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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E DEPOIS TALVEZ !

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Não olharei mais as estevas
Nem o sol dourado que se ergue nu
Saudade que sempre para longe me levas
Não me deixes só, não partas só tu.
Deixa-me então olhar mais uma vez
As rosas que dormem no jardim
E depois talvez!
Os juncos entrelaçados sorriam pra mim.

Deixa-me ir ao encontro do ribeiro
Deixa que veja nele a minha imagem
Quero comigo levar o cheiro
do barro da terra para continuar viagem.

Não olharei mais o azul do céu
Nem os pássaros que cantam nos ramos do cedro
Saudade, foste tu quem sempre me deu!
A imagem quebrada do velho brinquedo.
Deixa-me sentir de novo a fragância dos prados
Olha a minha vida que foge como a água
E meus sonhos que morrem calados.
Sente tu também a minha mágoa.

Deixa-me sentir o suspirar do vento
ou o seu furioso ranger
Não me deixes no desalento
Na tarde de outras tardes,
Deixa-me em paz morrer.

E no sossego
que nesse momento me invade
Deixa que um rouxinol me cante suave
Que me alheie de tudo menos do seu canto
Que seja minha última alegria, dor, ou encanto.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 8 de janeiro de 2012

A RECOMPENSA DE SONHAR

H. Zabateri

Cheira-me a terra molhada
Sinto o coração mais forte a bater
Espreita-me a saudade p'la calada
Por entre arvoredo verdejante
Andam meus sonhos repousantes
O sol nascente a enternecer.

Cheira-me a terra lavrada
Tapete de viva cor de esperança
Canto das aves, a vida serenada
Ao longe olho a criança.
E um verdadeiro milagre acontece
Chove na terra e vertem já as goteiras
E logo o sol nascente aparece
E as gentes esquecem as canseiras.

Cheira-me a terra molhada
Seu aroma em mim qual perfume
A porta aberta ou mal fechada
Deixa antever aceso na lareira o lume.
Há fumo saindo p'la chaminé
Amores perfeitos no peitoril da janela
Nas poças de água meto o pé
E ouço o chamar de minha mãe,
fervilha a sopa na panela.

Cheira-me a terra germinada
Onde preguiçosamente a semente nasce
E olho o sol na tarde dourada
Enquanto a Lua aparece e a noite faz-se.
Já brilham as estrelas no céu
Há luar é Lua cheia
Sentada na soleira, ali estou eu!
Minha mãe ao lado, tecendo meia.

É a recompensa de sonhar
Sonhar é continuar a viver
A esperança a cada dia semear
Faz bem ao coração, a força do querer.
Os sonhos ligam-se e interligam-se de verdade
E eu vou sonhando anos passados
Com doçura, a vida mais de metade
A terra me traz os sonhos inebriados

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GOTA DE ORVALHO

Jaana Renvall

Pende o orvalho reluzente
Os pássaros imperturbáveis gorgeiam
A fronte me pesa e lentamente
Os pensamentos se passeiam.
A insónia vem agitar-me
o sono
Na saudade vem afogar-me
e nela me abandono.

Meu coração descansa
já a tudo tão alheio
O sol confuso se afastou!
Ficou minha memória apaziguada
E de palavras me rodeio
Aqui estou,
no meio de tudo e de nada.

Os pássaros fazem-me sinais
Suas vozes são vozes do céu!
Tantas coisas novas e velhas cantais,
que o desejo de viver
o coração acolheu.

E os sonhos que sonhei,
os anos que por mim passaram,
tudo o que no peito calei?
As minhas palavras não calaram.

Já no céu estrelas pontelhadas
E a Lua traz aquela luz que é nostalgia
Vão-se as noites, surgem as madrugadas
Invento o amanhã num desdobrar de utopia.

natalia nuno
rosafogo



imagem do blog- imagens para decoupage

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

RENOVAÇÃO DOS SONHOS

H. Zabateri decoupage


Desvanecem-se as páginas do sonho
São os sonhos de barro
Prontos a quebrar a qualquer momento?
Ou são a força a que me agarro
Em mais um dia que passa
sem deixar rasto?
Do tempo me afasto
Como ele dos meus momentos
de ventura.

