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quinta-feira, 14 de abril de 2011

PARA TI



O que resta de ti e de mim
É esta recordação que não acaba
Fogo posto a arder sem fim!
Quando o fim sobre nós desaba.
Como uma guerra que se ganha
Neste Outono, quase perdido
Resta a saudade que é tamanha!
Da lembrança do amor vivido.

Morre-se a cada instante
Até nos abraços que trocamos
Mas o teu fogo já distante
Ainda me acende quando nos amamos.
Sonhámos sempre com o dia seguinte
Como se o presente não nos bastasse
Pedindo amor, como roga esmola, um pedinte
Como se o sonho do tempo nos libertasse.

Tu, és ainda a minha paragem
E eu o tecto, onde tu te abrigas
Rendidos ao amor nesta viagem
São para ti minhas palavras amigas.
Vamos sair à rua de mãos dadas!
Pondo um final feliz na nossa história
Esquecemos as rugas, já vincadas
Numa entrega de amor igual ao da memória.

rosafogo
natalia nuno
poema do ano 2001

imagem do blog-imagens para decoupage

quarta-feira, 13 de abril de 2011

POEMA DE AMOR



A velocidade do vento traz o odor
Que chega a mim puro e leve
Na recordação do nosso amor
Ainda a memória se atreve.
Um perfume, um sabor
Um momento vivido
Que é presente, foi passado
Tempo puro, eterno, querido
Tempo de todos os sentidos
Ao amor dedicado.

O tempo tenta abalar a solidez
Como se já tivesse triunfado
Mas ainda não chegou a vez
Nosso amor é sólido e perpetuado.

Pelo Sol iluminado
Sem qualquer vestígio de treva
E tanto o nosso cuidado
Não venha a morte e se atreva.
A frescura primaveril passou
Sobra uma agradável loucura
E a saudade que ficou
Nos corações com ternura.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 12 de abril de 2011

CALEM-SE OS SINOS



Hoje esperei que os sinos se calassem
Pelo silêncio  ainda espero
Talvez até ... que se me amassem?!
Esquecesse as badaladas de desespero.

Fico neste torpor
Embalada pelo vento
De espírito vazio
Coração vazio de amor
Vazio o pensamento
Contemplo o vôo dos pássaros incessante.
Rezo umas Avé-Marias
Vou espiando outros dias
Presa a outros instantes.

Quando os sinos se calarem?
E os tempos me levarem?
Liberto meu  pensamento,
Qua anda parado, estonteado...
E os anjos cantarão meu sono
Ao mar e ao vento.
Palavras ficarão ao abandono
Em silêncio...

No silêncio dum pedestal.
Saborearei  o resto com suavidade
E não me levem a mal
Quero lembrar a flor da idade
Demoradamente
Com saudade
Como se fossem tempo presente.

E depois se voltar a acordar?
Uma alma nova vou achar.

O tempo me apunhala o coração
Jovem tinha a ilusão da eternidade
Mas a juventude, já é ela uma ilusão!
Que acabou, deikxando saudade.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 9 de abril de 2011

MAIS UM DIA



Sinto-me tão cheia de vazios
Hoje fiquei com menos um dia
de vida
Tantos foram... perdi-os!
Ficou minha mágoa comprida.
Mais um dia que conta
Menos um dia na conta
Vou o tempo rasgando
Já me enegrecem as asas
Vai a Vida enfarruscando
Penas minhas são brasas.

Porque a verdade é só uma
Hoje mais um dia se foi!
Não é mais um, coisa nenhuma
É menos um ...e me doi!

Apelo aos meus sentidos
O ouvido não quer ouvir
Diz serem meus sonhos desmedidos
Não ouve, nem quer sentir.
Apelo ao tacto, ao olfacto
Todos no tempo distante
Ficaram-se p'lo vôo das andorinhas
Só meu coração amante
Ouve as tristezas minhas.

Às vezes me sinto com algum talento
Escrevo com alguma qualidade
Mas logo perco o alento
Se me ignora a saudade.

A Poesia é como um vitral
Ornado que se olha iluminado
Um altar numa catedral
Onde Deus mora e é amado.
Por isso a escrevo sem parar
Meus versos me bebem o sangue
Julguei ter forças para andar
Vou escrever até me sentir exangue.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

NA PENUMBRA

Векторные фоны

O quarto envolto em trevas
Uma chávena de chá
Olhos que se fecham já.
O sono, me leva
Para um outro olhar repousante
Onde o emaranhado da Vida
se desfaz.
Num instante,
fico em paz.

Adormecidos os pensamentos
de dor ou de alegria
Tudo passa livremente
Até ser dia
novamente.

Assim fico como folha caída
inerte esquecida
num estado vegetativo
Numa luz suave, atenuada
a memória velada.
Mas com o coração bem vivo.

É como perder o eu
É como ficar no céu.

Num sono profundo
Eu viajo pelo Mundo
Na mesinha o relógio indiferente
No seu tic-tac continua
Fingindo que nem sente
Que a hora de acordar é sua.
Não mexem cortinados, nada!
O espelho mostra a sua hostilidade
E eu vejo-me ameaçada
De acordar me foge a vontade.

Lá fica meu coração a bater
Ao espelho peço compaixão
Pois já nem quero saber
Se sou morte ou ressureição.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BATE LEVEMENTE



Hoje é demasiado brando o vento
Do sol um resto de suavidade
Se arrastam nuvens sem alento
E em mim se arrasta a saudade.
No ocaso o Sol inflama
Com seus raios tranquilos de sono
Já se apaga em mim a chama
Na vida consumida
Me abandono.

Vou enchendo folhas
Com a mão nervosa
Evito olhar quando me olhas
Como se eu ainda fosse uma rosa.

Multiplicam-se no pensamento
Mil e uma ideias
A olhar as macieiras me sento
De primavera tão cheias!
E eu num Outono sem alento.
Os anos me marcaram a Vida
Também a infância e os livros
E tudo quanto amei, estremecida
Todos continuam para mim vivos.

Ouço o voo dos pássaros, incessante
Isolada me deixo na natureza
Meu espírito vazio por instante
E meu pensamento sem nenhuma certeza.

Seria bom dormir
P'lo vento embalada
Deixar-me ir...
Mas brando ele está hoje!
Nem mexe a ramada
Nem uma aragem
Levou minha imagem
E já a vida me foge.

Vai o Sol a desaparecer,
Saio do meu torpor
Só para te ver,
Mais uma vez meu AMOR.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 7 de abril de 2011

JÁ OS VENTOS ME FUSTIGAM




Memória e desmemória
Labitrinto de sombras e visões
Meus dedos palpitando na escrita
Já não sei se vivo só de ilusões.

Se é sorte ou desdita
Andar na penumbra adormecida
Nesta sombra encadeada
Solitária sem saída.
Como lágrima desprezada.

Uma e outra vez
Sempre o mesmo pensar
O tempo me tráz surdez,
passa por mim...a correr
Exala avareza, sinto-o passar.
Indefesa, como posso compreender?
Desunindo-me do Mundo
Com afiado gume
deixando-me golpe profundo.

Já os tempos me castigam
Já as manhãs não me abrem as portas
Já os ventos me fustigam
Calafrios nas horas mortas.
O silêncio?
Espreguiça-se nos meus ouvidos
E as palavras vão nascendo
Vão-me fugindo os sentidos
Como estrelas vão morrendo!

Tudo como relâmpago fugiu
Tudo como labareda se apagou
O sonho, onde está? Alguém o viu?
Também ele p'los meus versos passou.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage.