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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

AMO-TE NA NOITE EM SILÊNCIO

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Amo-te na noite  em silencio
Viajo p'lo teu corpo sem me deter
Me aquieto depois nesse abandono
E de prazer me deixo morrer.
Dos teus olhos surge  meu dia
Das tuas mãos a minha serenidade
Das tuas palavras a magia
Que lembram d'outros tempos de saudade.

Entre a felicidade surge incerteza
A vida  nos parece ainda jovem
Bela é a sua plumagem...a beleza!
Mas já nos meus olhos chovem
águas precipitadas
como rio transparente.

Que foi feito do amor da gente?

Amo-te na noite em silêncio
Meus lábios se encendeiam
Faço o sonho acontecer,
enquanto teus braços me rodeiam,
em delírio me deixo morrer.
Lembranças  acaricio
nesta tarde de estio.
Enquanto o sol se põe no poente.

Que foi feito do amor da gente?

O amor apenas vive enquanto queima
Quero voltar a ser tão tua como agora!
A vida foge, a vida teima
De tanto olhar atrás passou a hora.
Instantes passados me vêem á mente.

AMOR...
Que foi feito do amor da gente?
Num último beijo me abandono
Na doçura da memória, aguardo o sono.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog para decoupage

sábado, 5 de novembro de 2011

ÚLTI MO ACTO



Antes do último acto terminar
saio de cena,
com o coração trespassado
o olhar espantado.
E se alguma coisa  quebrar
Vai ser a palavra... tenho pena!
Palavra que me reconfortava
e em mim fecundava.
Ela que se arremessou contra meu peito
Se levantou enlouquecida
E sem me ouvir...assim de qualquer jeito,
se quer fazer ouvida.

Cai o pano de improviso
Há gargalhadas p'lo ar
A balbúrdia é  geral
O terceiro acto correu mal.
Levo o coração quebrado
Muito ficou por dizer,
que escapou entre o esquecimento,
como a frescura da água por beber
Lamento...lamento...lamento!

Neste palco fiquei destruída
Definitivamente quebrada
Que esperança ter
numa nova jornada?
Teatro é a Vida
Nele há esperança de verdade
Mas acaba mal o sonho
Resta a saudade.

Acabou a insólita peça
Houve palmas, apupos, e até gritos!
Agora não há quem meça
os ruídos (do meu coração)
aflitos.
Fui até directora de cena
Declamei de improviso
corajosamente no meio da multidão
Saíu mal, tenho pena!
Por isso saio sem aviso.
Sem esperança, fé, ou resolução.

Largo o traje a rigor
Com que vos saudava então!
Dos aplausos levo o calor
E para o olhar final, levo a peça na mão.
Nestas mãos cansadas, paridoras
de versos tantos!
De saudades, atiradas em prantos,
onde a palavra se faz ouvir
Até no dito que não pronunciei
Nas folhas de outono a cair
Na jovem que não existe,
na dor que calei.

Levo  a interrogação na boca
que em mim não esquece
Por que será a vida tão pouca?
Que já o pano desce.
Saio de cena!

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog imagens para decoupage.




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JÁ OS CHOUPOS SE VERGAM


Já o trigo se dobra
ao amor p'lo vento
Também a vida me cobra
A plenitude do momento.
Já os choupos se vergam
sobre as águas do rio
Também meus olhos enxergam
Dias vindoiros de frio.
A ave voa peregrina
p'lo poente dourado
Esqueci meu tempo de menina
Que passou...é passado!

Corre o regato no vale
Pressa leva no caminhar
A esquecer todo o mal
Chovem meus olhos ao te olhar.

