palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
AS MINHAS MÃOS
AS MINHAS MÃOS
As minhas mãos são moinhos de vento
Que moem incertezas
Saciadas momento a momento
Por avalanches de sonhos e fraquezas.
No papel em branco baloiçam
Correndo, correndo sem destino
Às vezes lhes peço que me oiçam
No tempo partem cada vez com menos tino.
Nunca sei o que as move
Voam, voam como pássaros loucos
Numa ânsia que até me comove
Por vê-las a morrer aos poucos.
São como flecha estes meus dedos
Neles solto meus olhos de menina
E no soltar dos meus segredos
Fico assim gaiata, traquina.
Solto palavras nesta folha em branco
E a saudade me baila na memória
Abro as portas ao meu sorriso franco
E vou desfiando o terço da minha história.
Sem paragem, entre a saudade e o que me dá frio
Fica o testemunho dum longo passado
Nas veias o sangue corre ainda como rio
Chegando à foz, dum coração, com a vida reconciliado.
rosafogo
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
FOI APENAS SONHO!
FOI APENAS SONHO!
Hoje me sinto semelhante a uma arvore
sem frutos.
Vou lembrando, para não esquecer
instantes curtos
gravados na memória, cinzelados,
como arasbescos airosos.
Desmaiando aos poucos,
instantes indistintos
Dos meus olhos famintos.
Chorosos.
Diante dos meus olhos a desfilar
Qual estrela no Céu
E ao despertar, tenho a certeza
Que era eu.
Nostalgia, misturada de saudade
Aquele rosto me pertencia
Mas já era tarde
Quase via em pormenor, impaciente,
Saí do sonho, cheia de ternura
Com os olhos húmidos de emoção
Guardo zelozamente
Com doçura
Essa imagem no coração.
Era apenas sonho
Um caminho estreito
Entre a vigília e o sono
Quando em sobressalto me deito.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
rosafogo
ÚLTIMA PARAGEM
ÚLTIMA PARAGEM
Subo a encosta a passo lento
E nem uma gota de suor
Nesta viagem estafante
Para trás deixei a dor ,
E esta luz cambiante.
A sorte que me espera?
Só a saberei mais tarde!
Mas quem espera desespera
E eu desespero já de saudade.
Quando chegar ao cimo
Levo comigo o aroma das giestas
Giestas do meu pedaço de chão
E o rumorejo do vento
Arredada do mundo em solidão
E no meu rosto de rugas sulcado
De alívio será a expressão
De alento...
Por ter chegado
Ao fim !
Assim
tal como nasci
numa tarde morna?
Minha alma como filho pródigo
à casa torna....
A VIAGEM
A VIAGEM
A este caminho não voltarei
Nem depressa nem devagar
Nem perdida com ele me cruzarei
E nem rasto vou nele deixar.
Só palavras apagadas
No fundo dum velho poço
Em águas estagnadas
Gritando...ah, só eu ouço.
Serão meu uivo de dor
Resíduos da minha inquietação
Restos de lágrimas sem cor
Lava fria, cinzas da erupção.
Caminho cujo horizonte não sei
Ou finjo ignorar...
Só sei que nele sonhei
Ser nuvem sempre a avançar.
Não levo mapa nem destino
Levo no rosto a indiferença
Caminho qual peregrino
Com Deus e sua presença.
natalia nuno
rosafogo
SEM ME DAR CONTA
SEM ME DAR CONTA
Tomara minha alma cegue
Pra não ver meu corpo ruir
Não quero que ela carregue
O meu desânimo em prosseguir.
Ouço o levantar do vento
A clarear o dia cinzento
Também a minha agonia
Se faz presente neste dia.
Trago frio o corpo e a alma
Tudo em mim é contraditório
Tudo é calmo e eu sem calma
Vejo que passa o tempo inglório.
Falo de mim do meu EU
E de toda a minha saudade
A Poesia é meu Céu
Minha existência e eternidade.
Ouço a chuva que cai.
Lembra-me poemas antigos
A saudade que em mim vai
O folhear de livros amigos.
E vem esta voz falar-me
Ameaçando minha solidão
Tédio de que não consigo libertar-me
Nem deste vento sem direcção.
Já não me importa os temporais
Quer seja desta ou d'outra vida
Quero partir deste cais
Sigo a sombra da despedida.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O DEVORAR DA ALMA
O DEVORAR DA ALMA
A noite obscurece meu coração
Ouço os passos da chuva agonizando
Empalidece minha luz, minha visão
Já não vejo a menina triste,
nem estou lembrando.
Se existe?!
É lenda na voz dos ventos
É sombra de nuvem que passa
Nos olhos cegos e lamentos
Ou nos múrmurios da desgraça.
Já foi bosque primaveril
Com odores de primavera
Ramo verde em mês de Abril
Água que corre e não espera.
Mas esta noite que se afasta
Dando lugar à tristeza
Leva-lhe ilusões, a arrasta
Chove em si, trás-lhe incerteza.
Mas há-de chegar a madrugada
E vai mergulhar na vida
Se a memória não lhe ficar parada
Presa ao silêncio da partida.
natalia nuno
rosafogo
SUJEITO QUE SOU
SUJEITO QUE SOU
Ao nascer da terra o grão
Não conta com a agitação do vento
Prende as raízes ao chão!
Mas a vida faz-lhe chamamento.
Solta-se louco à claridade
Tal como meu coração se solta
Em volta da voz da saudade.
Indiferente às vezes morre!
Procurando por liberdade.
Outras, atrás da felicidade corre.
Desata o grão a crescer
E é já botão aberto
E é ganhar ou perder
Que o desfolhar está por perto.
Sinto em mim a acontecer
O caminho pró esquecimento
O florescer e o anoitecer...
Que passam rápidos como o vento.
Ainda ontem era ouro
Não haverá renovar dos frutos
A vida é um tesouro
Contam horas e minutos.
E o grão é memória sómente
E esta passa de raspão
Pobre nascer da semente,
Que pregou raízes ao chão.
A Vida leva tudo à sua frente
A seiva é um sonho intruso
A vontade é inexistente
E a esperança um sentimento confuso.
Já a morte está à espreita
Já se encurta o dia
Já a passagem é estreita
Já a solidão se inicia.
Sou minha sombra... sombria!
natalia nuno
rosafogo.
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