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sexta-feira, 1 de julho de 2011

NEGO QUE TE AMO



Nego que te amo obstinadamente
Nego que te quero à boca cheia
No meu olhar o amor é transparente
E meu coração ao teu se enredeia.
Como é ingrato envelhecer!
Ver-me nos teus olhos e sentir
Que sou água que corre por correr
Não aquele rio de verdade
Que se perdeu no tempo e é saudade.

Nego que te amo arrebatadamente
E o tempo já não sorri pra mim
Trago sede do amor de antigamente
Que enchia os corações de odor a jasmim.
Agarro-me à lembrança do teu rosto
E meu coração ainda vibra e clama
Para mim o amor é ainda uva em mosto
Há fogo nas entranhas de quem te ama.

E a vida é chuva derramada no olhar
É noite em mim, apagada a esperança
Já os sonhos partem do cais, deixei de sonhar!
Sonhos são apenas minhas relíquias de criança.
Cantam nas minhas mãos melros em liberdade
Encandeio-me  no sol que me queima
Meu pensamento fica inacabado
Só a saudade,
Teima
Neste amor engendrado
Nos teus braços,
ficou tudo o que sonhei
Ainda sigo teus passos
Deste amor não me libertei.
Vou lembrando-te, entre os aromas da tarde
E de pés descalços corro na saudade.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

quarta-feira, 29 de junho de 2011

RIO DA MINHA INFÃNCIA



Ó rio que tanto choras
Por entre pedregulhos e serras
Num delírio que faz as folhas tremer,
 saudade encerras
Vai, vai sem demoras
Que a saudade é o sopro do meu viver.

O Verão, vai escaldando o chão
Nas margens desperta o pintassilgo
Silêncio a resgatar meu coração,
e saudade da infância , levo comigo.

Já se vão os pássaros e seu arrulhar
Resta o odor molhado da terra fragante
O vento zunindo a ameaçar
E meu corpo vive palpitante
Esta felicidade que o inunda
E me leva a alma ao espaço
Numa profunda,
paz.
A que me abraço!

Jáz
O dia,
o sol já não incendeia, e a criança
olha o rio com esperança,
com alegria.
As arvores vão balouçando
As águas partindo
E eu pra mim mentindo
Que estou chegando...

Resta o murmurar da alma da saudade
As dores do meu peito
As lágrimas choradas
Esta paz fatigada, que não é de verdade
Já nada é perfeito!
Meus dias naus em ti ancoradas.
Onde estou?
Ò rio...ó rio
É como se o tempo me sepultasse!
Meu coração está vazio
Como o sangue nele parasse.
Quem sou...quem sou?

Não me conformo com o presente
Respiro assim vivo e penso
Mas meu coração sente
E cada vez mais me convenço
Que a vida é utopia.
Do ontem que esqueci!
Do amanhã que não vi.

Penso, com humilde sabedoria.
Que hoje vivo, hoje morro.

rosafogo
natalia nuno

GERÊS, 27/06/2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

AMANHÃ



Correm rios,
entre serras e penedos,
numa ânsia de chegar.
No meu coração regatos bravios
numa ânsia de te amar.
Há borboletas em preguiça
esvoaçando,
por entre a ramagem.
Minha alegria é postiça,
vou talhando
a jeito minha escrita
em misteriosa linguagem,
linguagem de quem grita.

Correm rios, corre o tempo
misterioso,
Vai apagando meu pensamento
Levando por veredas
Meu coração saudoso.

Canta o sol sobre os valados
Deixa raios beijando o chão
Sobrevive tudo o que amámos?
Ah...só dentro do coração!
Deito-me à sombra do salgueiro
Ouvindo o murmurar da água
Acaricio as folhas do loureiro
Que baloiçam, tal como a minha mágoa.
Calam-se as vozes das cigarras
Insólita alegria minha
Desprendo-me das amarras
Meu peito desaperto, a felicidade
se aninha.
O sol acendeu as brasas
Fez-se relampago no olhar do falcão
No sonho, vou abrindo as asas
Só meus pés vão p'lo chão.
Passa esvoaçando um pardal
O assobio dum melro eu ouço
É que hoje sinto-me imortal!
Amanhã quiçá no fundo dum poço.

No fundo do esquecimento
Só no olhar cresce o céu
No coração o lamento
Para trás, tudo o que é meu.
E em fuga o destino
Que me lança em qualquer mar
Enigma que não atino
Que a vida tem, pra me ofertar.

