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terça-feira, 19 de abril de 2011

MIL VEZES SAUDOSA



As mimoseiras se oferecem ao vento
O milheiral é varrido pela brisa
O campo é amarelo e lilás
O meu pensamento
A vida ajuíza
O labirinto das memórias, procurando
paz.
As árvores segredam ao vento
Os segredos da sua floração
E em segredo no meu pensamento
Rememoro amores do meu coração.

O orvalho deixa no caminho um brilho
Sobre as rosas, e seu enredo
Vou prosseguindo meu trilho
Andarilho, a medo.
Há um pássaro riscando o céu
Deixando o eco do seu piar
E no coração que é meu
Este constante agitar.

É como uma brasa que se acende
Na memória a infância é coisa abstracta
É frémito no meu coração que sente
E a saudade mata.

Este tempo a vincar-me os traços
A trair-me os passos
A trair-me a memória
Na busca de lembranças queridas
Vai longe o tempo de glória
e das lembranças estremecidas.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

AS MINHAS PALAVRAS



Sou filha duma manhã de bruma
Cheguei ao Mundo sem nada
Sem nada, sem coisa alguma!
Coisa nenhuma para o Mundo,
significava.
As horas passavam, a noite avançava
Eu frágil , delicada
O Mundo me fascinava!
E eu era nada ou quase nada.

Observei todas as coisas
Ouvi coisas e loisas
Fiquei de rosto tenso
E trazia mistérios por revelar
Trazia a alma inquieta
E um sonho imenso
Não deixar a palavra amordaçar.
A palavra, a minha arma predilecta.

E assim as palavras, as minhas
São cruéis, de ternura, delicadas
ou de saudade
Coloridas como faúlhas, a crepitar
São palavras de verdade!
Não as quero embaraçadas,
amordaçadas,
Quero-as, livres, cuidadas,
para ao Mundo
as deixar.

natalia nuno
rosafogo
imagens-blog imagens para decoupage.

EMPURRO A NOITE

Às vezes me encho de raiva
Fico inventando felicidade
Quero que o Mundo saiba
Que sou criança, só confundi a idade!
Solto meus anjos e demónios
Esqueço as insignificâncias da vida
Meus risos são infinitos.
Meus choros?! Esses, malditos!
A vida é coisa esquecida
No meio das coisas perdidas.
Mas não me dou por vencida!

Empurro a noite, levo-a á minha frente
Já me perco da realidade
Esqueço o passado e até o presente
Conservo só o sabor da saudade.
Criança sou?!
Ou esqueci a idade?
Lembro agora, só sombra já estou!
Encontrei a minha verdade.

rosafogo

domingo, 17 de abril de 2011

QUEM É ESTA MULHER?












Quem é esta mulher
Desajeitada?
Que comigo não se parece em nada.
Que é como outra qualquer
Maria com outro apelido
Que anda à toa sem saber
E para quem a vida não faz sentido.

Quem é esta mulher
Desajeitada e infantil?
Talvez tenha algo a ver
Com a que sonha, sonhos mil.
Apaixonada pela magia
Do Mundo que a rodeia
E pela poesia,
que a prende em sua teia.

Quem é esta mulher?
É personagem antiga, reza a lenda!
Que à poesia vai recorrer,
e ao orvalho caído das alturas.
A que procura alguém que a entenda
Nas fantasias e loucuras.

Já sei quem é esta mulher!
A quem os sonhos foram desflorados
Que revela não ser compreendida
Nos sonhos mágicos encantados
E se queixa do salto vertiginoso da vida.

Já sei quem é esta mulher
Que abre sem cessar caminho
À conquista do seu dia
Despreza tudo o que é mesquinho
Escreve a tristeza, vive a alegria.
À conquista do seu destino,
Que um dia cintila
E no outro vacila
Com passos de peregrino
Um dia vai moribunda
No outro o Sol a circunda
Que a mim não se parece em nada.
Mas é nela a minha morada.


natalia nuno
rosafogo

sábado, 16 de abril de 2011

BANCO DO JARDIM

flowergarden-sm~moon_thumb[6]

Banco do jardim solitário que nem eu
Só velhas arvores te fazem companhia
Nestas noites sem estrelas, nem o céu!
Quer saber de ti, completa tua nostalgia.

Quantos sonhos, quantos amores aqui
Tu ouviste na paixão de quem se entrega
Assenta agora o vento a poeira em ti!
Eu te canto esta saudade de amor cega.

Banco do jardim, bem pertinho do coreto
Com meu coração lembrando faço soneto
De quando o luar em ti ainda era suavidade

Reúno lembranças, minhas memórias de ti
Sonho sem cessar lembro amores que  vivi
Banco do jardim, te recordo com saudade.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

QUE DEUS ME VALHA



Hoje descanso os remos
Não faço um gesto sequer
Deito-me no fundo do barco
E neste mar vou adormecer.
E venha quem vier
Até o tempo pode vir!
Confundir a minha cabeça,
Colocar-me no fio da navalha
Que eu zombarei, tenho certeza.
E que DEUS me valha.

Embalada pelo vento?!
Que Deus me valha!
Que hoje não estou para ninguém
Libertei-me do pensamento
Hoje quero ficar aquém
Que importa o fio da navalha?

Escrevo para mim mesmo
Neste silêncio que me cobre
e me aquece.
Como cinzas ainda quentes,
do resto dum lume pobre.
Dum fogo que ainda aparece
Mas só na escrita permanece.

Escrevo, a efusão dos sentimentos,
Amanhã não será diferente
Sem abatimentos
Em silenciosas horas
Escreverei com vontade
Com devoção de corpo e alma
sobre a saudade!

Hoje descanso os remos!
Ouço melodias por outros tocadas
Descanso as mãos de canseiras carregadas.
Procuro na memória caminhar
Mesmo aquela que me faz chorar
Pode parecer obsessivo
Mas é com as lembranças que vivo.

Tocam as teclas dum piano
Enquanto vai passando mais um ano.
Meus olhos sem se fixarem em nada!
Porque hoje  a palavra é soluço abafado
Meu coração bate de forma delicada
E na memória trago o eco do passado.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog imagens para decoupage

sexta-feira, 15 de abril de 2011

SE O RELÓGIO PARAR



Enquanto na luz dançam grãos de poeira
E o relógio taquetaqueia
Eu medito cansada e absorta
Sentada, com o livro à minha beira
Haja quem leia!
Que hoje não leio nada, estou morta.

Estou o tempo a controlar!
Ele que tanto me contraria
Mas se o relógio parar
E a poeira assentar
Talvez escreva poesia.

Não faço ideia da hora
A Vida está toda na minha mente
Agora até ela me ignora
Me dá sempre uma resposta diferente.

Gosta de me desencorajar
E o relógio continua a taquetaquear.

À minha frente minha chávena de chá
Olho fixamente a janela
Sózinha! Tanto se me dá!
Que ninguém se aproxime dela.
Escrevo meias palavras e ao de leve!?
Bebo meu chá, e um suspiro me susteve,
de dar um grito, prefiro a serenidade
Assim me deixo na sombra da tarde.

E o tempo tanto me contraria
Mas o relógio parou
A poeira assentou
E eu escrevi esta poesia.
Poesia de saudade!

rosafogo