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terça-feira, 14 de junho de 2011

PRINCESA EU ERA



Já fui princesa noutra era
Princesa de andar altivo
Tinha a vida toda à minha espera
E o coração por ti cativo.
Era então primavera estremecida
Nos olhos a tranquilidade dos lagos
De sonhos e amor feita a Vida
De ti a medida certa dos afagos.

E era o tactear da vida e seus segredos
Estrelas bailavam no meu horizonte
Sorriam os pássaros por entre os arvoredos
E amavas-me na frescura da fonte.

Tudo era felicidade ao meu redor
E tu, na lonjura embora perto...amor.

Nascia o sol a cada manhã só pra me ver
E caía a noite pra nos unir
Ternura nos teus gestos, força no querer
Assim a vida fazia de ti homem, de mim mulher.

E a princesa estendia para ti a mão
E a pouco e pouco
Aconchegada ao teu coração
O meu batia louco
A amargar dentro do peito
Escondendo o queixume
Daquele ciúme
Que me queimava daquele jeito.
Nos teus braços ainda me vejo
Trago domado o desejo
À beira de enlouquecer
Como foi possível perder
O que nunca foi por mim achado
Trago o coração magoado.

rosafogo
natalia nuno

CANSEI...



CANSEI

Cansei, para mim és bolor que exala
Não quero mais amor, nem a tua fala
Podes até deitar-te a meu lado
Que no desejo darei um nó bem atado.
Cansei, meu amor libertei
Teus dedos nos meus cabelos?
Jamais... não voltarei a tê-los.

Não te quero e sem demoras
Já te vou trocando as horas
Nego teus beijos na minha face
Dos teus braços, não mais o enlace.

Cansei, do punhal que me craváste
Jurando, continuas dizendo que me amáste
Cansei, minha porta está fechada
Que desatino pensando que era amada
Palavras meigas não quero mais
Aos teus ouvidos não soarão mais meus ais.
Foste meu vício, meu veneno, meu mar
Cansei, nem do teu odor vou lembrar.

rosafogo
natalia nuno
(inspirado num Poema de Maria Dulce, na página Horizontes da Poesia), feito para comentar.

VIAGEM PELA VIDA



Perdi-lhe o rastro!
Deixo correr a mão ao acaso
Meu barco navega sem mastro
No nevoeiro do meu olhar raso.

Ao acaso andam meus pensamentos
São malas perdidas no porão!
Nada pode evitar a fúria destes ventos
Que se saciam, derrubando meu coração.

Sinto o bater descompassado do peito
Perdi-lhe o rastro na maré vazada
Meu coração se vê assim desfeito

Não sei mais até onde vou chegar
Nem sei se vou amar ou tudo ou nada
Horas passo, canso a vista de te buscar.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ACHAM-ME LOUCA?



Acham-me louca?
Porque ouço as lamúrias do vento?
E os pesadelos me assediam?!
Trago minha voz já rouca.
E minhas ideias já se esvaziam.
Porque falo de coisas perdidas?!
E as folhas verdes saúdo?!
São tantas as águas corridas
Que estou louca, não me iludo!

Ser livre, ter liberdade?
Atravessar mares, levar amizade?
No mais profundo do meu ser
Há solidão e há saudade
Resiste,  insiste, sem de mim se comover.
Mas eu quero paz e não tempestade!

Murmura o vento e eu murmuro
Falei às estrelas, que me diziam
Estás a ficar louca...é duro!
Voltam os pesadelos me assediam.
Mas estarei louca? E se não estivesse?
Impotente sim,
E o tempo que me entontece.
Assim da Vida?
Nada espero,
já nada acontece.

rosafogo
natalia nuno

A MENINA DA TRANÇA



Ergue os olhos ao Céu
Seu rosto é como o tempo que lhe resta
Vive, nela uma faúlha de esperança
Que algum bem estar ainda lhe empresta.
De criança?
Resta apenas a lembrança!
O calor do Sol que a cobria e aquecia
Lembro esta menina da trança
E a fome que às vezes com ela trazia.

Só a saudade no tempo ficou
Tempo que não se apieda de ninguém
Quanto tinha, quanto lhe levou
Vive mastigando solidão. aqui e além.
Há-de partir tal qual chegou
Levando suas mãos a abanar
Amou, sofreu, chorou
Deixa para trás o Sonho por sonhar.

Assim se lhe vai acabando a Vida
Mas para ela já tudo é indiferente!?
A quem importa se está de partida?
A quem importa o que ela sente?

E a menina da trança
Trancou tudo na lembrança!
Será que esqueceu nossa amizade?
Aqui na minha solidão a recordo com saudade
Dobro a saudade cuidadosamente.
Para não se perderem as gargalhadas
Que ouço constantemente
Nas brincadeiras «às apanhadas».

rosafogo
natalia nuno

domingo, 12 de junho de 2011

A SEDE DO AMOR



Trago um segredo em mim
Á noite adormece comigo
Menina, infância, cetim
Saudade que é meu abrigo.
Deita-se comigo no leito
Dorme na minha almofada
E bem dentro do meu peito
É segredo na minha morada.

Trago um segredo em mim
Às vezes é choro na garganta
Já com ele me desavim
Se a secura da vida é tanta.
Segredo que me acompanha
Quer eu queira, quer não queira
Enlaça-me com uma força tamanha
É o AMOR, a minha cegueira.

Bebo-o com saciedade
Este segredo me envenena
Teu corpo nu, me dá saudade
Amo-te e fico serena...

rosafogo
natalia nuno

POEMA SOLITÁRIO




Não sabe qual a razão deste destino
Não sabe o porquê de ter nascido?!
É assim tristonho desde pequenino
Será sempre pé desçalço, anda perdido.

Perde-se nos sonhos na poeira do caminho
Crivam-lhe o coração, com uma lança!
Nos seus passos, procura não estar sozinho
Segue na noite, mesmo morrendo, avança!
Já sem gota de sangue mas segue, segue..
Vai como pássaro, sem direcção
Perde-se nos dias, mesmo assim consegue
Viver, enquanto a vida não fôr transfiguração.

E cai na terra fria moribundo
Esquece a razão até do seu viver
Deixa a hipocrisia deste Mundo
Onde triste, perdido o vão esquecer.

natalia nuno
rosafogo