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segunda-feira, 30 de maio de 2011

LEMBRAS-TE AMOR?



Lembras-te amor
Do beijo roubado ao anoitecer
Lembras ainda seu sabor?
Como podes esquecer?
Lembras-te das mãos dadas,
do calor.
Recordo com saudade
este tempo do nosso amor.
Das caminhadas, do olhar
que me deitavas,
Da saudade quando me deixavas.

A réstia de sol que nos acompanhava
O sortilégio que nascia.
Quanto eu te amava!
Dia após dia...
Vestida de lua
Cerro agora os olhos e vejo,
A primeira vez que fui tua
O nosso primeiro beijo.

Lembras-te amor
Como sempre me quiseste pura?
Como apagar da memória?
Na lembrança, vence a ternura
E eu lembro a nossa história.

Hoje estão desvanecidos
os traços,
meus e teus.
Mas ainda aos meus ouvidos
As mesmas palavras de alvoroço
Atráz de mim os teus passos
Teu coração batendo, eu ouço!

Tua boca, descobrindo
a minha boca
Teus gestos eu preservo
como louca.
Mas é só lembrança
Que eu tento defenir
Na esperança ainda de poder sorrir.

Hoje resta a poeira
E o caminho que é morno
Quando estás à minha beira
Lá atrás eu retorno.

Tudo neste sonho suspenso
Nas horas desta tarde macia
Fui mais feliz do que eu penso
Tudo passou...e um dia?
Tudo se apaga no traçado
Dos sonhos de agora e d'outrora
Por amar-te e tanto te ter amado
Tenho pavor de ir embora.

natalia nuno
rosafogo
imagem blog para decoupage

LÁGRIMA PERDIDA



Esta lágrima teimosa
Que me desliza na face
Vai morrer silenciosa
Como se a vida já se afastasse.
Mais uma e outra ainda
Desta tristeza que não finda.
Talvez seja mesmo a última
Que triste morreu sozinha
Deixá-la ir!
Errante, esta lágrima minha!

Saída quem sabe do coração
Ou d'algum beco da Vida
Ou d'alguma lamentação
Que resta na despedida.
Andam meus olhos perdidos
Morrem nos teus em lamentos
Já de lágrimas despidos
Quem sabe o brilho volte
E me alegre os pensamentos.

Deixo fugir esta tristeza
Da lágrima nem quero saber
Não hei-de cruzar os braços
Nesta sede constante de viver
Chegará com destreza
de novo
A loucura dos abraços.
Tudo será como um sonho belo
A vida não será mais incerta
e vazia
Cuidarei dela com desvelo
Deixo para trás a angustia.
Sem lágrimas, um novo dia.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 29 de maio de 2011

QUERO SABER


O que ensombra meu rosto?
Que vejo nele aves de lembrança
Dolorosa sombra, algum desgosto
Entreteço sonhos de esperança.
Já o sinto a empalidecer
O frio na garganta contraída
O abismo dos olhos a querer
Deixar-me sem saída.

Quero saber que foi feito de mim
Privo-me de chorar durante o dia
Aguardo a noite sem fim
E bebo lágrimas de melancolia.

Junto as palavras que escrevo
a medo
Faço com elas poemas inesperados
Conto-lhes alguns segredos
Que trago no coração fechados.
A saudade sempre volta e fere
Me deixa a vida alquebrada
Mas eu quero e ela quer!
Ficar em mim e eu por ela enfeitiçada.
Na memória ainda nada se perdeu
Assim posso  sempre o passado evocar
Nos meus olhos nada desvaneceu
Chega a saudade e chega  sem avisar.

