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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O MEU QUERER




Queria seguir a corrente
Das águas do teu mar
E aprisionar-me a ti únicamente
Rendida ao teu amor ficar.
E viver em ti e contigo
Desde o ressurgir ao morrer do dia
Até ao levantar das estrelas
Até que a lua sorria.

Dois corpos que se incendeiam
Que morrem no mesmo abraço
Queria ficar nessa teia
Seguir contigo teu passo.
Ser ave livre de repente
Nessa luz amanhecida
Ser tua água transparente
Ser teu poema, tua vida.

Ser a paisagem do teu olhar
O horizonte da tua memória
Ser a fuga e o aproximar
Renascer de novo na tua desmemória.
Percorrer o teu corpo, sedenta
Reacender o alento apagado
Esquecer as rugas, como quem inventa
Que o Sol entrou em nós inesperado.

Banhar as palavras em insanidade
Lançá-las do alto dos rochedos
Fazê-las brotar em fontes azuis de saudade
E rodopiá-las na febre dos meus dedos.
E eu continuo a querer!
Estar contigo até ao esquecimento
Deixar os anos decorrer
Em fantasias ébrias
Largar o pensamento.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 19 de junho de 2011

AROMA DE FLOR



Revivo meus versos abandonados
Através dos meus olhos longa é a distância
Sonhos sedentos e cansados
Lembrando ao longe a infância.
E à distância vejo
Um olhar já carregado de melancolia
E dentro de mim a quimera, o desejo,
Da menina que amanhecia.

Meus passos sem rasto
Sonhos, pétalas a amanhecer
Com saudade me afasto
Dessa menina, que deixei de ser.
Quando a vida ardia,
mágica, com fulgor,
e eu sentia
ao meu redor... amor.
Era o fogo da felicidade!
Hoje a lembrança é o valor que me resta
Tudo foi reduzindo, até a saudade!
A solidão das horas desce funesta,
afoga na tristeza a chama do meu rosto.
Nesta breve vida, já é sol-posto.

Vazias as horas,
de silêncio e obscuridade
Revivo meus versos
Vislumbrando a menina com saudade.
Minhas palavras mastigam esquecimento
Mas meu sonho belo me enlaça
Perpetua a criança no meu pensamento.
Aroma de flor que ainda por mim passa.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 18 de junho de 2011

LEMBRANÇA



Hoje rolou uma lágrima sobre o papel
Manchando o sonho que descrevia
Lágrima gotejando sobre a minha pele
Sonho que deixei p'ra tras um dia.

Hoje abriguei os sentimentos
Escrevo ao de leve numa folha de rosa
Deixo a memória e dias cinzentos
E volto sorrindo à meninice gostosa.

Esqueço o tempo, e só levo o coração
Fico lá atrás a brincar às escondidas
E vou saltar à corda, viva de emoção
E na mão tenho as malhas preferidas.

Agora brinco de mãos dadas na roda
Soquetes branquinhos coração explodindo
Livre como pássaro e nada me incomóda
Quero ficar, deixem-me estou pedindo.

Aqui neste tempo, ameno e transparente
Sonhar, poder de pés descalços andar.
Que felicidade a deste dez réis de gente!
Princesa, só com a aldeia p'ra morar.

rosafogo
natalia nuno

CARTAS DE AMOR


Cartas de Amor nunca enviadas.
Em tempos tão afagadas!
Bem atadas!?
Guardadas como conduto desse amor
Que se negou a florescer
As lágrimas se esvaíram e ao redor
apenas os dias, que me falta viver.

Atei as cartas com um fio de juta
Mas, cansada, perdi-me nesta luta!
Coloquei-lhes pétalas de rosa e alfazema
Desenhei um coração
Juntei-lhes um poema!
Fiz delas uma bela recordação.

Coisas íntimas!? Que agora reparto.
Que soluço e canto e na despedida
Já delas me aparto.

Quando as olho?!
Ainda em mim amanhece!
Fecho-me nelas para ver,
se o amor ainda acontece.

Agora com um acenar
Despeço-me de ti.
Como é difícil acreditar?!
Num golpe... Morri!

rosafogo
natalia nuno

QUANDO JÁ NADA RESTAR



Hoje sinto-me no final de todos os finais
Porquê? Porque estou madura, cansada
Apodreço na monotonia,cada dia mais
Viagem, passagem continuada.
Hoje não li nem uma linha e pensei!?
Como lembro de ensaiar primeiras palavras de amor
Os primeiros contactos excitantes
Os primeiros sorrisos, como o abrir duma flor
Os primeiros beijos apaixonantes.

Os primeiros olhares a mel desenhados
Nesses anos já tão recuados.

Hoje é pouco o meu vigor
A tarde de repente fica triste
E eu relembrando momentos de amor
Fingindo para mim que ainda tudo existe.

Trago a fadiga nos olhos estampada
Minha pele viva envelhece de sombras coberta
P'lo tempo bruto, desenraizada
Como flor que morre cansada de estar aberta.
Quando pisarem as cinzas minhas
Quando já nada restar?!
Sempre restarão estas linhas
Que não consegui calar.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AS LINHAS DA MÃO



Olhei a palma da minha mão
De linhas bem definidas
Por cada desilusão
Umas quantas linhas perdidas.
Passou o tempo, eu arrancada
Até que chegou a hora!
Na ultima curva da estrada!?
Uma verdade me apavora.

Já a esperança se estilhaça
E a alegria lágrimas não pára
Assim é a vida que passa
E a saudade que não sára.
Olho as linhas da mão
E a verdade se encaminha
Dizem elas ao coração,
Que triste é a sina minha.

Caminho e deixo pégada
Levo os olhos sem pestanejar
Sigo livre na caminhada
Mas levo a alma a embaciar.

As linhas da minha mão
Morrem quase inteiramente
Mas eu já não luto, não!
A Vida me leva p'la mão
Mas meu rosto levo ausente.
Peço respostas às linhas
Falo-lhes de mil maneiras
Falam das saudades minhas
Mas esquecem as canseiras.

Dizem -me que é curta a viagem
Que há muito acabei de nascer
Que a vida não tem paragem
E que um dia, hei-de  morrer!

natalia nuno
rosafogo
imagem retirado do blog-imagens para decoupage

DA MINHA VARANDA



Dentro de mim o meu Mundo
Criei nele a minha varanda
O sol lhe dá desta banda!?
Em manhãs de fulgor, brilhante profundo.
Nas tardes de Outono nela me sento
No silêncio, já não encontro nada
Sinto o apertar do tempo, atento.
Ouvindo meus suspiros, eu cansada.

Aqui ouço o tempo varrendo os estilhaços
Mas deixo-me ficar no melhor da memória
Lembrando outros tempos, outros abraços
Já que dos fracos não reza a história.

À noite abraço-me à Lua
Às estrelas livres e esfuziantes
Quer o dia nascer e ela amua!
Deixo ficar a noite mais uns instantes.
Logo aparece a vida que me quer derrubar
Quero ser cotovia cantar até ao amanhecer
Não venha ela meus dias me roubar!
Neste Mundo meu, pronto a me acolher.

Cantarei estrofes ardentes
Da minha varanda até me cansar
Cânticos que serão torrentes
Até o Mundo,
Em Mundo novo se tornar.

Depois?
Depois podem dizer que morri!
Até, que tive da Vida,
mais que mereci.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog imagens para decoupage