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terça-feira, 1 de março de 2011

HORAS SURDAS



A noite é boa conselheira
E a solidão inspiradora
Surge o cheiro da laranjeira
Cheira a Primavera
E o meu coração sem demora
Espera e desespera.
No peito uma pedra me pesa
E o silêncio é maior que o mar
Faço reza...agora faço reza!
Para a solidão povoar.

É minha a noite e a solidão
Na memória coloquei uma cortina
Falam-me as estrelas ao coração
De tantos Janeiros desde menina.

Não ouço estrelas,
Nem me ouço a mim
Corro o risco de me perder
Nesta hora a entardecer
Quero dormir, para não ouvir
Que perco a vida assim!
Nesta inanição
Quase a chegar ao fim.

Fim de viagem
Levo o coração
Preso num sopro de aragem.
Levo bilhete de quem não volta
E um pressentimento em mim
A vida dá tanta reviravolta
Que o Poema termina assim.

natalia nuno
rosafigo

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TÃO QUASE TUDO


É tarde, vejo p'la sombra das flores
O dia rouba-me a luz
nasce o silêncio,
só o vento tráz rumores.
Me abandono um quase nada
Apetece-me saltar o hoje
Trago a palavra cansada
de tanto que a vida me foge.

Tão quase tudo
Passou por mim voando
Primaveras e rosas que não vieram
E meu olhar mudo
Viu sumir,
Verões que se perderam
A sombra do Inverno chegando.
E o Outono já a partir.

Vou mais um dia cruzando
Fazendo e desfazendo
A vida me baralhando
Faço de conta não estou vendo.

Me abandono um quase nada
Que me parece uma eternidade
Deixo-me na tarde debruçada
Faço pausa, me cansa até a saudade.

A noite já se debruça sobre o dia
Talvez só uma tristeza!?
Ou o resto dum rumor?!
Eu sei que a saudade viria
Ouvi passos tinha a certeza
Não houve engano, AMOR.



natalia nuno

rosafogo

A PAIXÃO



Um simples amor vale pouco?
Na grandeza dos amores...
Mas o amor nos põe loucos
Ai de quem sofre desamores.
A paixão?!
Em brasa põe-nos o coracão
Dura uma eternidade...
Ou não dura tempo algum!
No futuro tráz saudade
Sentimento,
que exalta como nenhum.

Se entranha na alma,
no corpo, na pele
O peito de amor cheio,
a boca sabendo a mel,
e alguma intranquilidade
e logo algum anseio.
Saudade!
E também muito desejo
Vontade louca de te dares
Por um  beijo?!
Vontade até de implorares.

E no calor de mão na mão
Num entrelaçar de dedos
Olhando as nuvens de algodão
Palavras ditas são segredos.

Sofre-se se amor não se tem
Sofre-se, tendo amor demais!
O sabor doce que dele nos vem?
É a saudade se, não se tem jamais.

Rosas vermelhas perfumadas
O resto? Do destino é obra!
Alquimia na alma,
poesias murmuradas
É bom sonhar...
O amor é livre, nada cobra.

Prefiro falar de saudade, esta poesia
é de 2001, levou pequena revisão, e hoje
pediu-me que a colocasse.

A imagem retirada do -blog imagens para decoupage.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O AMOR ACONTECE



Quando o sol amadurece
Não quero nem saber porque morri
Uma tontura nova e doce acontece
E eu esqueço o muito que já vivi.
Volto ao aconchego das palavras
Morrer foi o que de bom senti
Perfumei o corpo que desvabras
E hoje de amor por ti morri.

O Amor é romã que se abre
Ao sol que a amadurece
É um querer bem
Que bem que sabe
Na margem doce de qualquer tarde
É mel que sempre apetece.
É um frémito de saudade.

Perdidos em mar profundo,
tu e eu,
Surdos ao Mundo
Nesse desejo ardente ,meu e teu.

A parede do quarto já sombria
O sol ainda bordejando a janela,
Suspiros de amor que se sacia
Lá fora a vida, nos esquecemos dela.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog-imagens para decoupage

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALDEÃO (dedicatória)



Esse laivo de perfume
Que ainda hoje me recorda
Como era teu costume
O lencinho da algibeira
e o cigarro ali à borda.

Como era teu costume
Lá seguias na pedaleira
com pedalada certeira.
E esse laivo de perfume.
O nó da gravata bem feito
Tudo corre claro
no meu espírito...
Recordo esse teu jeito.
Sempre o mesmo assobio na boca,
tua unica vaidade
coisa pouca.

A melancolia estampada no rosto
E uma mão cheia de tristezas
Quando o Sol já era posto
Mais um copo
Te arrancava das profundezas.
Incapazes de te compreender
Indeciso e impotente
Não paravas de beber
Pensando assim ser gente.

Tua arma era o esquecimento
E também o perdão
A inimigos desconhecidos
Que sem coração
Te sugavam o corpo e a alma
Como podias ter calma?
Sempre a conversa queixosa
Acerca das misérias
Curvares-te á vida ruidosa,
custosa...
E ainda fazeres-lhe vénias.

Com a mão na algibeira
E um sorriso de desespero
Seguias na pedaleira
Com sonhos
Destinados à partida
a não ser sonhos
Que raio de Vida!
Mas com uma certa ironia
Tu insistias com a vida
E ela contigo insistia.

És hoje um homem a negro desenhado,
na minha memória
Aqui plantado p'la minha mão
Fazes parte da minha história
Guardo-te no melhor sítio
Que é o meu coração.

Nasci do Povo
Memória de mim.

rosafogo
natalia nuno

imagem retirada do blog
imagens para decoupage.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A MENINA DO SONHO


Há uma criança sorridente
Que nos meus sonhos figura
Tem um aspecto diferente
Lê-se-lhe no olhar amargura.
Nos meus sonhos surge,
inesperadamente.
Tráz o passo sereno
Ri ocasionalmente
Quando lhe aceno.

Demasiado juvenil
Demasiado alegre
Às vezes um tanto infantil
Mas sempre meu sonho segue.

Com uma ingénua felicidade
E um aroma agridoce
Imagem de felicidade
E de saudade
Que essa menina me trouxe.

Catraia, humilde, sorriso no rosto
Olhos iluminados
Pontinhos esverdeados
E amarelo forte do sol-pôsto.

Do meu sonho se liberta
Risonha...risonha...risonha!
Deixo-lhe a porta do coração aberta
A menina do meu sonho,
Também  ela sonha.

Memória de mim.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NUM CANTO DA MEMÓRIA



Lembro que chorei
Chorei desabaladamente,
Longamente...
E à distância soava uma melodia
Ao meu ouvido soava
E ao céu ascendia.
Assim meu sonho partia,
jamais voltava.

Esperei em sonhos,
O que esperava?!
Jamais voltou!
O coração me gelou
Dum gelo quebrado,
Triste e fatigado.

O retrato, não me sai da mente
Acalento a esperança.
Por detrás dos olhos fechados
Vejo-a sorridente
Criança...
Já só lembrança,
de sonhos despreocupados.

Esperei em sonhos
Dei-lhe a mão
E murmurei...
Se de ti não me afastei?!
Te afastaste de mim,
porque razão?

Olha aí!
O caderno de poemas encetados
Não os perdi!
Deixei-os em ti guardados.

Trago meu rosto adormecido
E nunca, nunca sei!
Se me terás esquecido

Nem se já te perdoei.

Estranho não te ter encontrado
Porque te haverei perdido?
Ainda que volte ao passado
Vou esquecer-te, está decidido.

Memória de mim.



natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog-imagens para
decoupage.