Ergo os olhos à minha volta
A vida é uma repetição
Mais um Natal
E a ilusão
do sonho nesta época sentimental.
Mais uma das ocasiões, que me deixo
à vida agarrar
Sem pressa que a morte me venha buscar.
Viver tudo o que me coube em sorte
E continuar a sonhar.

Sei que os dias hão-de terminar
Repasso toda a minha vida
Momentos de júbilo e de pesar
Desta existência vivida.
Hoje insiste na minha mente
Os natais de antigamente.

Longa a viagem
Mas passageira
Faço dos dias a contagem
E em meu coração cabe a vida inteira
na minha alma gravada
E lá está distante a minha infância fechada
A vida teceu e desteceu
o sonho, mas me sinto amparada.

Virá de novo amanhã o sol
E o canto na garganta dum rouxinol
Renascerá a primavera em colorido matizado
Em meu coração um sentimento renovado.

rosafogo
natalia nuno
imagem blog de imagens decoupage
Natal 26/12/ 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

CHEGA O AMANHECER

Ludivine Corominas-imagem-musica-decoupage


Chega o amanhecer
Com sua cor de agasalho
Vai-se o silêncio e a acontecer,
O Mundo volta ao trabalho.
Fica a vida fria
Os sonhos p'lo chão
A fadiga antecipada, dia a dia
Envelhecida ilusão.

Chega o amanhecer
Levanta-se o rosto da almofada
Há o sono pra vencer
E um corpo ao lado que agradava.
Mas o dia espera, aberto ao possível
ou impossível
Lembram-se as preocupações
e a felicidade é pássaro que voa
resiste-se à vida, há vacilações,
num tempo que parece eternidade
gasto à toa,
engendrando a saudade.

Cai a noite, volta a descer,
o dia nasceu e morreu!
Amanhã os pés pisarão
de novo o despertar.

Furtivo prazer
Horas de insónia, mas tempo de
amar.

Tranquilidade  se sente,
nostalgia duma feliz idade!
Sentimento agora bem diferente
dum tempo que nos deixou saudade.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. do blog imagens para decoupage.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SAUDADE MINHA

H. Zabateri

O que foi feito de mim?
Que me perdi nas lembranças
Chegando agora ao fim
Tem mesmo de ser assim?
Voltarmos a ser crianças?

Coração saudoso vai sonhando
E as esperanças lá vão morrendo
A saudade o vai ajudando
O sonho o vai guiando
Mas a vida se vai perdendo.

Assim o tempo me agarra
É ele que me leva a vida
Toca meu corpo qual guitarra
Que chora o fado com garra
Desgraça de andar perdida!

Certa lembrança em mim mora
Lembrança que me entristece
Com saudade sempre se chora
E uma lágrima nos olhos aflora
E é o pensamento quem a tece.

Ouço o cantar da ribeira
Dia e noite vai correndo
Hei-de ouvi-la a vida inteira
E se não te tenho à beira
De saudade vou morrendo.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog imagens para decoupage.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CANTIGA AO LUAR

Ludivine Corominas-oi-

(POEMA  QUE ESCREVI HÁ BONS ANOS ATRÁS)
20/06/1987
Há fotos de antanho
De mim, de toda a gente
Duma saudade sem tamanho
Duma dor que se sente.
E lá bem no alto
O luar e as estrelas
E no mar sem sobressalto
Avisto barquinhos à vela.
Aqui bem perto a solidão
Sento-me no alto da ribanceira
Deixo sofrer o coração,
de saudade até que Deus queira.
Tempos de amargor
Agora subi ao alto do monte
Matar a sede de amor
Com a água da fresca fonte.
Ó luar que estás tão só!
Pousado no alto da montanha
Desaperta da tristeza o nó
Tristeza que me acompanha.
Ó luar me estende a mão
Diz ao vento que vá embora
Trago nos olhos a solidão
Do amor que perdi outrora.
Olha bem a tempestade,
que vai dentro do meu ser,
Leva contigo a saudade
Que anda em mim a padecer.


rosafogo
natalia nuno
imagem do blog imagens para decoupage.