Alto sonho que de mim se apodera
Como se fosse um tornado
Ai quem dera...quem dera
Ter nascido com o destino fadado.

Serei pássaro sem trinado
Amanhã quando morrer
O sol maduro por cima do meu telhado
Me dará contas de outro sofrer.

natalia nuno
rosafogo
GERÊS, 26/06/2011

.

VERDE DE ESPERANÇA



Lembranças loucuras minhas
Memórias deste meu Outono
O mundo onde me abandono
Memórias traços de andorinhas.
Vão e vêem como os medos!
Como luz que se abre p'la manhã
Cascatas que meus olhos bebem
Da varanda dos arvoredos.
Tudo o que a mente
Presencia e imagina
Do quanto ainda tem presente,
da saudade de menina.

Vou desdobrando palavras
Com o tremor do vento
E há estevas que florescem bravas
Ao pulsar do Verão,
sem um lamento.
Enquanto, se lamenta meu coração.

Estou ficando demente
Chega a mim o aroma da infância
Na montanha a memória o sente.
A tristeza abre portas por entre a folhagem
E a criança é já miragem.
Dói-me a nostalgia
O tempo avança vorazmente
Cada pedra cai sobre o meu dia
E eu amo cada dia perdidamente.

natalia nuno
rosafogo
GERÊS, 25/06/2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

AVE FERIDA



Arrumo os pensamentos
Antes que chegue o Inverno
Antes que o fio dos esquecimentos
Transforme a vida num inferno.
Enquanto a noite não desce
E às sombras deixa o coração
E a solidão não acresce
E me deixa prostrada no chão.

Mais depressa do que devia
Antes que faça e desfaça
Pobre de mim que seria,
Se este tempo que passa
Me amortalhasse de medo
Num chão seco, me enterrasse
em segredo?

Arrumo sem hesitações
Pensamentos, sonhos e ilusões
Faço o caminho sem paragem
O tempo me trouxe limitações
Mas eu insisto na viagem.

Meu rosto já não sabe quem é
Que importa, se este rosto já foi?!
Meu corpo é árvore que morre
Morre de pé
Tão breve que dói
Esta vida que corre!

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 22 de junho de 2011

AMA-ME



Os sonhos, caem no outono
Confundem-se com o murmúrio do vento
São como folhas mortas ao abandono
Caindo num musgo lamacento.

Mas amor, eu te olho de relance
E a minha manhã ganha forma
Entre o madrugar e o entardecer
Eu aguardo que a vida amanse
Meu coração se conforma
E continua a bater.

Tenho saudade da tua voz
Agora só o silêncio se faz ouvir
Saudades de nós
Das palavras que eram música,
Saudades de sorrir.
Olhos baços de melancolia,
Minhas pétalas não respiram
Minhas raízes,
São agora sombras em agonia.
Volto ao crepúsculo, à noite, ao vazio
E a tua ausência me dá frio
Declina o sol no meu peito
Nas horas tardias
Onde ficou aquele jeito?
Das carícias que me fazias?
Meu corpo agarra-se à vida
Querendo a minha tristeza esquecer
Mas o rosto teima em transparecer
Da vida, a investida.

De mim, de ti restam traços
Que os tempos mal retêm
Esquecidos os nossos braços
Dos abraços que já não têm.
Um instante, é agora uma vida inteira
A tarde não demora!
Senta-te  amor à minha beira
Ama-me, ainda que o sol vá embora.

Volto ao crepúsculo, à noite, ao vazio
E a tua ausência me dá frio
Declina o sol no meu peito
Nas horas tardias
Onde ficou aquele jeito
Das carícias que me fazias?

rosafogo
natalia nuno


,

terça-feira, 21 de junho de 2011

ATRAVESSO A VIDA



Vão-se os dias apagando
Nada permanece como é
Tudo vai mudando
A Vida vou evocando,
Assim continuo de pé.

Do Amor as imagens vão e vêm
Brilham na mente como cristais
São fogo e  ainda têm
Labaredas imortais.

Caio exausta, vencida
Trago o corpo adormecido
Evoco tua imagem querida
O dia se desdobrou, vencido
Confundido
Com a noite e a obscuridade.
E o fogo que brotava
Já é só saudade
Do amor,
Resta pouco mais que nada.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage