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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

TERRA AMADA






Escuto e estou ouvindo!
O toque dos sinos na tarde que avança
Chamam à avé-maria e o povo está vindo,
e aí vou eu ainda criança.
Escuto ainda... estou a ouvir!
O açude que canta a mesma melodia
Levanta-se um novo dia,
aquele que vivi no instante
em que nasci, e
o rio transbordando desliza ainda ,fazendo alarde...
meu rosto sorri
na monotonia
dessa tarde.

O largo da praça, a fonte serena
a ponte,
atravessada por donzela morena!

Nas janelas a tarde fulgura
Vai-se a memória, minha visão já escura.
Ouço o uivar do vento nos telhados
os pomares p'los outonos açoitados
e o rio passa e ri
e o meu sonho adormece ali.
Ali na casa que já ninguém habita
e o meu coração ali fica.

Os laranjais sacodem mil folhas de água
Nas roseiras uma última rosa
No meu coração a mágoa
De estar ausente desta terra preciosa.

Escuto dum pássaro oculto a sua canção
E a inquietude em mim se apaga
Este é um dia de alegria... sem solidão!
Nem a saudade é  dor que me alaga.


Abro minha alma aos ventos
Beijo as doces lembranças
No Outono chegarão esquecimentos
A idade não perdoa e não somos mais crianças.
Mas enquanto houver uma lembrança, uma sómente!
Na minha memória fatigada
Será a de te recordar para sempre
Minha terra amada.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

COMO SE OLHA A QUEM SE AMA

Anjos em imagens


Encostava a concha ao ouvido
E ouvia o tempo das marés
E no meu sentido
Saboreava a fantasia
de correr o mundo de lés a lés,
contigo um dia.
Era um sonho ,
onde dava largas à loucura
Já sentia em mim o calafrio
da Poesia e no meu rosto a frescura,
e a chegada do navio
atracando.

E eu te amando!

Cabelos em desalinho
Uma forte gargalhada
Me ías dizendo baixinho...
Anda comigo mulher amada.

Mas só sonho era!
A vida real à minha espera.

Vinhas beijar-me
Caminhando num passo miúdo
Na demora de estreitar-me
Quando nosso amor era tudo.
E éramos dois rios de ternura
E nas margens pássaros cantando ao vento
Chama do corpo e da alma...loucura!
Leito de amor, nosso momento.

Não voltarei a estar triste
Respiro a fragância deste sonho
Solto-me do torpor
Releio tuas cartas de amor.
Hoje quero viver,
fechar os olhos e renascer.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

NO VAI-VEM DO AMOR



Espero que apareças...
Espero-te aqui na esquina
mas não esqueças!
traz contigo o perfume campestre
o mesmo que me ofereceste
quando era menina.
Chorei,
no dia em que nos despedimos
só eu sei!
O gosto das lágrimas salgadas
as vozes enamoradas
o beijo exasperado
a lembrança de mão na mão
O coração trémulo, calado.

A nossa sede, o nosso abraço
A minha oração sem esperança
O meu rosto sem traço
Aquele que me viste em criança.

Sangue sem sangue, sem pulsação
E a noite, a mansidão?
Meu vestido branco, flores no cabelo
louco, louco este meu desvelo.
Com meus olhos digo que amo
Meu andar fica cativo
No meu sonho por ti chamo
Amo-te, amo-te!
Docemente te digo.

Espero que apareças
Recolhe-me no teu olhar
e não esqueças
traz contigo a magia do luar,
e uma ou duas lágrimas para às minhas juntar.
Faremos um lago a soluçar,
e dos meus olhos cairão rosas
que crescem ainda, por entre pedras preciosas.
E nossos dias serão de marfim
Falaremos de magnólias, de jasmim
enquanto os nossos sonhos adormecem.
E depois, por fim...
o tactear que buscámos tanto
Milagrosos sonhos que permanecem
E vamos sonhando por enquanto.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog imagens para decoupage

sábado, 14 de janeiro de 2012

PERDI A IDADE!

