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quarta-feira, 20 de abril de 2011

ESSA TEIA


Meus sonhos flores desfalecidas
Minhas mãos trago calejadas
Meus olhos duas ilhas perdidas
As ideias de solidão invernadas

Os desejos rios correndo ao mar
No peito o coração já desfeito
Os olhos não permitem estagnar
A mágoa que abarcou meu peito.

Desaba o Mundo sobre a cabeça
Minhas horas são prata desfeita
Eu espero a Vida se compadeça

No coração é quietude que sinto
Mas a morte de mim suspeita
Sempre fujo quando a pressinto.

natalia nuno
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AUSENCIA FORÇADA


Range na porta a fechadura
E eu lembro-te com os olhos da mente
Lembro o som do ranger na hora dura
Da despedida entre a gente.
E me deixas sem palavras e sem norte
Atrás da porta esperando
Que os dias passem e com sorte
A gente se encontre e vá esta dor calando.

A saudade dá frio e eu invento milagre
Escrevo-te palavras para o tempo entreter
Já não basta uma visita p'ra matar a saudade
E esta escrita só me faz doer.

Numa rajada de sabor
Chegas... e faz-se Amor!
As lágrimas me chegam p'la memória
E quantas chegadas e partidas
Houve na nossa história?
Quantos dias contados, quantas portas batidas
O coração batendo, fervendo de vida
Minha memória, está ainda ressentida.
E neste caudal de lamentos
Morro por fim no sítio onde te espero
Com os sentidos magoados p'los momentos
Que ainda recordo com desespero.

Foi uma violência a vida
Mas a semente germinou ainda assim
E com tanta despedida
Nosso Amor não teve fim.

Alguém ficou de lágrima e alegria coagulada
Sentindo o tempo passar determinado
Desisto da aventura por estar cansada?!
Agora que caminho a teu lado?



rosafogo
natalia nuno
todas as imagens são retiradas do
blog imagens para decoupage.


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HORAS CONSUMIDAS


O que tinha p'ra chorar
Por algum motivo cansei
Bate o coração sem parar
Feito em cacos em que o quebrei.
Hoje me esqueço, fico tolhida
Sou até espantalho ao vento
Lembro meu princípio de vida
Com o fim próximo me lamento.

Das estrelas que há no céu
Morre uma de quando em quando
Vou morrendo também eu
Ou a vida me vai deixando.

Reina o desassossego no coração
Tenho nos braços a noite inteira
Vivo com ela em comunhão
E a poesia é nossa cegueira.
Com tantas horas passadas
O meu viver é já uma lenda
Exausta das caminhadas
E de não ter quem me entenda.

Já trago a dor a aflorar
Na minha alma gelada
E no pensamento o ressoar
Duma vida quase acabada.
Ponho o resto da coragem
Neste poema que ninguém lê
Levo no rosto a passagem
Já vou longe e ninguém crê.

E nesta imensa descida
O vendaval deflagrou
Minha hora está consumida
E o Sol ainda mal despontou.
Tudo me parece tão pouco
Se a Vida é isto tudo!?
Trago o pensamento louco
E o coração já mudo.

A solidão me embala!
E a saudade me chama!?
Mas a vida já me abala
Me envolvendo em sua trama.



rosafogo

natalia nuno



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DESVARIOS


Faz tempo, que do tempo, tempo fiz!
Acaba-se o viver e o tempo basta!
Passou o tempo, que foi tempo de ser feliz?!
É agora o tempo, que desse tempo me afasta.

Trago minha alma perdida num deserto
Coração a bater no peito de ansieddade
E ao invés de alegria, a tristeza trago por perto
Nos meus olhos poços de luz , habita a saudade.

Neste tempo, já nem palavras tenho para dar
O tempo me desarma é senhor omnipotente
Cai sobre mim tão bruscamente!
Só a esperança me vem ainda agasalhar.

É o tempo que passa com firmeza, indiferente
O tempo que se infiltra contra minha vontade
Tempo que goteja sombras sobre mim
Cai sobre mim tão bruscamente!
Eu lhe peço e me despeço é já o fim
Tempo do adeus e da saudade

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 19 de abril de 2011

VOU AO FUNDO DAS HORAS



Vou ao fundo da horas
Parece que tudo passou
No fundo da alma, saudade moras
Estendo-te a mão, aqui estou.
Esta noite não tem lua
E há  no ar agoirentos sinais
O que fui outrora?
Não volta jamais!
Nua,
com a cruel realidade
P'la vida fora
Levarei saudade.

Sou flor murcha, amarela

Quem é quer saber dela?
Carrego a saudade
Dolente magoada
Vai suave a tarde
Morrendo daqui a nada

Tudo soa banal!
Como julgar-me imortal?
Esta é a noite da revolta
Uma noite fria
Já não há volta
Meu corpo esfria.

Sou flor murcha, amarela
Quem é quer saber dela?
Carrego a saudade
Dolente magoada
Vai suave a tarde
Morrendo daqui a nada.

Nas horas restantes
Da vida da gente,
Há alguns instantes
Brilhantes como sol no poente
E outras arrastadas pelo vento
Passam por nós em torvelinho
Deixam-nos sem alento
Na solidão do caminho.

natalia nuno
rosafogo

imagem do blog-imagens para decoupage

MIL VEZES SAUDOSA



As mimoseiras se oferecem ao vento
O milheiral é varrido pela brisa
O campo é amarelo e lilás
O meu pensamento
A vida ajuíza
O labirinto das memórias, procurando
paz.
As árvores segredam ao vento
Os segredos da sua floração
E em segredo no meu pensamento
Rememoro amores do meu coração.

O orvalho deixa no caminho um brilho
Sobre as rosas, e seu enredo
Vou prosseguindo meu trilho
Andarilho, a medo.
Há um pássaro riscando o céu
Deixando o eco do seu piar
E no coração que é meu
Este constante agitar.

É como uma brasa que se acende
Na memória a infância é coisa abstracta
É frémito no meu coração que sente
E a saudade mata.

Este tempo a vincar-me os traços
A trair-me os passos
A trair-me a memória
Na busca de lembranças queridas
Vai longe o tempo de glória
e das lembranças estremecidas.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

AS MINHAS PALAVRAS



Sou filha duma manhã de bruma
Cheguei ao Mundo sem nada
Sem nada, sem coisa alguma!
Coisa nenhuma para o Mundo,
significava.
As horas passavam, a noite avançava
Eu frágil , delicada
O Mundo me fascinava!
E eu era nada ou quase nada.

Observei todas as coisas
Ouvi coisas e loisas
Fiquei de rosto tenso
E trazia mistérios por revelar
Trazia a alma inquieta
E um sonho imenso
Não deixar a palavra amordaçar.
A palavra, a minha arma predilecta.

E assim as palavras, as minhas
São cruéis, de ternura, delicadas
ou de saudade
Coloridas como faúlhas, a crepitar
São palavras de verdade!
Não as quero embaraçadas,
amordaçadas,
Quero-as, livres, cuidadas,
para ao Mundo
as deixar.

natalia nuno
rosafogo
imagens-blog imagens para decoupage.