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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SER POETA




(pequeno texto)

Está dito que não é coisa fácil. Poesia é coisa séria, desista qualquer escritor de a tentar criar, não é por saber muito, nem muito bem saber escrever, poeta pode ser até analfabeto, porque a poesia lhe vem da alma, lhe nasce dum dom que possui

do qual nada o fará desistir por mais que tente. O Poeta se afeiçoa à Poesia, vem-lhe da grandeza dos seus sentimentos, e ainda que os outros lhe apontem defeitos, ele a acha uma obra superior.

Entristece se lhe fecham as portas, se o excluem, alegra-o o poder contribuir, satisfaz-lhe a amorosa admiração dos amigos,

tal como ele com sensibilidade e riqueza de expressão, numa serena ou sobressaltada esperança de dar o seu melhor.

Na Poesia se expressam sentimentos de saudade, de sofrimento, de amor...haverá porventura mais belo? Nada se lhe pode igualar! A poesia é um impulso que vem da alma, testemunho de autenticidade.

Eu e a minha mania da prosa...vou tentando, isto que hoje escrevi é o que sinto, os poetas são gente, por outra gente julgados loucos.

natalia nuno
rosafogo

OUVINDO CHOPIN



(pequeno texto)

Estou nas nuvens ouvindo Chopin, subo montanhas, distancio-me do Mundo, esqueço as encruzilhadas da vida, e fico grata a Deus, por me dar a opção de ficar por lá até querer, quem sabe esqueça o caminho de regresso...sento-me numa nuvem branca, e voltarei em Maio, num dia lindo, haverá lilazes a rebentar, e eu, irei viver a vida até ás minhas últimas forças.Os meus olhos verdes herdados, olharão uma e outra vez o mar, também o sol até desaparecer no horizonte, assim amansarei a saudade, e aligeirarei a minha ânsia.



natalia nuno
rosafogo



QUANDO NASCI (pequena prosa)



Hoje lembrei... nasci num dia em que o rio galgou as margens e alagou as hortas, soltou-se livre.
Tal como ele, eu, brava nascia, não sorri nem pestanejei, gritei, trazia comigo a impetuosidade e a curiosidade p'lo Mundo onde acabava de chegar.
Dentro de mim ainda essa criança pequena, num sopro de inspiração, lá volto à infância, onde a vida tinha outro sabor, e é um amargo doce que a recordação me provoca. Para além da criança, lembro a adolescente que conservo com comovido afecto, feliz, descontraída, assim a recordo.
Orgulho-me da aldeia, amo os que lembro com saudade, pobres materialmente. mas ricos interiormente, foram eles que deram sentido e esperança ao meu desabrochar.
Hoje lembrei também dos rapazes de mãos rudes e gestos desajeitados e dos bailes onde tanto me divertia. Há uma história que conto a mim mesma diáriamente que jorra desta fonte que é o meu passado.
Passeio pelo Mundo onde me deixo enfeitiçar por belos recantos, mas é sempre a volta à aldeia que profundamente mais me absorve, onde a memória fica viva e clara.
A aldeia e eu seduzimo-nos mútuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas silenciosas e sombrias.
E assim me vou distanciando, sentindo-me um ponto ínfimo no final do caminho.
Meu corpo já não me pertence, devora-me o tempo, mas a Poesia reconforta-me um pouco, e a memória é guardiã do arquivo das minhas lembranças.
Repito para mim:
«Tu és ainda muito nova»
Tudo não passa de ilusão
A imagem que vês no espelho
pedindo socorro não és tu,
essa não!
Carrega aos ombros aquela que só tu vês
Tu és, a que vive dentro da tua memória
Essa é que és!
A que sonha que há-de ir mais além
Já sem nada de seu
Há-de sorrir como ninguém
Como águia, voar p'lo céu.
Conquistar a Vida
Pois nasceu para voar
Olhos bem despertos
Ouvidos bem abertos
E de emoção gritar.
Que és eternamente jovem!
Sofres da passividade
de ver o tempo a passar
Mas na saudade
Sabes o coração reconfortar.

natalia nuno
rosafogo

CANTA MEU CORAÇÃO



Há uma realidade que dói
Vou as horas abraçando
Tempo sem tempo que mói
As palavras na boca calando.
Vai-se diluíndo no olhar
Tudo o que eu queria conservar.

