palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
ALGUMA COISA EM MIM
Quero cerrar os olhos
Esquecer a vida!
Deixar-me a ouvir o regato
no vale
E numa ventura infinitiva
Deixar o sonho ser real.
Este sonho que é feito
de migalhas entrelaçadas
Dum tempo que trago no peito
com imagens amadas.
Embacia-se a vista
com o fumo que se desata
das lembranças
O passado minha memória conquista
Recordo o tempo das esperanças.
As palavras ficam quietas na boca
No coração uma terrível estreitura
Um vendaval lembrando ser já tão pouca
A Vida que trago presa à cintura.
Darei meu coração por alimento
À vida que me traz derrubada
Se até meu respirar é sofrimento
Que mais queres de mim?
Vida danada...
natalia nuno
rosafogo
imegem do criative blog
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
PENSAMENTOS
Ás vezes cerro os olhos
Ao presente sombrio
Meu coração bate manso
Como bate o vento trémulo nas canas
Sinto-me pequena folha embalada
Num frenesim de esperança
E pouco mais que nada.
Ás vezes olho a paisagem desolada
E nem sei o que é mais cinzento
Se o que olho de alma quebrada
Ou o que me vai no pensamento.
Ás vezes sou levada por uma vontade
Assim, a lampada da vida
continua a arder
Outras me dá uma saudade
que a vontade
me quer morrer!
E a tristeza é como uma centopeia
Que se arrasta solitária
Avança e se passeia
Na minha alma lacerada
E continua dias a fio
A cada instante mais sombria,
como rio
Que segue louco ao mar.
Ás vezes fico eternizada a pensar
Que a vida é mesmo esse rio, indiferente,
que corre sem parar,
e eu sentada aqui
Com frio na alma, nem me sentindo gente.
entregando-me ao futuro que se avizinha
e me espreita
e assim se vai sumindo vida minha
como a água do rio que corre.
A ameaça se deita
despertando meu temor.
Ouço o tremer do arvoredo,
fico sem medo,
do tempo me esqueço
Vibro com tanto aroma, tanta flor!
E assim adormeço.
natalia nuno
rosafogo
FICO-ME POR AQUI
Fico-me por aqui!
Não quero aumentar a tristeza
Nem vossa, nem minha
De vós muito recebi
E a vossa estima é a certeza
que na minha escrita se adivinha.
A cumplicidade entre nós
sempre acesa.
Daí a saudade.
Agora ao atingir o fim?
Procuro vivamente a liberdade,
que á distância ficou de mim.
Não é que a eu não sinta!
Ou a minha felicidade seja menor
Mas é pra que não minta
Pois hoje me sinto sem valor.
Estava decidida a ficar
Continuar com dignidade
Mas a outrém vou deixar falar
Já que só falo de saudade.
Volto ao ponto de partida
Desço ao fundo do meu coração
Deixo esta poesia mal urdida
Por hoje é esta a minha punição.
rosafogo
natalia nuno
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Hoje estou sem inspiração...
domingo, 25 de setembro de 2011
ESTRELAS ENGANOSAS
Meu sorriso jaz adormecido
E no meu olhar já a tarde dorme
Minha voz desamparada, sem ruído
Meu soluço raio que cai e ali morre.
Assim sobe em mim obscura dor
Neste Outono me sinto isolada
Já fui amendoeira em flor
Sou agora triste arvore desfolhada.
O sol sustém ainda minha esperança
Finda a noite, mas não finda a vida
A noite que me leva á criança
Em sonhos onde fico cativa.
Ali me deixo docemente
Num tempo que não conhece desventura
Ouço o chiar da nora permanente
Olho a minha gente com doçura.
Assisto a tudo com o coração palpitante
Aproximo-me das coisa que me são preciosas
Peço ao sonho só mais um instante
Amanhece, vão-se as estrelas enganosas.
rosafogo
natalia nuno
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