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quinta-feira, 14 de abril de 2011

HOJE HÁ UMA RAZÃO



Não deixo o olhar perder-se na tristeza
Procuro a felicidade
Procuro nas rosas a beleza
E na saudade?
Colho lágrimas de orvalho frio
Que vêm não sei de onde
Correm no meu rosto em desvario
Mas são lágrimas de alegria
que não esconde.

Porque hoje há uma razão
Uma alegria que não se nega
Trago chamas vivas
de amor no coração
E este amor... meu amor,
faço-te entrega.

Diz que me amas que eu preciso
Diz que me queres, outra vez me diz!
Faz florescer nos meus olhos o sorriso
Que eu a mesma sou,
a mesma que sempre te quiz.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.

FAÇO DE CONTA



No espelho, já só resta o vidro
Em mim o silêncio me habita
Saudade branda, rosto esquecido.
E o sabor acre da desdita.
Bebo a taça a transbordar
O resto que de mim sobrou
Levo a vida a representar
Que sou, o que já não sou.

Digo adeus num aceno furtivo
À vida que foge a cada instante
Que eu sei já não muita, mas vivo,
A um emurchecer... semelhante.
Só as lembranças me detêm
Pois perdi o rumo
Não sei de onde as forças me vêm
Na vida que me leva, que é fumo.

Faço de conta que ignoro
O que sou, e o espelho quer
Por um pouco de paz imploro
Pedindo aos olhos que esqueçam de ver.
Sonho-me como é minha vontade
Salto a imagem do espelho obscurecida
No interior do meu olhar a saudade
Esqueço o tempo e a vida
Conspiro contra a realidade.

rosafogo
natalia nuno
imagem-imagens para decoupage

PARA TI



O que resta de ti e de mim
É esta recordação que não acaba
Fogo posto a arder sem fim!
Quando o fim sobre nós desaba.
Como uma guerra que se ganha
Neste Outono, quase perdido
Resta a saudade que é tamanha!
Da lembrança do amor vivido.

Morre-se a cada instante
Até nos abraços que trocamos
Mas o teu fogo já distante
Ainda me acende quando nos amamos.
Sonhámos sempre com o dia seguinte
Como se o presente não nos bastasse
Pedindo amor, como roga esmola, um pedinte
Como se o sonho do tempo nos libertasse.

Tu, és ainda a minha paragem
E eu o tecto, onde tu te abrigas
Rendidos ao amor nesta viagem
São para ti minhas palavras amigas.
Vamos sair à rua de mãos dadas!
Pondo um final feliz na nossa história
Esquecemos as rugas, já vincadas
Numa entrega de amor igual ao da memória.

rosafogo
natalia nuno
poema do ano 2001

imagem do blog-imagens para decoupage

quarta-feira, 13 de abril de 2011

POEMA DE AMOR



A velocidade do vento traz o odor
Que chega a mim puro e leve
Na recordação do nosso amor
Ainda a memória se atreve.
Um perfume, um sabor
Um momento vivido
Que é presente, foi passado
Tempo puro, eterno, querido
Tempo de todos os sentidos
Ao amor dedicado.

O tempo tenta abalar a solidez
Como se já tivesse triunfado
Mas ainda não chegou a vez
Nosso amor é sólido e perpetuado.

Pelo Sol iluminado
Sem qualquer vestígio de treva
E tanto o nosso cuidado
Não venha a morte e se atreva.
A frescura primaveril passou
Sobra uma agradável loucura
E a saudade que ficou
Nos corações com ternura.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 12 de abril de 2011

CALEM-SE OS SINOS



Hoje esperei que os sinos se calassem
Pelo silêncio  ainda espero
Talvez até ... que se me amassem?!
Esquecesse as badaladas de desespero.

Fico neste torpor
Embalada pelo vento
De espírito vazio
Coração vazio de amor
Vazio o pensamento
Contemplo o vôo dos pássaros incessante.
Rezo umas Avé-Marias
Vou espiando outros dias
Presa a outros instantes.

Quando os sinos se calarem?
E os tempos me levarem?
Liberto meu  pensamento,
Qua anda parado, estonteado...
E os anjos cantarão meu sono
Ao mar e ao vento.
Palavras ficarão ao abandono
Em silêncio...

No silêncio dum pedestal.
Saborearei  o resto com suavidade
E não me levem a mal
Quero lembrar a flor da idade
Demoradamente
Com saudade
Como se fossem tempo presente.

E depois se voltar a acordar?
Uma alma nova vou achar.

O tempo me apunhala o coração
Jovem tinha a ilusão da eternidade
Mas a juventude, já é ela uma ilusão!
Que acabou, deikxando saudade.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 9 de abril de 2011

MAIS UM DIA



Sinto-me tão cheia de vazios
Hoje fiquei com menos um dia
de vida
Tantos foram... perdi-os!
Ficou minha mágoa comprida.
Mais um dia que conta
Menos um dia na conta
Vou o tempo rasgando
Já me enegrecem as asas
Vai a Vida enfarruscando
Penas minhas são brasas.

Porque a verdade é só uma
Hoje mais um dia se foi!
Não é mais um, coisa nenhuma
É menos um ...e me doi!

Apelo aos meus sentidos
O ouvido não quer ouvir
Diz serem meus sonhos desmedidos
Não ouve, nem quer sentir.
Apelo ao tacto, ao olfacto
Todos no tempo distante
Ficaram-se p'lo vôo das andorinhas
Só meu coração amante
Ouve as tristezas minhas.

Às vezes me sinto com algum talento
Escrevo com alguma qualidade
Mas logo perco o alento
Se me ignora a saudade.

A Poesia é como um vitral
Ornado que se olha iluminado
Um altar numa catedral
Onde Deus mora e é amado.
Por isso a escrevo sem parar
Meus versos me bebem o sangue
Julguei ter forças para andar
Vou escrever até me sentir exangue.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

NA PENUMBRA

Векторные фоны

O quarto envolto em trevas
Uma chávena de chá
Olhos que se fecham já.
O sono, me leva
Para um outro olhar repousante
Onde o emaranhado da Vida
se desfaz.
Num instante,
fico em paz.

Adormecidos os pensamentos
de dor ou de alegria
Tudo passa livremente
Até ser dia
novamente.

Assim fico como folha caída
inerte esquecida
num estado vegetativo
Numa luz suave, atenuada
a memória velada.
Mas com o coração bem vivo.

É como perder o eu
É como ficar no céu.

Num sono profundo
Eu viajo pelo Mundo
Na mesinha o relógio indiferente
No seu tic-tac continua
Fingindo que nem sente
Que a hora de acordar é sua.
Não mexem cortinados, nada!
O espelho mostra a sua hostilidade
E eu vejo-me ameaçada
De acordar me foge a vontade.

Lá fica meu coração a bater
Ao espelho peço compaixão
Pois já nem quero saber
Se sou morte ou ressureição.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage