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terça-feira, 15 de março de 2011

RECORDAÇÕES EM TROPEL



Quando me vejo ao espelho
São duas figuras na escuridão
A que vejo não conheço...
O espelho é velho!
Porque há-de querer tirar-me a ilusão?
Dizendo que sou a que não pareço.

Nem um arremesso de sorriso
Tiro conforto da solidão
Tomada de alegria infantil, sem juízo
Esqueço a outra e sossego o coração.

Perco-me nas recordações
Aceito a dávida que Deus me deu
Pego nas rédeas das ilusões
E faço do Mundo, um Mundo só meu.

Deixo meu pensamento louco
Borboletear como borboleta em ilusão
Ausentar-se, tocar o deserto
e a pouco e pouco
Aconchegar-se na solidão
Sentindo o futuro tão perto.

Tal como a Terra, p'lo peso esmagada
Da Vida e da Morte a passar por si
A minha alma se deixa calada
Enquanto a Lua surge e sorri.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. blog imagens p/ decoupage

segunda-feira, 14 de março de 2011

CANTANDO DIZIA EU



Florescem árvores velhas e novas
E em mim floresce a vontade
Vontade de lavrar novas trovas
Ao Amor e à Saudade.

É o meu grito, o meu desejo
O grito que sustenta o meu querer
Queimando dentro de mim
Sem fim!
Em entrelinhas me vejo
Ainda a florescer
Tentando a vida entender.

Lembranças bem inocentes
Como estrelinhas trementes.

Ao longe o sol-poente
Dourado como uma brasa
Não é só sol, é meu sangue quente
Com a loucura que me abrasa
Meu pensamento, sobe ligeiro no espaço
E tem tanto que contar
Para quem quiser ouvir...
Ato meu cabelo com laço
Ao passado vou voltar
E esqueço o porvir.

Floresce em mim a vontade
Quero cantar todo o dia
Coisas que falem de amor!
Até me doer a saudade
Se acabe em mim a fantasia
Ou que o sonho me cause dor.

Descalça correndo
Como fazia ao desafio
Ah...como ainda me estou vendo!
Ainda corre em mim esse rio.

natalia nuno
rosafogo

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

domingo, 13 de março de 2011

PALAVRAS ESCRITAS



Falta de vontade
Ou incapacidade de viver?
Falta de doçura na memória?
Ou tão sómente saudade?
Ou inquieta ternura de querer
Revisitar minha história.

O coração cansado
Mas a coragem não derrotada
O passo mais lento e pesado
A alegria às vezes murchada.

Meus olhos baços
Meus gestos agitados
Preocupações, embaraços
Sonhos de esperança privados.
Lembranças de tantas horas
Lembranças que ainda penso e vivo
Que vão e vêm sem demoras
Ao pensamento feito crivo.

À angústia não vou ceder
Medito nesta decisão
Não quero, não quero morrer
Tamanha tormenta esta obsessão.

Sempre triste, magoada?
Meus sonhos já desabando?
A vida passou foi um pequeno nada
Mitigo a angústia chorando.
Nestes versos que escrevo
Tão sentidos quanto eu
Deixo meus ais meu medo
Alguém lembrará quem escreveu?

Redescubro o gosto pela vida
Me acalmam as palavras escritas
Depois da estrada percorrida
Lembranças cada vez mais infinitas.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 11 de março de 2011

POUCO A POUCO



Hóspede amargo
este silencio louco.
Branda agonia repetida
que me consome pouco a pouco.

A vida é um lenço agitado
entre gemidos e ais
Um silêncio ajoelhado
Cercado de horas
severas por demais.

Reza-se a oração
sem esperança,
A palavra é uma janela que se abre
no coração,
E não há quem a lágrima trave
num olhar triste de criança.

Só as estrelas sustêm
A sede e o abraço
que à Vida nos prende.
E sempre que as noites vêem
Abraçam o abrasado espaço
Vigiam os céus azuis da mente.
Tomada de cansaço.

A Vida é, uma árvore perdida
Talvez uma amendoeira em flor
Donzela, que um dia ficará ressequida
Cuja fragância e beleza vão perdendo fulgor.

natalia nuno
rosafogo
retirada- blog imagem para decoupage

sábado, 5 de março de 2011

ALQUIMIA DA ALMA



Todos os sonhos gastei
Restava apenas um
Na saudade o deixei
Hoje nem o rasto de nenhum!

Pingos de chuva me fustigam
É sómente um aguaceiro
Talvez me concedam a graça,
me tragam
Da flor do mato o cheiro.
Para matar a saudade
Que vive em mim por inteiro.

Alcanço o final da viagem
Sem chegadas nem partidas
Iço a bandeira com a coragem
De quem viveu muitas vidas.
Ponho os pés em terra firme
Que germina devagarinho
Viva ainda me sinto,
e assim ao sentir-me,
renasço para o caminho.

A viagem já termina
Deambulo p'la madrugada
silenciosa.
Sinto-me ora menina...
ora fantasma vagabundeante.
Tendo tudo, não tenho nada.
Nesta hora, neste instante?
Sou como lamparina preciosa!
Na busca da felicidade.
Lembro o passado distante
Atinjo a alquimia da alma,
ou  tão sómente saudade.

Já em meus olhos a noite rola
Vivo mais um dia de ventura
Renasço e a vida me consola
Me abraça com fantasias e ternura

natalia nuno
rosafogo

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 3 de março de 2011

DEIXEI-ME A SONHAR



Deixei-me transportar
Aos dias do passado
Deixei-me a sonhar.

Minha alegria ficou triste
Entrei com cuidado
Mas lá já nada existe.

Só o rio continua a cantar
O salgueiro chora sobre ele
a mágoa.
O velho moinho continua a andar
E o ceu azul espelha-se na água.
Já o forno não coze o pão
E a velha mercearia?

Pobre do meu coração
Sofre a tristeza e a alegria.

Hoje não lavo no rio
Nem ponho a cantara à cabeça
Minha vida por um fio
Já nem há quem me conheça.

Molham-se me os olhos
Com esta saudade que me domina
Lembro a menina do vestido aos folhos
Lembro, lembro sempre essa menina.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog-imagens para decoupage

OS DIAS POISAM EM MIM



A solidão é uma pedra no peito
O tempo esse passou
Ficou para trás em bocados feito
Como água no cais que enlodou.
Só meu coração
Ainda está quente
e sente,
a cada momento,
um novo alento.
Entre o tempo e a eternidade
Vive nele a caber
multiplicada a saudade.
Neste entretanto que é viver
e morrer.

De súbito vejo cair a tarde
É mais um dia que finda
Mais um que me trouxe a verdade
Que tudo é efemero, nesta vida
desavinda.
Raras vezes conseguida
a paz que tanto se anseia
Á espera dum sentido p'ra vida
Ao lusco-fusco volta e meia.

Há sempre um não sei quê
A vergar-nos os ombros
E eu insisto porquê?
Encher o peito de escombros.
Os dias poisam em mim
Tão velhos quanto eu
E este chegou ao fim
Levando um pouco do que é meu.

Nada sei...

Só sei
Que o dia passou a correr
E eu aqui fiquei,
nesta solidão,
onde me invento e sinto a desvanecer.
Ou será ilusão?

Mas isso não importa,
Importa?!
Que hoje ouvi o som do ribeiro
O chilrear do passaredo
Senti das mimoseiras o cheiro
Respirei o ar puro do arvoredo.

Assim me encontrei a sós comigo
Lembrei quantos amei verdadeiramente
Alguém me falou ao ouvido
Amanhã terás outro dia, de presente.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog-imagens para decoupage