rosafogo
natalia nuno
imagem blog para decoupage

COMO UM FADO



Hoje lembrei... nasci num dia em que o rio galgou as margens e alagou as hortas, soltou-se livre.
Tal como ele, eu, brava nascia, não sorri nem pestanejei, gritei, trazia comigo a impetuosidade e a curiosidade p'lo Mundo onde acabava de chegar.
Dentro de mim ainda essa criança pequena, num sopro de inspiração, lá volto à infância, onde a vida tinha outro sabor, e é um amargo doce que a recordação me provoca. Para além da criança, lembro a adolescente que conservo com comovido afecto, feliz, descontraída, assim a recordo.
Orgulho-me da aldeia, amo os que lembro com saudade, pobres materialmente. mas ricos interiormente, foram eles que deram sentido e esperança ao meu desabrochar.
Hoje lembrei também dos rapazes de mãos rudes e gestos desajeitados e dos bailes onde tanto me divertia. Há uma história que conto a mim mesma diáriamente que jorra desta fonte que é o meu passado.
Passeio pelo Mundo onde me deixo enfeitiçar por belos recantos, mas é sempre a volta à aldeia que profundamente mais me absorve, onde a memória fica viva e clara.
A aldeia e eu seduzimo-nos mútuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas silenciosas e sombrias.
E assim me vou distanciando, sentindo-me um ponto ínfimo no final do caminho.
Meu corpo já não me pertence, devora-me o tempo, mas a Poesia reconforta-me um pouco, e a memória é guardiã do arquivo das minhas lembranças.
Repito para mim:

«Tu és ainda muito nova»
Tudo não passa de ilusão
A imagem que vês no espelho
pedindo socorro não és tu,
essa não!
Carrega aos ombros aquela que só tu vês
Tu és, a que vive dentro da tua memória
Essa é que és!
A que sonha que há-de ir mais além
Já sem nada de seu
Há-de sorrir como ninguém
Como águia, voar p'lo céu.
Conquistar a Vida
Pois nasceu para voar
Olhos bem despertos
Ouvidos bem abertos
E de emoção gritar
Que és eternamente jovem!

Sofres da passividade
de ver o tempo a passar
Mas na saudade
Sabes o coração reconfortar.

natalia nuno
rosafogo
imagem blog para decoupage

NÃO CANSO



Na solidão deste meu mar
O medo instala-se como nós

Não canso neste encanto de amar
E digo até me enrouquecer a voz.


Em ti vejo o sol brilhar
Quero ver o que não estou vendo
Não canso neste encanto de amar
Olho tua indiferença, não estou crendo


Este o meu derradeiro olhar
Lanço meus murmúrios ao vento
Não canso neste encanto de amar
Tu ficas neste nostálgico lamento.


Não me importo de esperar
Em ti vejo toda a minha vida
Não canso neste encanto de amar
Olhando além do nada, a despedida.


E se meu olhar se apagar
Levo com ele teu corpo de quimera
Não canso neste encanto de amar
Em ti vejo ainda a minha Primavera.


Meu caminho e hora hão-de acabar
Num dia em que o vento vira norte
Não canso neste encanto de amar
Venha o vento me rasgue, traga a morte.


rosafogo
natalia nuno

LINHA A LINHA



Perscruto as profundezas
do teu olhar
E meu coração muda de lugar
Sem que dê pela mudança,
esquece o tempo, julga-se imortal
Cresce nele a esperança,
É seu destino amar
Assim, é fatal.

Para as tristezas afogar
Vai ocultando a sua dor
Seu murmúrio tem o som do mar
Quem o escuta ouve a voz do amor.

Ouve-lhe os segredos
Sente-o perdido em nevoeiro baço
Escondendo os medos
A vida do avesso
Procura acertar o passo
Ai...como eu o conheço!

Mas deste mal eu padeço
Olhar teus olhos bem fundo
E achar que os não mereço?
Se acaba o chão e o mundo.
Resta-me ainda a lembrança
Neste peito nu é ventura
Quando choro me traz bonança
Passa a dor, torna clara a noite escura.

E neste meu viver singelo
Recordo com natural tristeza
Não quero esquecer o que foi belo
Deixo em palavras de singeleza.
E à vida que eu amo tanto
Tanta vez ela me afronta!
Lhe deixo este meu canto
Na esperança,
que a vida não me interrompa.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog para decoupage

sábado, 28 de maio de 2011

Agradecimento

Aos amigos que me costumam comentar
quero agradecer e dizer-vos que não sei o que aconteceu
mas o PC não me permite comentar, no lugar devido.De qualquer
forma aqui fica a minha gratidão.

Um beijo