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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

VOZ SEM ECO




Este viver ao acaso
Será que estou nascendo
ou morrendo?

Como a chuva que cai,
que morre batendo!
Enquanto a vida me quebra em pedaços,
eu pássaro sem asa me abrigo
em seus braços.

Será que vivo o que não entendo
Ou entendo o que não vivo?
O tempo me está removendo
Haverá caminho alternativo?
Lavo lágrima a lágrima
o rosto, como gota de chuva que cai
calada de emoção,
sem um ai.

Condenada de antemão.
A este viver ao acaso.

Gasta-se o tempo e me gasto!
Não deixa pégada ou rasto
Da vida me afasto.
Sonhos vivem em mim,
mas seca da vida me refugio
na criança, fantasio
a vida e seus caprichos,
e vivo também de esperança.

E é desta maneira estranha
Que a vida vai tomando seu curso
E a morte vai crescendo, duma
dureza tamanha.
Assim se acaba o percurso.
Por agora escolho viver
Como esta chuva que cai no espaço,
que na minha janela vem morrer,
como meus olhos de cansaço.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog imagens para decoupage

terça-feira, 8 de novembro de 2011

CANTAR COMO QUEM CHORA

H. Zabateri decoupage

Renasce a vida no olhar
Palavras não conseguem dizer
Deste meu deslumbrar
Deste meu divagar
Que o olhar diz sem querer.

Abro asas à imaginação
Ideias que vêm e vão
Todas com a cor verde da esperança
Com seu quê de tempos ídos
Lá ao longe a criança
de cabelos desprendidos.
Mas o outono chega cedo
Fico à espera nem sei de quê
Minha alma é desasssosego
E o futuro já se antevê.

Minha boca canta minha alma chora
Meus olhos são berço de embalar
a lágrima que neles mora
num amargo insinuar.


natalia nuno
rosafogo

NESTA HORA





Perdi a noção
do quanto perdi
É fugaz até a emoção
do quanto vivi.
Sou quem sou
Mentira e verdade
Então já sombra estou
Amortecida na saudade.

Alegria também reinou
Trsiteza só não foi não!
O coração amou
Não foi só solidão.
Sinto o rítmo de viver
Obseca-me a morte
Um novo dia não ver
Tropeçar! Perder o norte.

De cansaço desistir
Ver distante o que tive...
Só a saudade me garantir
De tudo o que perdi?
A saudade em mim vive.
Fui valente, até artista!
Deixo por cá poesia
Ela faz com que não desista.
Toma conta do meu dia.

Nesta hora
Contar as mágoas?
Não que a garganta embarga.
Sómente a lembrança
É laranja amarga...
A vontade morreu-me!
Um sol vão é a esperança
A vida esqueceu-me!

rosafogo
natalia nuno





segunda-feira, 7 de novembro de 2011

AMO-TE NA NOITE EM SILÊNCIO

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Amo-te na noite  em silencio
Viajo p'lo teu corpo sem me deter
Me aquieto depois nesse abandono
E de prazer me deixo morrer.
Dos teus olhos surge  meu dia
Das tuas mãos a minha serenidade
Das tuas palavras a magia
Que lembram d'outros tempos de saudade.

Entre a felicidade surge incerteza
A vida  nos parece ainda jovem
Bela é a sua plumagem...a beleza!
Mas já nos meus olhos chovem
águas precipitadas
como rio transparente.

Que foi feito do amor da gente?

Amo-te na noite em silêncio
Meus lábios se encendeiam
Faço o sonho acontecer,
enquanto teus braços me rodeiam,
em delírio me deixo morrer.
Lembranças  acaricio
nesta tarde de estio.
Enquanto o sol se põe no poente.

Que foi feito do amor da gente?

O amor apenas vive enquanto queima
Quero voltar a ser tão tua como agora!
A vida foge, a vida teima
De tanto olhar atrás passou a hora.
Instantes passados me vêem á mente.

AMOR...
Que foi feito do amor da gente?
Num último beijo me abandono
Na doçura da memória, aguardo o sono.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog para decoupage

sábado, 5 de novembro de 2011

ÚLTI MO ACTO



Antes do último acto terminar
saio de cena,
com o coração trespassado
o olhar espantado.
E se alguma coisa  quebrar
Vai ser a palavra... tenho pena!
Palavra que me reconfortava
e em mim fecundava.
Ela que se arremessou contra meu peito
Se levantou enlouquecida
E sem me ouvir...assim de qualquer jeito,
se quer fazer ouvida.

Cai o pano de improviso
Há gargalhadas p'lo ar
A balbúrdia é  geral
O terceiro acto correu mal.
Levo o coração quebrado
Muito ficou por dizer,
que escapou entre o esquecimento,
como a frescura da água por beber
Lamento...lamento...lamento!

Neste palco fiquei destruída
Definitivamente quebrada
Que esperança ter
numa nova jornada?
Teatro é a Vida
Nele há esperança de verdade
Mas acaba mal o sonho
Resta a saudade.

Acabou a insólita peça
Houve palmas, apupos, e até gritos!
Agora não há quem meça
os ruídos (do meu coração)
aflitos.
Fui até directora de cena
Declamei de improviso
corajosamente no meio da multidão
Saíu mal, tenho pena!
Por isso saio sem aviso.
Sem esperança, fé, ou resolução.

Largo o traje a rigor
Com que vos saudava então!
Dos aplausos levo o calor
E para o olhar final, levo a peça na mão.
Nestas mãos cansadas, paridoras
de versos tantos!
De saudades, atiradas em prantos,
onde a palavra se faz ouvir
Até no dito que não pronunciei
Nas folhas de outono a cair
Na jovem que não existe,
na dor que calei.

Levo  a interrogação na boca
que em mim não esquece
Por que será a vida tão pouca?
Que já o pano desce.
Saio de cena!

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage.




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JÁ OS CHOUPOS SE VERGAM


Já o trigo se dobra
ao amor p'lo vento
Também a vida me cobra
A plenitude do momento.
Já os choupos se vergam
sobre as águas do rio
Também meus olhos enxergam
Dias vindoiros de frio.
A ave voa peregrina
p'lo poente dourado
Esqueci meu tempo de menina
Que passou...é passado!

Corre o regato no vale
Pressa leva no caminhar
A esquecer todo o mal
Chovem meus olhos ao te olhar.

Passa o vento e faz rumor
Esquece a tarde que o poente dourou
Como pássaro abrigo-me amor!
Que o tempo de mim te  levou.
Andam  pardais nos olivais
Decoram a paisagem alegremente
À vida ninguém foge jamais,
ao sofrimento,
ao tempo inclemente.
Tudo nela são passos contados
É preciso viver cada momento
E agradecer de joelhos prostrados,

os dias cobertos duma certa claridade
são agora sombrios
são a forma
que é nos meus olhos
saudade.

rosafogo
natalia nuno



CAPRICHO (pequena prosa)

H. Zabateri decoupage

Ontem não vimos o sol, choveu sem violência, e ficámo-nos a olhar o rio, esse rio que já é oceano, surgiram mais umas rugas nas têmporas, enquanto as nuvens se afogavam na luz morna da tarde. A noite é agora carvão e o horizonte já abraça o crepúsculo, e eu recordo o dia de ontem, pois a amizade me arrancou um sorriso.
Amanhã uma luz macia trará um novo dia, e eu serei o que sou por quanto tempo DEUS quiser, me enviará um sopro doce do vento para me adoçar o peito, que pende um pouco para a tristeza.
A vida vai-se prolongando
e botões de lírio (sonhos) vão despontando.

natalia nuno
rosafogo