A vida dita sua verdade
Traz seu Inverno severo
Em meu refúgio a saudade
Dos frescos aromas que ainda quero.

Nestas horas despidas
Passaram por mim imagens velozes
Nos meus olhos já esquecidas
Aos meus ouvidos os ecos das vozes
A memória em labirinto
E meu corpo esquecido o sinto.

Mas ainda dou asas ao meu vôo
E rasgo o lençol da alvorada
Sou espinho e me dôo
Porque me quero sentir amada.

Ressuscita a minha vontade
Canta meu coração arrebatado,
em plenitude e liberdade
Ainda que a vida me tenha desdenhado.

rosafogo
natalia nuno

DESPEDIDA E SAUDADE





(pequeno texto)

Perdi-te mas continuas a olhar-me, a ver-me, a sentir-me, como se estivesses fisicamente ao pé de mim é assim que eu sinto. Mas foi uma dor sem tamanho, senti-me infeliz e solitária. Os momentos de dor e a consciência da fragilidade, fizeram-me ter fé e tornaram-me mais humilde. Foi mais triste a tua partida, sabendo do teu apego à vida, e doloroso foi esse momento, a falta do teu olhar é terrível e provoca uma sensação de vazio total que eu espero o tempo venha a curar. A sensação da tua perda me causou revolta, só a fé me vai colocando de novo no caminho a seguir.
A tua passagem chegou ao fim, e eu vou fazer por continuar a sorrir, ainda qua as lágrimas muitas vezes me corram p'la cara. Vou encarando a vida efémera como ela é, quando chegar ao fim da caminhada espero ter alguém ao meu lado tal qual tu me tivéste a mim MÃE, até sempre.


rosafogo
natalia nuno

sábado, 13 de agosto de 2011

A INQUIETAÇÃO DO MEU RIO



Entre a folhagem há um coro
de cânticos subtis
E no rio um curso em quietação
E meu coração me diz
Porque  será que choro,
da saudade do meu corpo feminino?
Oh! Absoluto, mal fadado destino!

Ondulam brisas sobre as searas
Vibram as folhas prateadas
Pensar eu que me amaras...!
Em marés arrebatadas.

Já vão as horas perdidas
E os corações distantes
Para quê lágrimas caídas?
Se não haverá prantos bastantes?

Meus medos são trevos em flor
Andorinhas, entre a bruma
                                 do esquecimento.
No fundo dos meus olhos... amor,
                                  já coisa nenhuma!
Já partem, como nuvem em seu labor.

Fica o horizonte tão mudo
E o vento entoa seu balido
Não há nada que desejar
Ou haverá tudo?
Volta o desejo aos corpos
reacendido.
Numa imensa vontade de amar.

Meus sonhos são moinhos de vento
São  tiros no ar,
que me trespassam o pensamento
Num tempo inquieto sempre a andar
Quero viver, viver como a pedra que dura!
Não quero morrer de peito oprimido
Não me basta do céu a ventura
Não me basta o tempo já vivido.

rosafogo
natalia nuno
imagem - blog imagem para decoupage





domingo, 7 de agosto de 2011

A HORA DE LEMBRAR



Nesta hora sómente a lembrança
De momentos que não vou devolver
Ficarão pra sempre no peito
com a esperança
que se aninha no esforço de viver.
Desta SAUDADE não tenho cura
Saudade que inteira me abraça
Corre nas entranhas a ternura
Passa o tempo e ela não passa!

Saudade fluí dentro do meu coração
Como água duma fonte
fresca e pura
O perfume da hortelã
A ilusão...
Um ardente sol no horizonte
Uma tarde clara na lonjura.

É arco-íris no céu deserto
É tudo o que na memória já se perde
É o limiar dum sonho por perto
É sentir o palpitar da terra verde.

Lembrança...ouvir uma voz querida
à distância
Hoje sinto no mais profundo do coração
uma melancolia forte,
da criança...
Que salta, que passa e que corre
e em mim não morre.

Lembranças são chamarizes
Já um pouco furtivas,
Mas por vezes bem vivas!
Que me transportam a dias felizes
Onde havia verdes trigais
E a primavera me vestia de sonhos
Tal como vestia de novo as ramagens
                                                    dos choupais.

 rosafogo
natalia nuno
imagens do blog para decoupage