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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ARAGEM

ARAGEM

É fina aragem que corre
A vida,
me persegue numa pressa amarga
Já o sorriso em mim morre
Com este tempo que não me larga.
Como flecha  me mata
Me tira do meu encantamento
Tempo que não ata nem desata
Me destroça,
e me deixa em desalento.

Diáriamente invento uma alegria
Retiro qualquer pedra do caminho
E procuro de ti uma carícia
Um momento íntimo, um carinho.
Já o desânimo me cerca
Quase o nada me aniquila
Já o tempo faz com que me perca
Minha visão me mutila.

Assim vou fazendo a travessia
Deserto e mais deserto
Já se me priva o dia
Já a noite vem por perto.

natalia nuno
rosafogo

VER-TE AGORA

VER-TE AGORA

Onde estás que às vezes não te vejo
Sou eu que finjo não te ver?
Sei que estás ao meu lado e te beijo
A tua mão na minha sem se desprender.

Tão tranquilamente espero por ti
Desespero se não me dizes nada!
Dormes no meu peito, bem senti
Vens e vais sem data marcada.

Queria ter-te comigo ao acordar
Ali onde a noite finda e o dia vai nascer
Abrir para ti o coração de par em par
Mergulhar em ti e de amor morrer.
Sou eu que finjo não te ver?
Nasce uma lágrima escura
Negra como esta hora morta
Renasce em nós de novo a ternura
Bate-nos o amor à porta.

rosafogo
natalia nuno

domingo, 16 de janeiro de 2011

UM POUCO SEM NORTE














UM POUCO SEM NORTE

Que sentido faz tudo isto?
Suspendo minha respiração
Não vou chorar
Aperto os lábios e com sorte
Talvez não!
Sinto-me desiludida
Um pouco sem norte!
Talvez de loucura acometida
Sou Poeta, vivo e sonho de outra maneira
Com palavras penso tudo conseguir
À poesia me dedico por inteira.
Esqueço a dor, deixando até de a sentir.

Às vezes me sinto ameaçada
Não me obriguem a calar
Que a vida segue em debandada
E por aqui não quer parar.
A melancolia cola-se à vida
Se choro de noite, sorrio de dia
Aguardo a sentença temida.
Dum relógio perfeito que me vigia.

A palavra hoje me queima
E meu coração sem respostas
É o  meu sentir que teima
Que ao tempo vire as costas.
A ilusão é o bálsamo que me anima
Deixa-me voar como ave sem paradeiro
À palavra tenho estima,
É ela o meu bem derradeiro.

rosafogo
natalia nuno

sábado, 15 de janeiro de 2011

NOSTALGIA














NOSTALGIA

Nos braços do tempo me entrego
Me deixo neles abrigada
Estendo-me nas suas asas e sossego
Tranquilamente, sonhando acordada.
P'lo silêncio dos vales
Passeio a minha alma
E o tempo senhor de todos os males
Hoje me devolveu a calma.

É nestes ternos momentos
Nestes instantes de alegria
Que todos os sentimentos
Povoam o meu dia!

Às vezes rio de saudade
Às vezes choro de tristeza
Saudade da mocidade
Dona de tanta certeza.

Tenho saudades, pois tenho
As tenho até de mim
Tanta a distância donde venho!
Doce lembrança sem fim!
Embalada na quietude
Mesmo que só por um intante
Ao velho tempo vou amiúde
Na  nostalgia de saber-me distante.

rosafogo
natalia nuno

SEM VONTADE


















SEM VONTADE

Deixo-me para aqui de braços pendurados
Esquecendo que sou gente
Sem vontade...
Parecendo adolescente
Ou a sombra da saudade.

Tenho os olhos a enrugar
Enrugado trago o sorriso
Luto sem tréguas, tenho de lutar!
Reconforto-me um pouco, preciso.
Meu espírito é agora mais lento
Mas não somos perfeitos, nem imortais
Uma alegria agora,
Uma derrota noutro momento
Espreito e reajo aos primeiros sinais.
Os meus soluços rolam no chão
Choro...criança não me deixam ser!
Meu corpo me precede uma geração
Eu me sinto uma jovem mulher.

Passo minha vida em revista
E encontro força ainda!
Fiz conquista sobre conquista
Daí a saudade que não finda.
Hoje sou criança a escrever
Alguém pega na minha mão
Da boca para o papel, tento dizer
Aquilo que me vai no coração.

natalia nuno
rosafogo

ABALADA...ABALEI!













ABALADA...ABALEI!

Abalei da minha aldeia
Para o Mundo desconhecido
Com um pequeno pé de meia
Eu, uma menina pequena
Que mal havia nascido.

Na pequena povoação
Começei a minha luta
Entreguei-me de coração
Fiz-me gente, fiquei adulta
E assim saí do meu chão.

Abalei cheia de esperança
Levando comigo saudade
De deixar lá a criança
E toda a minha mocidade
Levando tudo na lembrança.

O mundo me seduziu então
Mas onde ficou aquele sabor?
É meu sopro de inspiração
Um gosto de lágrimas, amor!
Inscrito em meu coração.

É grande a rececptividade
E um comovido afecto eterno
Terra da minha naturalidade
A recordo neste Inverno
Terra minha que saudade!

Traço sumáriamente o passado
História que a mim mesma conto
No coração trago guardado
E no pensamento tudo pronto
Pra lembrar esse tempo recuado.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ESCREVO PARA O TEMPO













ESCREVO PARA O TEMPO

Esqueço a dificuldade da descida
Sorvo tudo que a Vida me dá
Se a trago quase perdida?
Só Deus decerto saberá!
O vento empurra a areia
E o tempo a mim me empurra
O tempo tudo afeia!
E o vento sempre murmura.
Tanto a Vida me ensinou
Que resta sempre algo a ser dito!
Partir agora? Para onde? Para onde vou?
Se eu na Vida ainda acredito.

Assim vou cumprindo sina
Neste percurso fugaz
Trago saudade da menina
Que ficou, faz tempo lá atrás.

Morro um pouco todos os dias
Vou contando os anos vividos
Minhas palavras andam vazias
Mas volto aos sonhos destemidos.
Lembro as canções da infância
Ao longe em sombras esbatidas
Nos meus olhos passam à distância
A memória as traz  quase esquecidas .

Assim vou devagarinho
Vou andando e vou sonhando
Nas curvas do meu caminho.

rosafogo
natalia nuno