H. Zabateri - cherubs

O vento traz-me a juventude,
que perdi sem dar conta.
Perdi a idade!
Agora a saudade,
amiúde
Me lembra a idade que desaprendi.
Tempo de silêncios amargos,
hoje senti.
Ocasionalmente me visita
a esperança e me afaga
E a tristeza do olhar me apaga.

Passa por mim
a brisa tépida dum tempo sem fim
E eu não pertenço a tempo algum
Sou passado, presente, futuro ou nenhum!
Trago na voz uma gargalhada
Mas a alma sem luz desabitada.
Meus pensamentos são relevos
Nos meus sonhos crescem trevos.
E no rosto sem idade
Uma ruga oculta na dor
E lá volta a saudade,

Cai a noite sobre a minha janela
A memória é traiçoeira
E até ela...
Me deixa entre a realidade e a ficção
Será como Deus queira,
Até que bata o coração.

Hoje não há estrelas no céu
E a chuva cai em pranto
como eu.
Desencanto!

Resgato-me do esquecimento de mim
Esqueço o rosto de rugas povoado
E fico assim...
num sonho de maresia perfumado.

imagem do blog imagens para decoupage
natalia nuno
rosaafogo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SÓIS DE OUTONO


Já se tecem sóis de Outono
Mornos... de sombra tecidos!
Fica o tempo ao abandono
Foram-se os tempos floridos.
É bem real esta ventura,
que me trouxe até aqui
Não esqueço a vida dura!
Mas foi bom o que vivi.

Nasci alecrim cheiroso
Nascido no coração da ribeira
Hoje coração rochoso,
morrendo de tanta canseira.
Ganhei na vida gavinhas,
a que hoje em dia me agarro
Quero ir longe...loucuras minhas!
Pois meus pés já são de barro.

Meus sonhos apenas migalhas
Têm ainda o seu sabor!
Meus sentidos cheios de falhas
Mas no coração trago amor!

Foi-se o solestício de Verão
Ficaram lânguidas as violetas
Na minha fonte a sequidão
Cicatrizes? Não curam no âmago dos
Poetas.

natalia nuno
rosafogo

imagem blog vintage

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

LOUCA SAUDADE

H. Zabateri decoupage

Saudade...
Cheia de ilusões se foi
a Mocidade!
A vida é marcha que não pára
E a gente sente a saudade
Como ferida que não sára.

Velhice,
pobre mendiga andrajosa,
de olhos desassombrados,
passos  espezinhados
e a mente já vagarosa.

Saudade...
leva a vida aos ombros,
e o pesar a  pesar
no olhar,
já sem assombros.
Leva tudo de roldão
Mas a saudade da mocidade  é  que não.

Não, não morre...
Á mercê leva um restinho de
paixão.
Porquê lhe quero tanto?
Porquê se ergue no coração
esta saudade como torre?
Porque a saudade da saudade
me traz o encanto,
De quando me abria em flor.

Saudade...
Pudesse  ao alvorecer
a claridade
adormecer o pranto!
Cantaria com beleza a saudade,
da Mocidade o encanto.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E DEPOIS TALVEZ !

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Não olharei mais as estevas
Nem o sol dourado que se ergue nu
Saudade que sempre para longe me levas
Não me deixes só, não partas só tu.
Deixa-me então olhar mais uma vez
As rosas que dormem no jardim
E depois talvez!
Os juncos entrelaçados sorriam pra mim.

Deixa-me ir ao encontro do ribeiro
Deixa que veja nele a minha imagem
Quero comigo levar o cheiro
do barro da terra para continuar viagem.

Não olharei mais o azul do céu
Nem os pássaros que cantam nos ramos do cedro
Saudade, foste tu quem sempre me deu!
A imagem quebrada do velho brinquedo.
Deixa-me sentir de novo a fragância dos prados
Olha a minha vida que foge como a água
E meus sonhos que morrem calados.
Sente tu também a minha mágoa.

Deixa-me sentir o suspirar do vento
ou o seu furioso ranger
Não me deixes no desalento
Na tarde de outras tardes,
Deixa-me em paz morrer.

E no sossego
que nesse momento me invade
Deixa que um rouxinol me cante suave
Que me alheie de tudo menos do seu canto
Que seja minha última alegria, dor, ou encanto.

rosafogo
natalia nuno