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quinta-feira, 17 de março de 2011

DIGAM...DIGAM!



Sou quase analfabeta é bem verdade
Mas escrever é o meu papel
Trago poesia entranhada na pele
E em mim trago a saudade.
Digam, façam acusação!
Pois que falem, é a realidade
Trago a poesia no coração
E a escrevo com ingenuidade.

Trago meus sentidos embotados
Desta dor só Deus sabe!
Meus versos não ficarão calados
Cantarão a mágoa que em mim já não cabe.
Meus olhos se perderam
Sabe-se lá por onde!
Os sorrisos se esconderam
Restam vestígios que o rosto esconde.

Quando toma conta
de mim a nostalgia
Choro de noite, sorrio de dia!
E assim a vida corre,
Enrolada num torpor,
Como balde de água fria
Ou um sonho sem sabor.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 16 de março de 2011

PÁGINAS DO MEU VIVER



As minhas poesias
São páginas do meu viver.
Da Vida contam os dias
Crescem nas minhas entranhas
São sonhos e quimeras tamanhas
Que no pensamento estremecem
E como rosas fenecem.
E ao morrer?!
Levam com elas, tristezas e alegrias.

Surgem das nascentes
da minha vontade
Dum rio que corre em mim
Suas margens e afluentes
São a saudade
Que vai crescendo assim.
Fazendo-me viver,
sem se importar ao que vim.

São como a força imparável do vento
São livres como  nuvem passageira
São pássaros brancos em lamentos
Voando p'lo Mundo sem eira nem beira.

Minhas poesias são madrugadas
São tardes vestidas de azul
Relampagos, raios, trovoadas
São este, oeste, norte e sul.
Gemidos desde o dia em que nasci
Rumores, insistências, são pão!
Elas aí estão falam por si.
Atravessam a memória sem rumo
São a lenha, o fogo, o fumo
Ardendo em  mim,
procurando seu chão.

Minhas poesias são palavras perdidas
Palavras achadas
Sentidas
Amadas.

São becos sem regresso
Caminhos onde a saudade tem crescido
São a distância que meço
Da criança que sonhou e
tem seu sonho perdido.

natalia nuno
rosafogo

imagem ret.Blog-imagens para decoupage

terça-feira, 15 de março de 2011

POETA DE MERDA



Quando eu morrer
Não quero nem uma rosa arrancada
Nem da rosa um só espinho
Não quero ser perturbada
No silêncio do meu caminho.
Continuarei a poesia inacabada
Nem me perguntem como sei
Eu afinal não sei nada!
Mas nem lágrimas quererei.

E se coragem houver
Digam agora
que sou poeta de merda
Nesta hora,
Haja quem diga o que lhe aprouver
Porque depois é simples perda.
Digam, que escrevo
e não deixo nada.
Que só me atrevo
A falar de saudade
Que a  poesia é água parada
Correndo às vezes com intensidade.

Levo-a guardada
No silêncio do coração
E na minha alma desordenada
E ainda que não valha nada!
Vou querer sempre tê-la à mão.
Digam que sou Poeta louco
Mais um que da terra se afasta
Que o vosso ruído será muito pouco!
Pois vôo sem asas e isso me basta.

Pela última vez vos proponho
Que digam mal aqui e agora
Ou deixem-me de vez o sonho
O único que resta, agora que vou embora.

rosafogo
natalia nuno

RECORDAÇÕES EM TROPEL



Quando me vejo ao espelho
São duas figuras na escuridão
A que vejo não conheço...
O espelho é velho!
Porque há-de querer tirar-me a ilusão?
Dizendo que sou a que não pareço.

Nem um arremesso de sorriso
Tiro conforto da solidão
Tomada de alegria infantil, sem juízo
Esqueço a outra e sossego o coração.

Perco-me nas recordações
Aceito a dávida que Deus me deu
Pego nas rédeas das ilusões
E faço do Mundo, um Mundo só meu.

Deixo meu pensamento louco
Borboletear como borboleta em ilusão
Ausentar-se, tocar o deserto
e a pouco e pouco
Aconchegar-se na solidão
Sentindo o futuro tão perto.

Tal como a Terra, p'lo peso esmagada
Da Vida e da Morte a passar por si
A minha alma se deixa calada
Enquanto a Lua surge e sorri.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. blog imagens p/ decoupage

segunda-feira, 14 de março de 2011

CANTANDO DIZIA EU



Florescem árvores velhas e novas
E em mim floresce a vontade
Vontade de lavrar novas trovas
Ao Amor e à Saudade.

É o meu grito, o meu desejo
O grito que sustenta o meu querer
Queimando dentro de mim
Sem fim!
Em entrelinhas me vejo
Ainda a florescer
Tentando a vida entender.

Lembranças bem inocentes
Como estrelinhas trementes.

Ao longe o sol-poente
Dourado como uma brasa
Não é só sol, é meu sangue quente
Com a loucura que me abrasa
Meu pensamento, sobe ligeiro no espaço
E tem tanto que contar
Para quem quiser ouvir...
Ato meu cabelo com laço
Ao passado vou voltar
E esqueço o porvir.

Floresce em mim a vontade
Quero cantar todo o dia
Coisas que falem de amor!
Até me doer a saudade
Se acabe em mim a fantasia
Ou que o sonho me cause dor.

Descalça correndo
Como fazia ao desafio
Ah...como ainda me estou vendo!
Ainda corre em mim esse rio.

natalia nuno
rosafogo

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

domingo, 13 de março de 2011

PALAVRAS ESCRITAS



Falta de vontade
Ou incapacidade de viver?
Falta de doçura na memória?
Ou tão sómente saudade?
Ou inquieta ternura de querer
Revisitar minha história.

O coração cansado
Mas a coragem não derrotada
O passo mais lento e pesado
A alegria às vezes murchada.

Meus olhos baços
Meus gestos agitados
Preocupações, embaraços
Sonhos de esperança privados.
Lembranças de tantas horas
Lembranças que ainda penso e vivo
Que vão e vêm sem demoras
Ao pensamento feito crivo.

À angústia não vou ceder
Medito nesta decisão
Não quero, não quero morrer
Tamanha tormenta esta obsessão.

Sempre triste, magoada?
Meus sonhos já desabando?
A vida passou foi um pequeno nada
Mitigo a angústia chorando.
Nestes versos que escrevo
Tão sentidos quanto eu
Deixo meus ais meu medo
Alguém lembrará quem escreveu?

Redescubro o gosto pela vida
Me acalmam as palavras escritas
Depois da estrada percorrida
Lembranças cada vez mais infinitas.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 11 de março de 2011

POUCO A POUCO



Hóspede amargo
este silencio louco.
Branda agonia repetida
que me consome pouco a pouco.

A vida é um lenço agitado
entre gemidos e ais
Um silêncio ajoelhado
Cercado de horas
severas por demais.

Reza-se a oração
sem esperança,
A palavra é uma janela que se abre
no coração,
E não há quem a lágrima trave
num olhar triste de criança.

Só as estrelas sustêm
A sede e o abraço
que à Vida nos prende.
E sempre que as noites vêem
Abraçam o abrasado espaço
Vigiam os céus azuis da mente.
Tomada de cansaço.

A Vida é, uma árvore perdida
Talvez uma amendoeira em flor
Donzela, que um dia ficará ressequida
Cuja fragância e beleza vão perdendo fulgor.

natalia nuno
rosafogo
retirada- blog imagem para decoupage