidros embaciados
Já nem vejo a minha imagem
Falta-me um pouco de tudo, até coragem
E em silêncio tenho os sonhos parados.

O rosto vazio...que não responde
É a melhor imagem no espelho,
vem de longe, e seja ela quem fôr,
traz-me a mensagem
que esta estranha formosura,
 é meu rosto velho.
A rosa perde as pétalas finais
Se as olham...já não vê!
Se lhe falam...já não ouve!
Adormecida em seu aroma,
 já só crê!
Que a sorte foi esta a que lhe coube.

Deixa sobre a memória cair
O pó que a vai apagando
Ninguém lhe pergunte p'lo destino
o passado, o presente e o que há-de vir
Deixem-na apenas recordando.

rosafogo
natalia nuno