Passa o vento e faz rumor
Esquece a tarde que o poente dourou
Como pássaro abrigo-me amor!
Que o tempo de mim te  levou.
Andam  pardais nos olivais
Decoram a paisagem alegremente
À vida ninguém foge jamais,
ao sofrimento,
ao tempo inclemente.
Tudo nela são passos contados
É preciso viver cada momento
E agradecer de joelhos prostrados,

os dias cobertos duma certa claridade
são agora sombrios
são a forma
que é nos meus olhos
saudade.

rosafogo
natalia nuno



CAPRICHO (pequena prosa)

H. Zabateri decoupage

Ontem não vimos o sol, choveu sem violência, e ficámo-nos a olhar o rio, esse rio que já é oceano, surgiram mais umas rugas nas têmporas, enquanto as nuvens se afogavam na luz morna da tarde. A noite é agora carvão e o horizonte já abraça o crepúsculo, e eu recordo o dia de ontem, pois a amizade me arrancou um sorriso.
Amanhã uma luz macia trará um novo dia, e eu serei o que sou por quanto tempo DEUS quiser, me enviará um sopro doce do vento para me adoçar o peito, que pende um pouco para a tristeza.
A vida vai-se prolongando
e botões de lírio (sonhos) vão despontando.

natalia nuno
rosafogo

NÃO É POETA QUEM QUER (pequena prosa)

http://imagensdecoupage.blogspot.com/


Está dito que não é coisa fácil. Poesia é coisa séria, desista qualquer escritor de a tentar criar, não é por saber muito, nem muito bem saber escrever, poeta pode ser até analfabeto, porque a poesia lhe vem da alma, lhe nasce dum dom que possui

do qual nada o fará desistir por mais que tente. O Poeta se afeiçoa à Poesia, vem-lhe da grandeza dos seus sentimentos, e ainda que os outros lhe apontem... defeitos, ele a acha uma obra superior.

Entristece se lhe fecham as portas, se o excluem, alegra-o o poder contribuir, satisfaz-lhe a amorosa admiração dos amigos,

tal como ele com sensibilidade e riqueza de expressão, numa serena ou sobressaltada esperança de dar o seu melhor.

Na Poesia se expressam sentimentos de saudade, de sofrimento, de amor...haverá porventura mais belo? Nada se lhe pode igualar! A poesia é um impulso que vem da alma, testemunho de autenticidade.

Eu e a minha mania da prosa...vou tentando, isto que hoje escrevi é o que sinto, os poetas são gente, por outra gente julgados loucos.



natalia nuno
rosafogo

"Poesia são pensamentos que respiram, e palavras que queimam."
(Thomas Gray)
Bom Fim de Semana!

SONHOS QUE ME NAVEGAM

H. Zabateri decoupage

Sonho que sou menina
Não quero nunca despertar
Remonto à origem do meu caminhar.
Conquisto o azul celeste
As asas me dão coragem
Visto-me de penas, de alegre plumagem.
Ando perdida num mar de açucenas
Sei apenas...
No sonho sou menina
Perdida na neblina.

Meu sonho!
Me reconforta a esperança
que em ti ponho.
Salpica saplica-me de alegria
Não me fales de dissabor
Deixa um sussurro em Poesia
Tira do meu coração a nostalgia
Abre novas janelas ao amor.

Ajuda-me a dizer não
a todos os nãos
Sim á felicidade
Deixa-me  agarrar com as mãos
Da vida a cumplicidade.
Porque a vida é um trino ardente
E eu ainda me sinto gente.

rosafogo
natalia nuno

ESTADO DE EXALTAÇÃO (pequena prosa)

http://imagensdecoupage.blogspot.com/

O tempo nunca volta para trás e passa rápidamente, tentamos agarrá-lo mas impossível e vai deixando marcas irreversíveis em nós.
A juventude é um mito, é como a primavera nos canaviais e nos juncais, onde adejam borboletas, onde poisam os pássaros chilreando, onde passa a  brisa sussurrante, mas logo de seguida surge o outono e logo, logo o inverno e a sorte muda surgem as folhas secas caindo, os dias cinzentos e na vida os sonhos se apagam. O meu mal mesmo, é que não aprendi a envelhecer e agora é como se o combóio já não parasse na minha estação, então, insurjo-me contra o tempo, apesar de saber que não posso recusar o inesperado.

Nasci para a Poesia, há em mim um estado de exaltação quando escrevo, chego a pensar que é uma manifestação espiritual que me habita.

Ás vezes tenho tudo e não tenho nada!

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog imagens para decoupage