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quarta-feira, 6 de abril de 2011

PRIMAVERA DA VIDA


Disponho apenas da espera
Dum som, dum odor
Ou dum sabor.
Para relembrar a Primavera.
Primavera da vida
Um mito feito nada
Migalha já escurecida
Me sinto injustiçada.

Paira sobre a minha memória
Uma figura graciosa
Que brota como uma rosa
Que aparece
Desaparece
Testemunha da minha história.

É ela que me conduz ao destino
Dela me vem a força e a vontade
Me põe neste desatino
Ao acaso da saudade.

Nada está morto na mente
E a minha alma está em todo o lado
Meu coração assim sente
Derrama amor ao lembrar o passado.
Os sonhos se desvanecem,
São efémeras constelações
Mas as recordações?
Essas não perecem!

Foi ontem era menina
Ainda estou dela a dois passos
Aperto-a contra o peito
Envolvo-a nos meus abraços
E até horas tardias
Bem do meu jeito
Vou sonhando fantasias
Nesta doce passividade
Acorrentada, livremente á saudade.

natalia nuno
rosafogo

Imagem ret. do blog-imagens para decoupage.

terça-feira, 5 de abril de 2011

RENASCEM RECORDAÇÕES



Renascem
na memória recordações
E é nelas que eu respiro, vivo,
me tranquilizo
São verdadeiras emoções
Nelas que me inspiro sempre
que preciso!

Nelas minha poesia idealizo.

Renascem e,
Mitigam-me as angústias e esqueço,
Redescubro o gosto de viver
Me reconfortam e nelas adormeço.
São memórias que não vou nunca esquecer.
Eliminam minhas desarmonias
Aliviam minhas tensões
Ajudam a passar meus dias
São verdadeiras emoções.

E no silêncio e tranquilidade
Esqueço ruídos e pesadelos
Ás vezes me sinto longe, eu e a saudade
Perto da criança que ainda me faz apelos.

rosafogo
natalia nuno

imagem-blog imagem decoupage

MEMÓRIA DUM TEMPO



Ao Sol, à chuva, na neblina,
na noite ou sob o voo das andorinhas
Vou sonhando, sonho de menina
Imersa em fantasias minhas.
Trago em mim
A espessura dos anos,
Escrevi mágoas e desenganos
Assim:
Trago meu livro inacabado,
Fiz apenas um esboço
O resto trago calado
Feito nada, no fundo dum poço.

Sem esforço de rememoração
Já tantos anos á distância
Ainda desperta a recordação
Dos dias felizes da infância.

Ao acaso surgem livres na minha mente
Tão livres como vôos de andorinhas
Repetem-se insistentemente
Expontaneamente
Estas memórias minhas.
Ao revê-las sempre uma nova alegria
Varro cuidadosamente a memória
Quero-a leve, quero lembrar cada dia
Cada página da minha história.

Quando a memória tiver sono
Serei um mar sem governo
Uma voz no tempo ao abandono
Num sono para sempre eterno.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LEMBRANÇA COR DE AÇAFRÃO



Pululam flores leves e abundantes
Flores espalhadas com a cor do açafrão
Outras de tom lilás
Lembram-me finos caracóis, por instantes
E a saudade me leva lá atrás.
Quando mal pisava o chão.

Lembranças em vaivém,
Um perfume acariciador
Que exala aqui e além
De prazer e de dor.

Uma lembrança trémula e cintilante
Como uma pedrinha azul, turva já
Meu olhar a capta neste instante
Com fidelidade a vê por lá.

O pensamento é o grande doador
Aflora e desencadeia a lembrança
E eu ainda amo a criança
Sinto-me dela prisioneira
Lhe tenho amor,
A recordo como a uma flor
Que bem cheira.

Só a memória é a ponte
Que a ela me conduz
É tão doce voltar à fonte
Ficar absorvida na luz.

A ausência se torna presença e então!?
Volto a olhar as flores cor de açafrão
Da lembrança, breve felicidade
E muita, muita a saudade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

LAMENTOS DE POETA



Trazia as mãos pejadas de sonhos
Os sonhos repletos de promessas
Endoidecidos os dias, tão risonhos
Numa solicitude pedindo meças.
Mas os passos tornam-se pesados
As gargalhadas vão ficando apertadas
Ao desespero enlaçadas
Assim mirram os sonhos desgrenhados.

E a vida se fecha sem aviso
Marcada p'la nostalgia
Vincadas as rugas, é preciso
tolerá-las dia após dia.

Pensamentos em desalinho
Já não guardam segredo
Não sabem nada do caminho
Mas vão-no seguindo a medo.

Não me falem com palavras piedosas
Nem me digam só o que me convém
Prefiro engolir palavras audaciosas
Digam...digam que não sou ninguém!
Deixem-me partir cansada
Deixem que me vá embora
Com o rosto em pranto calada
Deixem-me no meu refúgio por agora.

Trago as mãos inábeis como ventos
Cruzo os braços e medito, a sós!
Ouço Cânticos de Poeta, lamentos
Que são rios que me correm na voz.


rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 31 de março de 2011

CHOVE NA ALMA



Tanta inquietude da minha alma
É agora um grito desesperado
É bruma de Outono que não acalma
Impelida por um vento desolado.
Um dia soluço de alegria
Outro choro de alma partida
Cresce em mim a melancolia
E esqueço a  beleza da vida.

Turva-se o olhar
Que a tudo fica alheio
Como se alegria e dor se pudessem comparar
Como se vida e morte, fossem cântico ou gorgeio.
Minhas mãos ergo-as a tremer
Ao céu que minha alma habita
Já a vida não tem nada a me oferecer
Mas o sonho ainda acredita.

Este sol que tantos anos me aqueceu
Esta sede infinita que me abrasa
O viver que estranhamente me esqueceu
Este subir e descer, batendo asa.

Na minha alma chove já
Se eu soubesse porque espero?!
E esta noite que não voltará
E esta falta de tudo que é desespero.

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 30 de março de 2011

PAR DE LÁGRIMAS NO ROSTO



Com meus dedos de pomba toco
Toco o horizonte, à noitinha
E com meu soluço rouco
Espalho a tristeza minha.
Nos olhos a ausência de esperança
A voz solta-se num canto amargo
Desamparada, sou uma nuvem branca
Perdida nessa imensidão, ao largo.

É a saudade que em mim cava
Ruína, profunda que me arrebata
Meu pensamento uma luta trava
E a vida que não ata nem desata.

Cabelos brancos, pedaços de prata
No rosto a cor dos dias de marfim
rosto que não sabe dia nem data
Nem me conhece a mim.
Sabe que foi sol...e agora?!
Brilha por detrás da chuva ,
Com o olhar cego, parado..
Consumindo-se hora a hora
Com rugas de amargor carregado.

Há-de vir um céu descoberto
Trazer-lhe uma esperança preciosa
E no pranto que anda por perto
Um par de lágrimas prontas a cair
Silenciosas!
Que bailam, livres,
porque não quer, nem sabe reprimir.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog- imagem de rosas e flores