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segunda-feira, 6 de junho de 2011

UM SONHO



Foge a Vida, que maldade!
Passam as horas fugidías
Embarquei na tempestade
Agora são parcos meus dias.
Bebo o silêncio do luar
O pensamento é meu algoz
No rosto a lágrima a rolar
Enquanto o tempo corre veloz.

Trago comigo aziaga estrela
Que insiste em armar-me o laço
Fingindo que por mim vela
Finge-se amiga segue-me o passo.
Fecho os olhos e sinto o vazio
E a saudade se acomoda no peito
Nas veias sempre o mesmo calafrio
Fica a Vida deste jeito.

O que vai p'ra além deste dia?
Já nada, que a mim importe!?
Tão sómente a Morte fria!
Mas eu? Mais que ela serei forte!

Minha saudade se veste de veludo
Recordar é um doer risonho
Na Vida faltou-me um pouco de tudo
Pouco mais que nada. Um Sonho.

natalia nuno
rosafogo

SEM O TEMPO SABER




Darei gargalhadas de desprezo
Ao tempo, a este tempo inclemente.
Triunfarei sobre ele, esquecerei o peso
Com que calca minha alma misteriosamente.
Ele que me devora e me agita
AH! Mas não lhe darei guarita!
Atravessarei o vazio, sem temer
Esperarei sem medo seu gesto derradeiro
Farei da minha coragem o eixo do poder
Viverei dia a dia como se fosse o primeiro.

E quando se unir o princípio ao fim
Na imemória, restará alegria
Esgotarei, todo o sol que houver em mim
Atravessarei por fim a noite sombria.

rosafogo
natalia nuno

QUE É FEITO DE MIM?



O meu canto lembra sempre Outono
Mas vou cultivando Primaveras
E sem descuido ou abandono
Faço delas minhas quimeras
Dos meus sonhos faço um jardim
Dos meus ais uma queda de àgua
Brota, límpida com cheiro a jasmim
Levando com ela minha mágoa.

Deixo-me consumir pela Vida
Trago a alma deserta de esperança
Na testa mais uma ruga perdida
Nada resta da menina da trança.

Abro minha vela ao vento norte
Nesta azulada tarde
Largo meus olhos pelo oceano à sorte
Devassada pelo vento minha saudade.
Há em mim um sudoeste impetuoso
Onde minha imaginação se aviva
E onde sonhar acordada eu posso
Sem da Vida me sentir cativa.

Desce o Sol sobre a crista do monte
Tudo recolhe na natureza
Estende-se o silêncio pelo horizonte
E em mim cai dia a dia a incerteza.

rosafogo
ntalia nuno

SONHO IMPETUOSO



Atrevi-me a sonhar
Deixei pulsar o coração
Mas ao acordar
Já só restava a recordação
Sonho de estrelas sorrindo
A tua voz ténue alcançava
Quando me estavas mentindo
Era só eu que te amava.

No sonho te pude tocar
E a noite inquieta corria
Afinal era apenas a sonhar
Fiquei frágil no meu dia.

Verde sonho já esquecido
Feito de rajadas rosadas
Palavras doces ao meu ouvido
Palavras afortunadas.
Tinhas o cheiro da amendoeira
E sedução de quem amava
Eu era tua Primavera inteira!
E no teu corpo me abandonava.

Mas foi apenas um sonho
E a sorte não me sorria
Nasceu o dia risonho
Outro sonho me acolhia.

rosafogo
natalia nuno

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SONHO



Quando tudo adormece à minha volta
Ponho-me a perscutar o Céu
Minha imaginação fica à solta
E aí vou eu!
Subo bem alto ao céu brilhante
E vejo o mar de raiva explodindo
E a lua de olhar faiscante
Deixa escapar um sorriso lindo.

Aí entrego meus ais ao vento
Que os devolve à maré cheia
E as marés os depejam em lamento
Nas praias de fina areia.

Vejo a terra toda bordada
E ao longe já vejo o dia
E já bem acordada!?
Deslizo na manhã fria!
Varre-me o vento salgado
E o sonho me é arrancado.
Ele que meu desejo trazia.
Voltar lá longe ao passado.

Porque haveria eu de ter nascido
Se nem me é dado sonhar?!
De que serve o sangue ter corrido
Se dos olhos trago lágrimas a pingar.
Às vezes me visto de encanto
E o sonho a mim se enreda
Lá subo ao Céu com espanto
Com minha veste de seda.

Fico longe da tristeza
E dos dias agonizantes
Leve... uma pena em leveza!
Saio das quatro paredes sufocantes
E é tamanha a minha ventura
Que no sonho sou donzela
Esqueço até a desventura...
E da infância?
Estou perto dela.
Varre-me o vento salgado
E o Sonho, é-me à força arrancado.

rosafogo
natalia nuno
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UMA LÀGRIMA



Nos meus olhos perguntas a mais
Uma lágrima no vazio
Arauta dos meus ais.
Da minha força e brio.
De repente cai!
Como restolho a arder
E num fogo se agiganta
Esta força de querer
Que me percorre e me espanta.

E o tempo é uma infinidade
E tudo volta á minha memória
Fico ébria de saudade
Tenho medo da desmemória.
Que esqueça até de mim
E feliz no esquecimento
Nem dê p'la chegada do fim.
Nem lembre,
 a menina dos caracóis ao vento.

Trago névoa no olhar
Meus olhos são o que são...
Não mais a janela aberta de par em par.
Mas o coração?
Enconrtra respostas que quer ignorar.

A memória já se extravia
As lembranças são águas entre as águas
E trazem à luz do dia
Minhas alegrias e mágoas.
Dum tempo breve e feliz
Lembranças já fugitivas
Mas a vida ainda me diz
Tens-las aí ainda bem vivas!

Nos meus olhos cresce o mutismo
Como se o presente se evadisse
Resta um profundo lirismo
Como se em mortalha me visse.
E o Céu para mim se abrisse.

rosafogo
natalia nuno
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domingo, 5 de junho de 2011

INSTANTES



Hoje os meus sonhos reuni
Trouxe-os das profundidades
A alma reabri
Abri o coração às saudades.
E como é meu costume
Fiquei solitária, envolvida
numa embriaguês
A saudade trouxe-me o perfume
da juventude, outra vez.

E ali no meio da solidão
Lembrei o freixo orvalhado
Agitou-se meu coração
Ao vê-lo velho e cansado.
Meus sonhos ali nasceram
Sonhos que inda hoje me embalam
P'la Vida fora cresceram
Mas que hoje já se calam.

Perfeitas as águas do rio, claras
Espelho de real beleza
Nas margens tu me amaras
Recordo com clareza.

E à nossa roda o vento
Quero voltar a ser tua, como antes
Travo um amargo lamento
Sinto frágeis nossos instantes.

Apesar da lonjura e obscuridade
Destes sonhos, já cegos pela bruma
Nos meus olhos detém-se a saudade
Do fragor, da felicidade
Ou já de coisa nenhuma!

rosafogo
natalia nuno
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