palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 6 de julho de 2011
MIRAGEM

Há um momento que parece esperar-me
Ou serei eu que o invento ?
Por tê-lo perdido!
Uma criança a olhar-me...
Sinto-a de perto com um denso odor,
acenando-me, de olhar caído.
Criança sem tempo nem idade,
olhando-me com amor.
Me desencaminho só de a sentir!
Fatigada por horas de delírio e saudade,
deixo a vida fluir.
Seus olhos vão-se entreabrindo.
cada vez mais longe menos ao alcance,
como se de mim fugindo.
Mas a memória vai-se precipitando,
como ave atravessando o céu,
abrindo e fechando
as portas deste coração meu.
Momento de sempre e de agora
No verde dos olhos o esquecimento
Fecho os olhos vejo-a na obscuridade
Misteriosa, me acena e vai embora!
Mas volta sempre noutro momento.
E eu pressinto-a sempre,
na minha saudade.
Chega sempre com a solidão,
também ela flutuando
Até onde me leva a paixão,
deste momento?
Já dela
meu coração está distando.
Na saudade a acalento.
rosafogo
natalia nuno
06/07/2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
LINHA A LINHA

Perscruto as profundezas
do teu olhar
E meu coração muda de lugar
Sem que dê pela mudança,
esquece o tempo, julga-se imortal
Cresce nele a esperança,
É seu destino amar
Assim, é fatal.
Para as tristezas afogar
Vai ocultando a sua dor
Seu murmúrio tem o som do mar
Quem o escuta ouve a voz do amor.
Ouve-lhe os segredos
Sente-o perdido em nevoeiro baço
Escondendo os medos
A vida do avesso
Procura acertar o passo
Ai...como eu o conheço!
Mas deste mal eu padeço
Olhar teus olhos bem fundo
E achar que os não mereço?
Se acaba o chão e o mundo.
Resta-me ainda a lembrança
Neste peito nu é ventura
Quando choro me traz bonança
Passa a dor, torna clara a noite escura.
E neste meu viver singelo
Recordo com natural tristeza
Não quero esquecer o que foi belo
Deixo em palavras de singeleza.
E à vida que eu amo tanto
Tanta vez ela me afronta!
Lhe deixo este meu canto
Na esperança,
que a vida não me interrompa.
rosafogo
natalia nuno
domingo, 3 de julho de 2011
ESCREVO PARA FUGIR

Não basta, não basta querer
os passos deter!
Sempre mais uma ruga no rosto
Carregada de mágoa infinita
Onde o silêncio tem seu posto
Assim, não nos deixa esquecer
E nos traz este sentimento inquietante
Porque sempre se acredita
Que a morte vem distante.
Escrevo para fugir
Pensando o tempo enganar
De que serve outro caminho seguir
Se a morte acaba por chegar?
Não basta, não basta querer,
fazer contas de cabeça
Que a morte há-de aparecer
Não há nada, nem ninguém que ela esqueça.
Não basta, não basta querer
Também o sol deixa o horizonte
Um dia a morte vai trazer
beco sem regresso, lágrimas que farão a ponte,
o silêncio que indica o fim.
E fará à terra a entrega de mim.
rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog para decoupage.
ÚLTIMO INSTANTE

Devagar subo a ladeira
Olho os goivos e os malmequeres
Até que Deus queira,
Lá vou subindo o empedrado
Será que ainda me queres
Com a força do abraço apertado?
Ouço o rumor da vegetação
Sinto o frémito do teu abraço
Espero um sinal de ti
Um sim...ou não!
Para te seguir sem cansaço.
Surge um cheiro a maresia
E eu descanso da viagem
Espero a hora, anseio o dia
Para erguer os olhos com coragem.
Já me confunde o vento
E o gotejar da água
Nenhum rumo, nenhum lamento
No teu lugar mora a mágoa.
Ouves os pássaros que não cantam?
E o rasto das nuvens que choram?
Caem gotas na lembrança me desencantam
Minhas mãos postas já não oram!
E assim meu olhar endurece
Meu sorriso é estrela cadente
Faço agora uma última prece
Para que o amor em nós
seja sol nascente.
Já o vento atravessa as folhas
Deixando-as por aí à solta
Meu amor quando me olhas
O amor me trazes de volta.
rosafogo
natalia nuno
MINHAS PISADAS

Formigas trabalham o dia inteiro
Limpando, carregando o celeiro
E eu libelhinha distraída...
Esvoaço, com medo da vida
Que me faça cativa...
Me estenda uma cilada
Me deixe de asas caídas
Ser e não ser... não ser nada!
Minhas palavras emudecidas.
No vaivém do vento
Andam lágrimas em desespero
Ânsia de ter livre o pensamento
E os sonhos? Para que os quero?
Já vou alargando o passo
Descalça sigo em liberdade
A terra vai apagando meu traço
Meus anos se queimaram na saudade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 1 de julho de 2011
NEGO QUE TE AMO

Nego que te amo obstinadamente
Nego que te quero à boca cheia
No meu olhar o amor é transparente
E meu coração ao teu se enredeia.
Como é ingrato envelhecer!
Ver-me nos teus olhos e sentir
Que sou água que corre por correr
Não aquele rio de verdade
Que se perdeu no tempo e é saudade.
Nego que te amo arrebatadamente
E o tempo já não sorri pra mim
Trago sede do amor de antigamente
Que enchia os corações de odor a jasmim.
Agarro-me à lembrança do teu rosto
E meu coração ainda vibra e clama
Para mim o amor é ainda uva em mosto
Há fogo nas entranhas de quem te ama.
E a vida é chuva derramada no olhar
É noite em mim, apagada a esperança
Já os sonhos partem do cais, deixei de sonhar!
Sonhos são apenas minhas relíquias de criança.
Cantam nas minhas mãos melros em liberdade
Encandeio-me no sol que me queima
Meu pensamento fica inacabado
Só a saudade,
Teima
Neste amor engendrado
Nos teus braços,
ficou tudo o que sonhei
Ainda sigo teus passos
Deste amor não me libertei.
Vou lembrando-te, entre os aromas da tarde
E de pés descalços corro na saudade.
rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage
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